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16 março 2012

Reflitam, enquanto não é muito tarde.

REPASSANDO: Reflitam, enquanto não é muito...

Luciano Eskenassis
REPASSANDO: Reflitam, enquanto não é muito tarde.

Texto do Paulo M. P. de Andrade
“Primeiro, os enfermeiros começaram a pedir exames e a prescrever, mas como não sou clínico geral, eu me calei.
Depois os farmacêuticos também começaram a receitar remédios no balcão de farmácias, mas eu os ignorei e nada fiz.
Depois, vieram os optometristas prescrevendo óculos, mas, como eu não era oftalmologista, eu não protestei.

Então, foram buscar os nutricionistas para pedir exames laboratoriais e prescrever, mas, como eu não era endocrinologista e nem nutrólogo, eu me calei.

Não satisfeitos, eles buscaram os biomédicos para fazer e até mesmo assinar laudos de exames anatomopatológicos, mas como eu não era patologista clínico, eu novamente me calei.
Depois incentivaram os fisioterapeutas a prescrever tratamentos ortopédicos e até a serem chamados de ‘doutor’, mas como eu também não era ortopedista e nem fisiatra, nada disse.

Para meu início de preocupação, chamaram os esteticistas e cosmetologistas para tratar problemas de pele e fazer procedimentos estéticos, mas como eu também não era dermatologista e nem cirurgião plástico, ainda mais uma vez eu me calei.

Até os psicólogos iniciaram a prescrever anti-psicóticos, mas eu também não era psiquiatra, então nada fiz mais uma vez.

Até criaram ‘casas de parto’ para parteiras substituírem obstetras, mas como eu não era obstetra e já tinha filhos, não me importei com o risco de ocorrência de distócias de parto com possibilidade de complicações como hipóxia neo-natal, e mais uma vez nada disse.

Então, quando finalmente treinaram tecnólogos para lidar com um software alemão que fazia sozinho eletrocardiograma e sugeria medicações...chegou a minha vez e fui dispensado como cardiologista…

Olhei para os lados em busca de apoio, mas vi que já não restava mais nenhum colega médico para me ajudar a protestar...e para meu desespero finalmente percebi que já era muito tarde e de nada adiantaria aprovar a Lei do Ato Médico simplesmente porque já não havia mais porquê haver médicos..."
Realmente ainda não é muito tarde.

Aprovando a Lei que regulamenta o exercício da medicina preservaremos como atividade privativa do médico a formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica.

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