Jewish
Free Cell Phones
Casa da Çogra

07 Agosto 2009

ROBERTO CARLOS E REGINA CASÉ : IMPERDIVEL!!!

http://www.youtube.com/watch?v=8x9rUJHHvtQ

01 Agosto 2009

ARI DEVE TER FICADO MUITO ORGULHOSO....ELES SÃO ESLOVENOS, GENTE!

http://www.youtube.com/watch?v=jmttwEHdfB0

29 Julho 2009

A PURA VERDADE NÃO DESBOTA, GENTE...

A VERDADE CRUZA OS SECULOS...

28 Julho 2009

Nelson Motta há 30 ou+anos atrás...entrevista Raul Seixas

http://tvuol.uol.com.br/permalink/?view/id=raul-seixas-entrevistado-por-nelson-motta-04023864E4B18346/user=ay7ag42ojqne/date=2009-07-28&&list/type=tags/tags=2106/edFilter=all/

11 Junho 2009

Minhas almas penadas

A todos os meus que se foram, almas penadas ou não. Mesmo que fossem almas penadas, eu as gostaria de ter em minha casa esta noite. Mesmo que algumas delas não se falassem com outras, eu as queria a todas na minha casa.. Mesmo que algumas chegassem depois da hora em que os ponteiros se encontram, à meia noite, o que nelas sempre foi habitual; Todas as minhas queridas almas penadas, eu as queria hoje à noite em minha casa a celebrar comigo possivelmente: A Paz que ninguém sabe onde anda, nem elas, A Saúde que a gente deseja uns aos outros mas ninguém sabe (nem elas) se a teremos – somos tão frágeis e indefesos... A Alegria que teima em combater esta tristeza que a falta destas minhas almas penadas me faz... Minhas almas penadas - algumas me estão ainda tão encrustadas na memória que as consigo ver nitidamente... E não se diga que são almas que partiram recentemente. Muitas passaram há muito tempo, e permanecem ocupando um lugarzinho claro no meu coração. Outras permanecem na obscuridade, resmungando, umas por ciúmes, outras por temperamento. Queria tanto que elas estivessem, não fisicamente, por impossível, Mas envoltas em nuvens, chilreando como quem sorri e abençoa....Que saudades tenho de vocês... Sergio Rebouças

27 Janeiro 2009

Vão-se os ovos e ficam as cascas... SRebouças 2009

Mais de uma vez me surpreendi com a minha absoluta falta de veneração ou respeito aos cemitérios.Já enterrei gente pobre amiga minha dentro de cemitério, em cova rasa....Já houve tempo em que me surpreendeu ver coveiros lanchando em marmitas junto a uma cova aberta, aguardando o morto...A contemplação de verdadeiros monumentos, estátuas de escultores renomados, 'mansões' de portas em ferro trabalhado, vitrais, anjos nas mais diversas posições, simulando aflição, desespêro, pranto.Mármores e granitos, quantos membros daquelas famílias existirão ainda hoje?... Acredito que se fossem fazer uma chamada aos parentes daqueles enterrados - restos mortais - muito pouca gente responderia. Eu sou firmemente adepto da cremação. Considero os cemitérios como cidades inertes dentro de uma outra, de dinamismo e vida... Como médico, sei que a pessoa desencarnou naquele momento, e restou uma estrutura que imediatamente começa a entrar em decomposição.Aos parentes, uma mistura de dor e saudade, feridas que o tempo se encarrega de mitigar.O cerimonial do velório por si só já é uma excrecência, remonta às antigas impossibilidades de se afirmar se a pessoa era morta ou entrara em estado catatônico...Hoje os exames tornam proibitivo que se declare morta uma pessoa em estado catatônico ou em coma profundo. A cremação é um bem: para a família, para a população, mas não para as Santas Casas e instituições similares de grupos raciais que vivem deste mercado tão necessário e repugnante. A pessoa que morreu volatiliza-se e abandona aquele corpo sofrido e desgastado, que agora vai retornar ao nada - é apenas uma casca - a pessoa a que me refiro habitou aquele corpo físico, ao longo de seu período de vida, a ele integrado,mas tão logo é dada a declaração de morte, voa, para o alcance do Creador, sem mais, onde ficará aguardando uma nova missão.Se isso é espiritismo, então eu o sou. Minha família toda se dizia católica, muito poucos realmente praticantes. Desculpem se decepcionei a alguém dentre vocês,mas estou sendo rigorosamente honesto dentro de mim.Fiquem todos com Deus e Jesus Cristo.Amem.

08 Janeiro 2009

Deus chama os bons antes dos maus? SRebouças

Há dias perdi uma grande,muito grande amiga, uma irmã, da mesma idade que eu,vítima de implacaveis metástases desta doença que precisava ser extinta do mapa de doenças que nos afetam...Impermeável a tanto sofrimento causado pela quimioterapia, gargalhando das alternativas terapêuticas possíveis, comendo a pessoa por dentro, devagar, ocupando território...Deus teve piedade, e resolveu seu quadro sem muito sofrimento - aliás o sofrimento fica aqui na Terra, para os que a amaram e viram nela um espírito especial.Ao que parece também foi misericordioso, enviando alento e confôrto aos filhos e netos e amigos.Eu devo ter sido o último a ser tocado por este conforto, mas peço desculpas a meus grandes irmãos e amigos, eu sofri esta dor por trajetos diversos em 2005.Mas, engraçado, ela era uma criatura inteiramente lúcida, ao contrário de minha mãezinha, vítimada pelo Alzheimer desde 1997.As ultimas palavras que Lili me disse ao telefone foram, dias antes de sua breve internação: "Sérgio, eu te amo muito".Eu também, Lili, eu também...

TEMPUS FUGIT SRebouças

Há mais um ano não escrevo neste blog. A cada dia deste ano inteiro minhas atenções foram voltadas para a própria saúde, há tres anos estou afastado do meu local de trabalho, as decepções de tanta safardinagem comendo solto, tanta molecagem com este bom povo brasileiro, humilde, cordato, honesto e trabalhador.Tanto dinheiro escorrendo entre os dedos gananciosos de quem achou o velo de ouro e se sente acima e infenso a punições.Tanta miséria na saúde, na instrução, na segurança...Tanta obra monumental sem nenhuma prioridade a ser concluida, montanhas de reais empenhados,Palácio Monroe, uma lindeza posta abaixo por causa do metrô - e na verdade era desnecessária tal demolição. Puseram abaixo o prédio da FACULDADE NACIONAL de MEDICINA e ao lado o da ODONTOLOGIA, edificações clássicas que qualquer europeu conservaria sem discutir....pra fazer o que em troca? NADA!Apenas muraram. Há mais de um ano não escrevo neste blog...tanta imundície política, tanta insensibilidade, pra que escrever? É remar com um palito de fósforos...

04 Dezembro 2008

Solilóquio em Si Menor SRebouças 31/01/2007

Eu falo introspectivamente Talvez contraproducentemente Para gente que não se comoveu: Para uma platéia que me não desmente Embora esteja sempre presente Simplesmente porquê ela sou apenas eu... Fá-lo, este solilóquio, arrancado Do fundo deste meu coração Para um par de ouvidos embotado Introspectivamente perdido Na relojoaria do não Da negativa padrão Eu falho – que adianta reclamar? Compulsivamente Contra esta gente que Atrabiliariamernte Faz-me parecer um palhaço Soliloquiadamente só. Sergio Rebouças 31/01/2007

20 Outubro 2008

ADEUS FUMÓDROMO, NUNCA MAIS ESTA HUMILHAÇÃO SRebouças

Quando eu penso que fumei ao longo de 51 anos...nunca tive problemas respiratórios, uma fome de leão, lá em casa os cinzeiros abundavam (que palavra mais feia, essa...), mas pouco se me dava com a literatura acerca dos males que o cigarro podia trazer. Aquelas hipócritas colocações escritas e gráficas de males possivelmente decorrentes do uso do cigarro, um resquício de mentalidade de falsidade/ditatorial vindo de um governo que abiscoita mais de 75% do valor de cada maço em imposto... Visto do lado do fumante, o cigarro é um acompanhante, uma bengala, um apoio nos vários momentos porquê passamos... Não nos incomodamos com os dedos manchados de nicotina, os dentes escurecidos, a boca amarga, que importa se o velho amigo está ao nosso lado? E que se não o deixe minguar no estoque, sempre um pacote na reserva! Os ouvidos moucos aos conselhos de "parar", risiveis e lamentáveis processos vigaristas como uma vez enfrentei num edifício comercial na Praia do Flamengo, um pseudo-consultório e aplicação única de uma "luz vermelha", uma nota preta pela consulta e a duração de tres dias dos efeitos da 'sugestão'...As reclamações inclusive, no consultório, por parte dos doentes na sala de espera - sim, pois eu, um médico, era fumante....e eu tentava disfarçar o clima com sprays anti-tabaco, mas as reclamações persistiam. 51 anos de fumante não se largam assim como quem salta do bonde... No íntimo eu sabia que teria de haver um motivo muito forte para deixar o 'amigão' de lado...Eu não acreditava nas tais medidas de combate ao fumo, palestras, filmetes, conselhos....eu era um fumante viciado e como tal me reconhecia. Um belo dia concordei em me submeter a uma cirurgia videolaparoscópica de vesícula biliar com um colega do consultório - operação besta, eu via clientes que com 5 dias de cirurgia estavam indo a shoppings...ninguém me disse - "para de fumar durante algum tempo, cara..." Tudo acertado eu fui fumando para o Hospital Barra D'Or, tranquilão e assim segui para o Centro Cirúrgico, do qual nada me lembro. Anestesista porreta era aquele...a maioria que conheci deixava o paciente adentrar a sala de cirurgia acordadão, é mole? pra não iniciados na 'nobre arte' operatória, aquilo já valia por um pré-infarto...mas no meu caso eu já entrei dormindo. Crente que operava de manhã, e à tarde ia pra casa, no dia seguinte acordei eram 6 horas, e levei o maior susto ao ver que eu estava num CTI...um senhor cheio de canos e balão de oxigênio á frente, outro coalhado de aparelhos de monitorização ao meu lado, uma cortina azul do outro lado...Foi então que eu senti uma dor forte no peito e chamei a enfermeira - que demorou a vir - pegou minha papeleta e disse que 'não havia nada receitado praquela dor' ( palavras textuais da anencéfala) Mandei chamar um médico e em resultado sugeriram um cateterismo coronariano - que é claro eu aceitei na hora. Depois do exame, fui recambiado para aquele simpático e aconchegante ambiente. No dia seguinte fui para um quarto comum. O diagnóstico era que eu sofrera um enfarte de uma das artérias coronarianas principais, da ordem de uns 40%. Recebi um cartão do chefe da clínica cardiológica e exigi, mais do que pedi, a minha alta hospitalar. Disseram-me para ir aquele consultório, também na Barra, dentro de uma semana e deram-me uma lista de uns oito medicamentos. Fui ao tal consultório, que o dr. dividia com a esposa dermatologista, sala de espera para tres pessoas e a secretária esmigalhada a um canto, com monitor, telefone, fax e pastas diversas. Uma enorme placa de acrílico ao fundo mostrava as especialidades de ambos e o que me chamou mais a atenção nela foi "DERMATOLOGIA CIRÚRGICA _ BOTOX"... O cardiologista muito simpático fez emergir de sua impressora uma receita depois de me mostrar o cd do exame, e foi taxativo: "CIGARRO É INEGOCIÁVEL".Na receita constava o Isordil sub-lingual e a recomendação foi simples: "se tiver dor coloque um comprimido e aguarde 15 minutos; se não passar coloque outro, me telefone e rume para o Barra d'Or..(!!!) Claro que quando eu cheguei ao térreo, meu espírito já me aguardava com cara de "viu?" e eu estava numa depressão tamanho família.Isto há 2 anos e 10 meses atrás. Estou em tratamento, passei por dois psiquiatras (?) até chegar neste atual, que é outro papo, além de combater em outras 3 frentes clínicas. Compreendi com uma situação - o infarto - e aquela frase singela "....inegociável"... que nada substitui este método de parar de fumar : o desejo de permanecer vivo. É um subsídio para além de qualquer audio visual, aconselhamento, médico ou não, tratamentos que visam ao financeiro, v. se imbui da necessidade sem choro nem velas, e para. Às vezes levemente, vem aquela vontade de acendeu unzinho, mas acreditem ou não, até hoje nem PEGAR num cigarro apagado eu peguei. E criei uma impaciência com cigarros e cinzeiros e isqueiros, e com o hálito forte de cigarro dos que falam próximo a nós... Meu Deus, quanto me arrependo de não ter acreditado quando alguém na sala de espera reclamava que alguém estava fumando...Entre outras vantagens, a gente cria um faro de perdigueiro, os dentes livres de tártaro e claros, os dedos limpos e sem aquela morrinha de nicotina. A roupa da gente fica livre daquela impregnação, os cabelos, tudo melhora...até os pulmões. É como eu sempre acreditei: para deixar de fumar só um acontecimento muito forte, para criar a força mágica necessária. Eu passei por isto, eu sei que venci.

05 Outubro 2008

DEO GRATIAS!

QUANDO EU ME LEMBRO QUE NO DIA DE ELEIÇÕES ME PASSAVA POR DENTRO UMA EMOÇÃO, UM SENTIMENTO INDESCRITÍVEL, UM SENTIMENTO DE QUE EU IA COLOCAR MAIS UM TIJOLINHO NO MURO DA DEMOCRACIA...POUCAS VEZES AS MINHAS ESCOLHAS FORAM EFETIVAMENTE AS DE UMA MAIORIA. UM DIA EU ENTENDI O PORQUÊ: AQUI NO BRASIL, VOTA-SE POR INTERESSES ESCUSOS OU IMEDIATISTAS MUITO ANTES DE QUE POR PATRIOTISMO OU CONVENIÊNCIA DA NAÇÃO OU DA REGIÃO. DEMOREI MUITO A APRENDER ESTA LIÇÃO. DEPOIS QUE EU APRENDI - HÁ ALGUM TEMPO - EU AINDA ERA OBRIGADO POR FORÇA DE LEI A IR VOTAR.

AGORA, DESPRENDO-ME DE QUALQUER PUDOR AO PROCLAMAR: GRAÇAS A DEUS EU ESTOU LIVRE DE FAZER ESCOLHAS ENTRE A ATUAL ESCUMALHA POLÍTICA. DEO GRATIAS!....

03 Outubro 2008

AGORA EU NÃO VOTO MAIS SRebouças

COM 71 ANOS COMPLETOS, EU NÃO MAIS VOU VOTAR. MEU PRIMEIRO VOTO NA VIDA FOI NO BRIGADEIRO EDUARDO GOMES, ÍCONE DA DIGNIDADE, TAL COMO O CASTELO BRANCO, ESTE, ESPÉCIME RARO DAQUELE GRUPO DE 64 DA DITADURA, MAS QUE ERA UM HOMEM DE RECHEIO.FOI ASSASSINADO(...), PORQUE SENTIRAM QUE SUA LIBERALIDADE DEMOCRÁTICA NÃO SERVIRIA À "LINHA DURA" DE ENTÃO. AS FORÇAS ARMADAS, QUE AUXILIARAM LACERDA NA LUTA CONTRA GETÚLIO NO SEU FINAL MELANCÓLICO DE LAMA, HOJE ESTÃO REDUZIDOS A TRES 'MAITRES' DO MINISTRO DA DEFESA, QUE ALIÁS NÃO DIFERENCIA UMA VARA DE PESCAR DE UMA BAZUCA. HOJE AS FORÇAS ARMADAS ESTÃO DESQUALIFICADAS, SEM VERBAS, RELEGADAS AO PAPEL DE COADJUVANTES DOS POLÍTICOS. QUE FAZEM AQUILO QUE SABEM FAZER DE MELHOR: ENGANAR NOSSO POVO. ESTÃO AÍ TODAS AS CARTAS NA MESA: EPISÓDIOS COMPROVADOS PERANTE A PF E O MIN. PÚBLICO, RESMAS DE PAPEL, FITAS E DISQUETES, NEUTRALIZADOS IMPUNEMENTE PELA CANETA DE JUÍZES OS MAIS SUSPEITOS E DAS MANEIRAS MAIS SUSPEITAS. NUNCA SE USARAM TANTO AS GAVETAS COMO NESTES GOVERNOS DE FH E LULA. E AQUI E ALI ELES ENSAIAM CALAR A IMPRENSA DO BRASIL, E OS GOVERNOS DE EQUADOR, BOLÍVIA, PARAGUAI, COLÔMBIA E VENEZUELA - FORA CHILIQUES DA ARGENTINA - TROCAM CHILREIOS COM LULA E O AMORIM, PÉSSIMO CHANCELER.NÃO PARECE QUE GRANDES AQUI NA AMÉRICA DO SUL SOMOS NÓS; NOSSO GOVERNO É TATIBITATI NO TRATO COM OS NOSSOS INTERESSES DE POVO E COMO EXPORTADORES DE MÃO DE OBRA E TRABALHOS ESPECIALIZADOS."TOMO, OCUPO, NÃO PAGO, EXPULSO, PRENDO, RETENHO," O QUE É ISSO? SOMOS O QUÊ? PALHAÇOS DE CIRCO DE 3ª CATEGORIA? ISTO SEM MENCIONAR O MST COM UMA VERBA SUSPEITA, INVADINDO E QUEBRANDO, MOVIMENTANDO MILHARES DE PESSOAS COM UMA LOGÍSTICA DE TRANSPORTES E ALIMENTAÇÃO E ABRIGO DIGNOS DAS FORÇAS ARMADAS. E ESTA BOSTALHADA DE IMPOSTOS SOBRE IMPOSTOS, E ESTES TANTOS ANOS SEM AUMENTOS DE VENCIMENTOS PRA ESTA ESCUMALHA DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS? E OS AUMENTOS PARA 'O ANDAR DE CIMA' AQUELES POBREZINHOS TÃO DESPROVIDOS DE RECURSOS ENQUANTO NÓS PASSEAMOS NAS RUAS TRANQUILOS, COM SEGURANÇA, BARRIGA CHEIA, DÓLARES NAS CUECAS E MALOTES... ESTE NOSSO GOVERNO PRECISA RESPEITAR O BRASIL ANTES DE RESPEITAR OS DEMAIS PAÍSES SUL-AMERICANOS, SEJAM LÁ QUEM FOREM. NÃO, EU NÃO VOTO MAIS; NEM PARA VEREADOR, DEP. ESTADUAL, FEDERAL, SENADOR, PRESIDENTE DA REPÚBLICA. COMO DIZEM OS NOBRES IRMÃOS GAÚCHOS: "DEU PRA TI, CHÊ"

23 Setembro 2008

UMA HOMENAGEM MAIS DO QUE JUSTA A UM DE NOSSOS POUCOS VALORES OLÍMPICOS: CIELO

http://mais.uol.com.br/view/112007

22 Junho 2008

Revelações mal vistas SRebouças

Talvez os nudistas adorem esta foto, mas a nós outros, que nos escravizamos passivamente ao uso de indumentárias, do sapato ou sandalias e chinelos ao boné, toucas e chapéus, passando por calcinhas e cuecas, meias, camisas e camisetas, saias e blusas, lingeries, calças dos mais variados tipos, paletós, blazers e coletes, enfim todos os artigos listados no capítulo "indumentária masculina e feminina", parece-nos que a falta de roupas revela, acentua, aponta a imperfeição de nossos corpos, a falta de estética de uma bunda magra, de seios caídos, de uma barriga relaxada ou volumosa, ou aquele famoso revestimento pilífero que nos remete à associação com a família dos gorilas...as roupas são uma necessidade ESTÉTICA. Os nús artísticos são elaborados, os angulos cuidadosamente escolhidos, ao passo que o casal de frequentadores do museu mostra todas as suas deficiências estéticas, anatômicas, o que mais se possa imaginar. Vivam, pois, as roupas, o material que nos esconde as imperfeições, que possibilitam as fantasias....um enchimento aqui e acolá, uma roupa bem combinada, exalando um charme que muitas vezes inexiste...Não confundamos, por favor, aquelas fotos de modelos profissionais, corpos tratados nos detalhes e rostos idem, com as célebres fotos de uma colonia ou praia de nudismo...argh!...

23 Maio 2008

Aniversários e Materialismo

23 de maio de 2008. Fazendo hoje 71 anos. Nada diferente nesta passagem de ano para mim, tão droga e banal quanto a passagem de ano do reveillon. Grandes merdas, continuo o mesmo, nada mudou, persiste apenas a dúvida, a grande dúvida, "até quando?"...

Gostaria de ser menos materialista, menos apegado ao meu lar, minha toca, meu refúgio, onde passo a maior parte da minha vida. Ser menos apegado às coisas que fazem parte do meu métier, mas aqui sou forçado a reconhecer que, pior que os gatos, (que precisam se apegar ao teto que os acolhe), ali estão porque nós ali as colocamos, mas são totalmente indiferentes se v. de repente faltar, são indiferentes, se removidas para outros locais, se negociadas, seja num leilão ou doação simples. Nada as afeta, desdenham de todos os olhares de carinho e confôrto que lhes dedicamos ao longo dos anos. Algumas são tomadas pelo cupim, esta praga, outras enferrujam ou oxidam, outras descoram, desbotam, outras simplesmente quebram uma perna e o SUS não as socorre....
Outras desmontam, empenam, ficam cambaias sem uma razão aparente, e o lixo é sua última morada.
Por outro lado nunca seria capaz de me acostumar com a bagunça, a sujeira disfarçada atrás das portas ou debaixo dos tapetes, quadros tortos nas paredes, nunca. Ser capaz de achar as coisas no escuro de um cômodo, sempre que possível. Um psiquiatra disse que eu tenho uma tal de Distimia. Que seja, nela e com ela eu vivo e hei de morrer.
Detalhes imperceptíveis de imperfeições na arrumação de uma casa, são por mim assinalados à mera entrada...
Sofrimento isto me traz? não, mas impaciência sim. Gostaria de ser mais tolerante, procurar mais meus pouquissimos amigos, mas meu temperamento me transforma numa pérola dentro de uma ostra. Aos poucos amigos que se lembraram da data, meu grande beijo e um apertado abraço.

06 Maio 2008

O demônio tem muitas faces SRebouças

Quem olha para esta carinha linda não imagina a criatura diabólica que se esconde dentro dela... Esta jovem combinou com o namorado - ou amante - e o irmão dele, o assassinato de seus pais. (Dá-me ainda hoje ânsias de vômitos ao relembrar deste caso, mas é preciso fazer o comentário neste blog e eu o farei.) Não sei qual o maior monstro nesta estória, se a filha que induziu os dois Cravinhos ao crime, se eles que aceitaram e executaram friamente o planejado. Motivo? obscuramente pelo dinheiro da família e um tosco plano da mentora deste crime hediondo para dele tomar posse. Até hoje não me sai da lembrança a cena do crime: um quarto amplo de casal, uma tarde ensolarada, uma cama de casal onde seus pais tiravam a sesta, num segundo andar, e dormiam despreocupados, e a monstruosa 'filha' aguardando encostada à parede do corredor enquanto os dois se dedicavam a arrebentar o crânio do casal a golpes de barra de ferro. A comprovação da autoria e o plano todo foi desvendado pela polícia com a maior facilidade. O julgamento realizado condenou-os a 39 anos de prisão. O fato desta condenação de 39 anos ultrapassar o limite dos 30, abre as portas para um novo julgamento, onde a pena certamente será diminuida, coitadinhos dos tres jovens, e mais adiante as nossas leis penais facultarão, sob pretexto de primariedade (nunca mataram antes, nem planejaram matar papai e mamãe antes), aliado a um excelente comportamento na prisão, mais o fato de 1/6 da pena cumprida e a prisão seguir para o regime semi-aberto...Meu Deus! Paula e Guilherme, matadores da filha da Glória Perez cumpriram uma pena ridículamente curta e não sei porquê cargas dágua suas folhas corridas estão limpas, mais limpas e alvas que véu de noiva. E os matadores de João Hélio, arrastado preso pelo cinto de (in) segurança de um carro roubado, ou vocês também já se esqueceram deste crime? e o indio pataxó churrasqueado em Brasília por uma malta de desocupados classe média alta? e agora a Simone? e tantos e tantos crimes que se chegados ao fim dos processos, as respectivas sentenças gargalham na nossa cara com penas debochativas. Será preciso que alguém ocupando altos cargos de governo sofra na carne alguma coisa tão grave quanto estas, para que o elefante dopado da nossa justiça encontre forças para rever a legislação, eliminar benesses, enquadrar os criminosos em penas de fato duras, justas mas inflexíveis, fazendo com que os criminosos tenham o que merecem? Eu estou farto de ver, ler, ouvir, histórias de crimes muito pouco punidos ou até nem punidos, estou farto de ver grassar a impunidade de mãos dadas com a impiedade de corruptos e corruptores, vamos dar um basta nesta nojeira. Tudo o que o povo exige neste campo é SEGURANÇA para ir aos guichês pagar em paz seus escorchantes impostos de cada dia.

20 Abril 2008

Grande frase do Dr. Dráuzio Varela

A FRASE DO ANO DO MÉDICO DRÁUZIO VARELLA....... "No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas eles não se lembrarão para que servem".

24 Janeiro 2008

Para lembrar Walt Disney sempre com carinho....You Tube

http://www.almacarioca.com.br/arte070.htm

19 Janeiro 2008

A sensibilidade à flor da Rosa... You Tube

http://www.youtube.com/watch?v=gl74J-aAnfg

31 Dezembro 2007

Felix Anus Novorum ad Urbi... SRebouças 20007/08

É claro que depois de 456 vem 457, basta saber contar. Também 2007 e 2008 não fogem a esta regra. Mas não vamos estragar o anima esfusiante de um povo que ri até nas desgraças, abençado seja nesta sua índole santa!
Vamos todos rezar para que neste ano novo e ao longo dele, as injustiças, as roubalheiras, as pouca-vergonhas, as medidas que não foram tomadas, seja por descaso, incompetência, total desprezo pelos semelhantes, insensibilidade e egoismo, os enriquecimentos ilícitos e as invasões de propriedades particulares e do próprio governo, sem nenhuma repressão, os desmandos da classe política, a melhoria na qualidade do voto do brasileiro, as medidas de saúde, instrução, segurança sejam prioritárias, miraculosamente. Que de tanto dinheiro mal empregado surjam verbas para pagar melhor os funcionários públicos, há anos sem aumentos decentes.
Quimeras?... Mas vale a pena mais uma vez sonhar com um país melhor, onde o respeito entre os cidadãos impere, as coisas aconteçam dentro de regras, a repressão aos infratores das leis atinjam grandes e pequenos indistintamente.
Que o Código Penal, o Estatuto da Criança Infratora Adolescente Inimputável e os MST patrocinados por esta corja do PT sejam conduzidos ao bom senso. É o que esperamos de 2008.
Amém.

30 Dezembro 2007

Pela reforma do Código Penal SRebouças 2007

Eu até concordo com aqueles que são contra a pena de morte - afinal só Deus pode tirar o que doou...isto no conceito de gente dotada de espírito, moral, religiosidade, voltada para o bem e o respeito ao próximo.Mas seria bom que as pessoas concordassem e se manifestassem públicamente no sentido de que chegou a hora de dar-se um basta na pantomima do julgamento feito através um código penal que mais parece uma rede de pesca. Aqui no Brasil, um criminoso comprovado recebe múltiplas penas, digamos 340 anos de prisão, tal o horror dos crimes cometidos...e o máximo que ele pode cumprir é ...30 anos. Dentro destes trinta anos, ele tem uma série de recursos legais redutoras de sua pena, até que esta pena atinja o equivalente ao roubo de uma galinha caipira.
Sumiram com o conceito de crimes hediondos, ao que me parece. Até hoje não me sai da cabeça o assassinato da jovem e promissora artista Daniella Perez, morta a tesouradas, na Barra da Tijuca, pelo belo par de namorados...Paula e Guilherme, se não me falha a memória. Também João Hélio, arrastado do lado de fora de um carro durante quadras...O incêndio do índio pataxó em Brasília, e eu disse comigo mesmo: aí vem mais, pela impunidade que campeou no julgamento dos brincalhões...e veio mesmo, vários outros casos aconteceram neste Brasil. Mas já virou rotina, ninguém se escandaliza mais, é um virar de páginas e vamos às próximas atrações...Prisão máxima (já que assim a chamam de prisão perpétua) ? Perfeito: 30 anos sem qualquer tipo de redução, de amolecimento, de jeitinho, sem telefone celular, rádio, televisão, nenhum contato com outros presos, exceto na hora diária de banho de sol. Igualzinho ao que se faz nos USA, onde inclusive as penitenciárias em grande parte são privatizadas.
Cometeu um crime? Vai pagar por isto. Muito marketing junto aos jovens, de todas as faixas sociais, filmes educativos alertando que onde há lei e ordem é bom para todo o mundo. Para que tomem conhecimento de que a cobrança será um preço caro. Se andarem na linha, tudo bem. Reformar o Código Penal ultrapassado e falho será um ato de quem tem vergonha na cara. Chega de passividade, desta gente que vive imersa em mordomias. Pagas aliás com o nosso dinheiro.

Constatação SRebouças 2007

MEU DEUS, ELES ESTÃO CADA VEZ MAIS SURDOS, MAIS MUDOS E CEGOS...

Em terras inflamadas SRebouças 2007

Quantas lágrimas em terras tão secas, quantas!
Terras onde os mortos são ostentados como troféus da dor,
levados em portas, nos braços de uma multidão irada...
porquê os mortos devem ser usados como bandeiras de vingança,
qual chicotes a estalar nos corpos dos que restaram,
a lembrar-lhes alucinadamente seu dever de vingança...
porquê ali o verde da vegetação não prepondera
sobre a rotina das rajadas de metralhadoras?
Porque as pombas da paz ali valem muito menos que galinhas,
que pelo menos são comestíveis, sem escândalo geral?
Allah e Deus, se não são a mesma entidade,
precisam com urgência se fundir...
Paz para aquela pobre gente, que o petróleo desapareça de repente,
e as aves predadoras voem para outras paragens a caçar riquezas....
Mas deixem Allah e Deus cuidar daquela gente!
Eles merecem séculos de Paz.

22 Dezembro 2007

Un joyeux Natal pour todos nós...

Este site em francês que o bom colega Waldir Ribeiro me enviou, trata de corais infantis, e indica inclusive aquelas músicas natalinas mais conhecidas de todos nós; mas todas merecem ser ouvidas. Apenas aumentem um pouco o som.
Aproveito o ensejo para desejar a todos os visitantes deste blog um Natal muito feliz
e um Ano Novo que nos envergonhe menos, que nos aproxime mais do sentimento de que todos somos gente, humanos e sensíveis, que merecemos uma pequena parcela dos cuidados que as entidades protetoras dos "direitos humanos" dedicam àqueles que coitadinhos, pobres vítimas desta nossa sociedade cruel, que acorre aos guichês para pagar 37 impostos e trabalha 5 meses do ano pra sustentar os Lulas da vida e suas gastanças de novo rico-deslumbreca, ainda lhes causa esta obrigação de estuprar, sequestrar, assassinar, roubar, enfim, tudo que não fariam se nós, e não o governo, lhes dessemos todas as condições de uma vida tranquila e feliz, como se o governo não fosse pago por nós para lhes dar escola, saúde e oportunidades de progressão na vida a quem precise...
Papai Noel, por favor traga neste Natal um saco cheio de vergonha na cara, que o saco da gente furou...

13 Dezembro 2007

PORQUÊ? SRebouças 2007/DEZ

PORQUE SOMOS TÃO FORTES EM CERTOS MOMENTOS E TÃO FRACOS EM OUTROS? PORQUE JULGAMOS BEM OU MAL UMA PESSOA OU FATO SÓ PARA VOLTAR ATRÁS LOGO EM SEGUIDA... PORQUE VEMOS CINCO ARTIGOS IGUAIS NA LOJA, QUATRO SÃO AMARELOS E COMPRAMOS O AZUL? PORQUÊ O FINZINHO DO SORVETE OU DA MOUSSE É TÃO MAIS SABOROSO? PORQUÊ O SONO É MAIS GOSTOSO QUANDO TEMOS DE SAIR DA CAMA PARA UM COMPROMISSO?
PORQUÊ O TELEFONE CELULAR DÁ EM CAIXA POSTAL E V. TEM DE OUVIR UMA MENSAGEM ROBOCOP, TIPO "V. LIGOU PARA 324343389056645345"?... (EU NUNCA DEIXO MENSAGEM). PORQUÊ EU PERCO MEU TEMPO FALANDO PRAS PESSOAS E UMA MINORIA RESPONDE AOS E-MAILS? PORQUÊ EU AGUENTO EU, TU, ELE, NÓS, VÓS, ELES, SE SOMOS TODOS FARINHA DO MESMO TIPO DE SACO ESCROTAL (GRANDE VERDADE ESTA!) PORQUÊ MUITA GENTE NÃO SABE OU VAI APRENDER A NADAR, SE OS FETOS FICAM AQUELE TEMPÃO DENTRO DO LÍQUIDO PLACENTÁRIO? OS CACHORROS, INFERIORES A NÓS, NASCEM SABENDO NADAR E NÃO É SÓ CACHORRINHO.

06 Dezembro 2007

Uma grande dica para vocês se divertirem...

Coloquem em seus guardados o blog deste Batistão, um perfeito caricaturista que nada fica a dever aos de nível internacional.

23 Novembro 2007

Superação - lindo demais....

Até onde vão as nossas possibilidades de superação de deficiências físicas? Assista e guarde bem!...

20 Novembro 2007

H2O (Que dá a Vida e Agoniza...) Fernando Queiroz

H 2 O - dá vida e agoniza
Vem do ventre do solo
do suor dos oceanos
das lágrimas das nuvens...
Caprichosamente...
Vem matar nossa sede
lavar nossas almas
limpar as feridas...
Caprichosamente...
Vem alimentar toda forma de vida
Sem cor, cheiro ou sabor
Límpida em seu estado de pureza
Sem cor, cheiro ou sabor
Recurso de indizível grandeza
Farta em nosso corpo
Escassa no mundo
Farta em nosso corpo
Essencial pra todo mundo
Retorna para o seio do solo
agonizante, poluída
Desmatamento...
Aquecimento global...
Envenenamento dos rios e oceanos...
O homem em sua ingratidão
não lhe dá a importância devida
Mas nunca é tarde para
um alerta profundo
e preservar a natureza
vai de encontro ao que já dizia
o sábio Gandhi:
"Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo".

01 Novembro 2007

C.D.A - quando até as estátuas envelhecem...

"NO MAR ESTAVA ESCRITA UMA CIDADE"
E NEM PODES TE QUEIXAR DE SOLIDÃO
POIS ÉS CONTÍNUAMENTE
AFAGADO
ACARINHADO,
RECONHECIDO,
COMO DEVE SER
COM GENTE QUE SEMPRE FOI GENTE.
HÁ CERCA DE DOIS ANOS TE VISITEI
COM MINHA VELHA E SAUDOSA MÃE.
ELA, NAVEGANDO SEU ALZHEIMER,
SENTADA A TEU LADO, OLHAVA-TE FIXA
E INQUISITIVAMENTE
COMO SE ESPERASSE ALGUMAS PALAVRAS TUAS...
A SUPERFÍCIE DE BRONZE ESCURA
TRAZIA JÁ SINAIS DE MILHÕES DE CARÍCIAS,
E AS PARTES MAIS VISADAS IAM FICANDO DOURADAS...
QUE IDÉIA MARAVILHOSA
ESTA, DE TRAZER O POETA PARA JUNTO DE TODO UM POVO...
RETIREMOS OS PEDESTAIS, TRAZENDO
NOSSOS HEROIS PARA PERTO DE NÓS,
DESÇAM-NOS DOS CAVALOS,
RETIREM-SE ESTAS GRADES
PARA UM MAIOR CALOR HUMANO SE MOSTRAR...
AFINAL TODOS OS NOSSOS HEROIS
DA PAZ OU DA GUERRA
ESTÃO MORTOS E ENTERRADOS!...

18 Outubro 2007

Pedra-Pomes, apenas SRebouças

O HOMEM FOI LONGE, BEM LONGE
PARA APANHAR PEDRA-POMES
ARNO,WALITA, ELETROLUX
JÁ SE ASSANHAM EMPÓS
A POEIRA LUNAR...
OS COBAIOS JÁ SE APRESTAM A ASPIRAR O ANSIADO
ATCHIM SIDERAL.
"A TERRA É AZUL" PROCLAMOU GAGARIN
E EU ME LEMBREI DE UM PROFESSOR DE FÍSICA
QUE DIZIA SEREM AS CORES
UMA TOTAL ILUSÃO DE ÓTICA...
O HOMEM FOI LONGE, BEM LONGE
PARA BUSCAR ILUSÕES.
AS NOVELAS E OS BANGUE-BANGUES TÊM AGORA UM RIVAL:
A LUA, NARRADA POR LOCUTORES DE AR DOUTORAL.
OS MARINERS 6 E 7 CAMINHAM PARA MARTE,
OS HOMENS CAMINHAM PARA O SONHO
FUGINDO DAS PRÓPRIAS CHAGAS.
AS ESTRADAS QUE NOS LEVAM AO INTERIOR DE NOSSAS ALMAS
ESTÃO BLOQUEADAS, RESSEQUIDAS,
NOSSO PLANETA VAI SUPERAQUECENDO
E A CALOTA POLAR DESCONGELANDO...
MAS A AVENTURA ESPACIAL CONDUZ-NOS
AO ESQUECIMENTO, AO AQUECIMENTO,
INSENSÍVELMENTE
PAULATINAMENTE
IRRESPONSÁVELMENTE
O HOMEM FOI LONGE, BEM LONGE
PARA BUSCAR ESQUECIMENTO
ESQUECIMENTO, ILUSÕES E PEDRA-POMES.

Cegueira que segue SRebouças

EU QUISERA SER SEIS, SER MAIS,
UM TROUXA
UM INGÊNUO
UM CONFLAGRADO
UM CICATRIZADO
UM NÃO MAIS EXPECTANTE
UM MEDO A MENOS
MAS EU PRECISARIA
SER MAIS DE SEIS,
TALVEZ BILHÕES DE SERES
- MOLÉCULAS?
COM MUITOS DEDOS OU ECTOPLASMAS
PARA SEGURAR FIRME
AQUILO QUE TALVEZ NÃO VALESSE A PENA
SER SUSTENTADO...
SEGUES, SEGUES, SEGUES
E EU CEGO, CEGO, CEGO.
CADA VEZ MAIS SÓ EU SIGO
E NEM MAIS CONSIGO
VER ATRAVÉS DAS SOMBRAS
DESTA MINHA CEGUEIRA.

17 Outubro 2007

Poema em Do ido SRebouças

TROMBETA
CARRAPETA
GALHETA
CHUPETA
TERNEIRO GARRAFEIRO GRAXEIRO MILONGUEIRO
MALASSADO
ANGUSTIADO ESPEVITADO SEU MALVADO
PORQUE TROMBETA GIRA CARRAPETA ENTORNA A GALHETA PÕE AÇÚCAR NA CHUPETA
SACRIFICA O TERNEIRO ESCUTA A VOZ: GARRAFEIRO! CONSERTA A RODA NO GRAXEIRO MECÂNICO MILONGUEIRO
DEVORA O MALASSADO NÃO TEM OSSO, ANGUSTIADO! DEIXA DE SER ESPEVITADO TIRA O PÉ SEU MALVADO
TROMBETA NA GALHETA CARRAPETA NA CHUPETA TERNEIRO SEM GRAXEIRO GARRAFEIRO MILONGUEIRO
MALASSADO ESPEVITADO
ANGUSTIADO, MALVADO
EU PRECISO DE UMA RIMA RÍMMEL NÃO, SUA LESMA!
ALGO QUE FIQUE EM CIMA
ATÉ CHEGAR A QUARESMA.

09 Outubro 2007

Eles também são herois da vida... SRebouças

Gay de 71 anos alimenta seu companheiro, 76, vítima de Alzheimer.
Achei esta foto dentro de uma reportagem sobre a situação dos gays e lésbicas nos asilos britanicos...
falava da situação de desamparo e discriminação de muitos deles por parte de heteros que são seus companheiros de convívio e de infortúnios; sim, porquê linguagem poética à parte, o embranquecer dos cabelos e o inverno da nossa existência podem ser muito bonitos na literatura. Porquê a velhice É uma merda. E o que mais nos admira é ficar sabendo que em asilos, onde toda a série de desgraças que podem acontecer a um ser humano em que pesem os esforços de muita gente abnegada, se verificam, uma parte desta gente idosa mantem seus vícios de origem, suas posições discriminatórias, restos de gente que são, a julgar o quê, e porquê?...Seremos todos apenas pedra-pomes dentro de caixões, minha gente...

04 Outubro 2007

E AGORA JOSÉ? (C.D.A pra gente culta)

Ioseph

Et quid nunc, Ioseph? Festum est finitum, lumen est exstinctum, cuncta evanuit turba, nox est frigefacta, et quid nunc, Ioseph? et quid nunc, et tu? Qui nomen non habes, qui alios derides, qui versus componis, qui amas, reclamas? et quid nunc, Ioseph?Femina non tibi verbum neque tibi nec blanditiae tibi, bibere non vales, fumum nec spirare, nec sputare quidem, nox est frigefacta, dies tuus non venit, currus tuus non venit, risus tuus non venit, utopia non venit, omnia et sunt finita, omnia et vanuere omnia et mucuere,et quid nunc, Ioseph?Et quid nunc, Ioseph?tuus sermo dulcis,tuae febris hora,tua gula et ieiunium,tua bibliotheca,tua auri fodina,tua vestis vitrea,tua contradictio,tuum odium — et quid nunc?Clavi manu arrepta, vis ut pateat ianua, non est tamen ianua; vis in mari mori mare est tamen siccum;vis in Minas ire,Minas non est amplius. Ioseph, et quid nunc?Tu si vocitares, tu si gemeres, tu si personares Vindobonae melos, tu si obdormires, tu si fessus fieres, tu si mortem obires... Sed non moreris,tu es durus, Ioseph!Solus in caliginevelut bellua in silva,sine theogonia,nudo sine murotete cui fulcires,sine equo nigroqui quam citior fugiat,tu incedis, Ioseph!Ioseph, quonam gentium? Não conseguiu...caraca, ainda não aprendeu latim? Então aí vai a tradução: José
E agora, José?A festa acabou,a luz apagou,o povo sumiu,a noite esfriou,e agora, José?e agora, Você?Você que é sem nome,que zomba dos outros,Você que faz versos,que ama, protesta?e agora, José?Está sem mulher,está sem discurso,está sem carinho,já não pode beber,já não pode fumar,cuspir já não pode,a noite esfriou,o dia não veio,o bonde não veio,o riso não veio,não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou,e agora, José?E agora, José?sua doce palavra,seu instante de febre,sua gula e jejum,sua biblioteca,sua lavra de ouro,seu terno de vidro,sua incoerência,seu ódio, - e agora?Com a chave na mão quer abrir a porta,não existe porta;quer morrer no mar,mas o mar secou;quer ir para Minas,Minas não há mais.José, e agora?Se você gritasse,se você gemesse,se você tocasse a valsa vienense,se você dormisse,se você cansasse,se você morresse....Mas você não morre,você é duro, José!Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,sem teogonia,sem parede nua para se encostar,sem cavalo preto que fuja a galope,você marcha, José! José, para onde?

30 Setembro 2007

Boneca sueca...uma solução ou problema?

BONECA SUECA: CONCORRÊNCIA DESLEAL? De origem sueca e feita de silicone... em tamanhos que variam de 1.50 a 1.75 m. A textura da pele detém aproximadamente 99,8% de semelhança com a pele humana; durabilidade de 2 anos sob regime de uso constante e diário; é completamente regulável, basta "colocar-lhe" na posição adequada e ela se acomoda. Tem 100 sensores espalhados pelo corpo, 30 apenas na zonas erógenas. Cada um dos sensores faz com que ela se movimente levemente de alguma forma, podem existir 20 combinações concomitantes. Ao ser penetrada, emite um som leve e macio que ecoa generosamente nos nossos ouvidos. Vem com sonorização embutida na garganta e reconhece até 16 comandos (Português está incluído) "extremamente personalizados" (máximo a 2,0m de distância dos seus "ouvidos"). Quando existe algum tipo de pulsação dentro das suas zonas erógenas, emite leves gemidos de estimulos. Além de tudo isso, "fica úmida" com facilidade... basta uma leve "mãozinha boba" passando sobre qualquer dos seus sensores. E o mais importante, tem "senha de uso". Vem uma instrução na caixa sugerindo guardar a senha muito bem guardada. Suas principais características: - 3 entradas operacionais (vagina, ânus e boca); - possibilidade de trocar a cabeça (para variar um pouco) - pode-se escolher a altura e o peso (7 tamanhos disponíveis) - as medidas (quadril-peito), cor da pele, dos olhos e cabelo ou dos pelos púbis (que podem ser até raspados), o tamanho da unhas e até a cor do baton, podem ser alterados. É só vantagens... NÃO É ELÉTRICA (o que é um alívio. Já pensou se na hora H entra em curto?) Não fala; Não fica menstruada; Não engravida; Não vê novela, nem se incomoda se estamos a ver futebol na TV; Não compra roupas nem sapatos; Não tem mãe (ISSO É MUITO IMPORTANTE); Não vai ao salão de beleza; Não tem dor de cabeça; Não nos acompanha na cervejada com os amigos; Não engorda nem envelhece etc... Repassando... O único inconveniente é que custa cerca R$ 14.000,00, mas não cobra pensão alimentícia...

23 Setembro 2007

V. aproveita a vida?... (desconheço autor)

Você aproveita a vida? É muito comum ouvir as pessoas, e principalmente os jovens, dizendo que querem aproveitar a vida. E isso geralmente é usado como desculpa para eximir-se de assumir responsabilidades. Mas, afinal de contas, o que é aproveitar a vida? Para uns é matar-se aos poucos com as comilanças, bebidas alcoólicas, fumo e outras drogas. Para outros é arriscar a vida em esportes perigosos, noitadas de orgias, consumir-se nos prazeres carnais. Talvez isso se dê porque muitos de nós não sabemos porque estamos na Terra. E por essa razão desperdiçamos a vida em vez de aproveitá-la. Certo dia, um jovem que trabalhava em uma repartição pública na companhia de outros colegas que costumavam reunir-se todos os finais de expediente para beber e fumar à vontade, foi convidado a acompanhá-los. Ele agradeceu e disse que não bebia e que também não lhe agradava a fumaça do cigarro. Os demais riram dele e lhe perguntaram, com ironia, se a religião não lhe permitia, ao que ele respondeu: “a minha inteligência é que me impede de fazer isso". E que inteligência é essa que não lhe permite aproveitar a vida? Perguntaram os colegas. O rapaz respondeu com serenidade: "e vocês acham que eu gastaria o dinheiro que ganho para me envenenar? Vocês se consideram muito espertos, mas estão pagando para estragar a própria saúde e encurtar a vida, que para mim é preciosa demais. Observando as coisas sob esse ponto de vista, poderemos considerar que aproveitar a vida é dar-lhe o devido valor. É investir os minutos preciosos que Deus nos concede em atividades úteis e engrandecedoras. Quando dedicamos as nossas horas na convivência salutar com os familiares, estamos bem aproveitando a vida. Quando fazemos exercícios, nos distraímos no lazer, na descontração saudável, estamos dando valor à vida. Quando estudamos, trabalhamos, passeamos, sem nos intoxicar com drogas e excessos de toda ordem, estamos aproveitando de forma inteligente as nossas existências. Quando realmente gostamos de alguma coisa, fazemos esforços para preservá-la. Assim também é com relação à vida. E não nos iludamos de que a estaremos aproveitando acabando com ela. Se você é partidário dessa idéia, vale a pena repensar com seriedade em que consiste o aproveitamento da vida. E se você acha que os vícios lhe pouparão a existência, visite alguém que está se despedindo dela graças a um câncer de pulmão, provocado pelo cigarro. Converse com quem entrega as forças físicas a uma cirrose hepática causada pelos alcoólicos. Ouça um guloso inveterado que se encontra no cárcere da dor por causa dos exageros na alimentação. Visite um infeliz que perdeu a liberdade e a saúde para as drogas que lhe consomem lentamente. Observando a vida através desse prisma, talvez você mude o seu conceito sobre "aproveitar a vida".
A vida é um poema de beleza cujos versos são constituídos de propostas de luz escritas na partitura da natureza, que lhe exalta a presença em toda parte. Por conseqüência, a oportunidade da existência física constitui um quadro à parte de encantamento e conquistas, mediante cuja aprendizagem o espírito se embeleza e alcança os altos planos da realidade feliz.

22 Setembro 2007

Penitência de boemio SRebouças 1985

PUDESSE EU CONTEMPLAR-TE HOJE
COM OS MESMOS OLHOS
QUE ACOMPANHARAM UM DIA
A TUA LENTA CAMINHADA EMPÓS O ALTAR...
MAS ESTES OLHOS, ESPELHOS DA MENTE MALTRATADA,
POR DÚVIDAS CRUEIS QUE ME PERSEGUEM
AO VER-TE DIVIDEM, COM ESPANTO
EM TRES A IMAGEM QUE É REAL:
A PRIMEIRA, A MÃE DE MEUS FILHOS
DOCE, SUBLIME, SANTA IMAGEM QUE VENERO;
A SEGUNDA, ENRAIZADA NO PASSADO,
TRAZ-ME A JUVENTUDE, A BELEZA E A GRAÇA
QUE ME DESTE E CONHECI
NO TÁLAMO NUPCIAL...
MAS A TERCEIRA - PERDOA-ME, É CRUEL,
POIS REVELA AOS MEUS OLHOS ENTRISTECIDOS
O LONGO CAMINHO QUE A MEU LADO PERCORRESTE.
SE OS SORRISOS E VENTURAS CRISTALIZARAM-SE EM TEU ESPÍRITO,
O CANSAÇO DA LUTA, OS DESENCANTOS, NO TEU CORPO CICATRIZARAM:
EM VÃO HEI BUSCADO A JUVENTUDE DE ESTRANHAS
E ESQUIVAS CRIATURAS
NAS QUAIS SUPUZ ENCONTRAR
O FRESCOR DE TUAS PÉTALAS CAÍDAS...
EM VÃO BUSQUEI, EM VÃO, INSTANTES DE PAZ
NOS CEGOS MOMENTOS EM QUE LONGE TE DEIXEI...
MAS AOS POUCOS, FARTO DE BOEMIA E SOLIDÃO
VOU COMPREENDENDO A DURA E CRUA REALIDADE:
SE ENVELHECESTE, ENVELHECI CONTIGO
E A TI, QUE ME DESTE OS NOSSOS FILHOS
DEVOLVO, INTEIRO, MEU
VERDADEIRO E IMORREDOURO AMOR!
POIS SE A MOCIDADE AOS POUCOS NOS ABANDONA,
SE A CARNE SE DESGASTA COMO A FLOR QUE MURCHA
PERSISTE INALTERADA A ENERGIA QUE NOS IMPELE
UNIDOS, PELA ETERNIDADE MESMO,
ACIMA DE DUAS SEPULTURAS....

Vai...e volta... SRebouças 1981

EU TE VEJO PARTIR COM AS MÃOS EM FESTA
DISFARÇANDO O GELO NO CORAÇÃO
DESCULPA ESTE SORRISO
QUE NÃO DECOLOU A TEMPO,
NÃO HÁ MAIS TEMPO, NÃO HÁ MAIS CHÃO...
DESCULPA ESTE ABRAÇO QUE NOSSOS BRAÇOS
NÃO PUDERAM ARMAR.
DESCULPA NOSSAS LEMBRANÇAS
EM QUE NOSSOS TRAÇOS
NOS FUNDIAM NUMA SÓ CRIANÇA...
DESCULPA ESTA CONFUSÃO DE GESTOS CONTIDOS,
COM ROMPANTES LARGADOS
E CREIA, EU CREIO, OU CREIO QUE CREIO
SÃO TIQUES SOFRIDOS DE DOIS CORAÇÕES
QUE NÃO SENDO EMBORA
DE METAL OU VIDRO
SE TRANSMITEM, A MEDO,
SUSSURROS ENVERGONHADOS
SEM SEREM ENTENDIDOS
OU SE OUVIDOS, ABAFADOS.

20 Setembro 2007

Vontade SRebouças 1967

VONTADE DE ESPERAR, SEM VONTADE DE FICAR
VONTADE DE CHORAR,
SEM VONTADE DE EXPLICAR
LAMENTO TRISTE DE UMA AUSÊNCIA,
NA VIGÊNCIA
DE UM SENTIMENTO PRESTES A DEFINIR-SE...
UMA VONTADE DE PARTIR, TALVEZ FUGINDO,
LOGO VOLTANDO
UMA VONTADE DE SORRIR, TALVEZ SURGINDO,
LOGO CESSANDO,
LAMENTO TRISTE DE UMA SAUDADE
NA VONTADE DE UM SENTIMENTO
PRESTES A DEFINIR-SE.
VONTADE DE ABRAÇAR
SEM VONTADE DE LARGAR,
VONTADE DE BEIJAR,
SEM VONTADE DE PARAR,
UMA VONTADE DE FALAR,
TALVEZ GRITAR, LOGO CALANDO,
UMA VONTADE DE MAGOAR,
TALVEZ BRIGAR, LOGO CESSANDO.
VONTADE DE ESPERAR, SEM SABER EXPLICAR
ESTA VONTADE IMENSA DE FICAR E CHORAR!...

Imagem ao sempre espelho SRebouças 1967

EU VI EM MEUS OLHOS
DOIS ABISMOS PROFUNDOS
DE SOFRIMENTO, ERAM DUAS LAGOAS
DE ESTAGNADA CONSTERNAÇÃO:
E NELAS ADIVINHAVA-SE, NO FUNDO,
BEM LÁ NO FUNDO,
GRAÇAS AO ESPELHO SINCERO,
QUAL O LEVE TREMULAR
DA CHAMA DE UMA VELA,
PROTEGIDA DA BRISA, POUSADA
NO SILÊNCIO E NA ESCURIDÃO
O BRILHO INTENSAMENTE TRISTE
DESTE MEU TODO DESENCANTO,
DESTA MINHA TODA DESILUSÃO...

Silêncio SRebouças 1965

NÃO, NÃO PROCURES DESCOBRIR
O QUE ME ATORMENTA, ACASO
UMA LÁGRIMA FURTIVA SURPREENDERES...
POR FAVOR, DISFARÇA COMIGO!
EU TE OCULTAREI MEUS SENTIMENTOS
MAIS VERDADEIROS - PERDOA!,
QUAL GEMA PRECIOSA
A QUEM PODES ADMIRAR-LHE O BRILHO,
APRECIAR-LHE A LAPIDAÇÃO
MAS NÃO PODES PENETRAR-LHE O ÂMAGO;
SE ACASO O CONSEGUISSES, SERIA O PREÇO
DESTE SEGREDO O PRÓPRIO ESFACELO
DE QUANTO EM MIM ADMIRAS...
E UM DIA, SE ACASO PENSASSES
RECOMPOR ESTA GEMA
NÃO TERIA ELA MAIS O VALOR DE OUTRORA,
SERIA UMA RECOMPOSIÇÃO DE LÁGRIMAS,
DE RECORDAÇÕES MORTAS,
TRISTE IMAGEM DE TUDO QUE SE FOI!...

O AMOR E A ROSA SRebouças 1964

UMA ROSA NÃO É UMA ROSA
SE NÃO TIVER ESPINHOS.
NÃO PENSES EVITAR ESPINHOS
SE PROCURAS UMA ROSA...
O AMOR É COMO A ROSA,
É FALSO, SE NÃO TIVER ESPINHOS,
DESCONFIA, POIS, DO AMOR COMO DA ROSA
SE NÃO TE MAGOAREM SEUS ESPINHOS.
SÃO ELES, OS ESPINHOS, QUE DEFENDEM A ROSA,
PORISSO A ROSA TEM DE TER ESPINHOS.
ÀS MÃOS DE QUALQUER SER É FÁCIL A ROSA,
QUE NÃO TEM A DEFESA DE SEUS ESPINHOS...
ÀS MÃOS DE QUALQUER SER É FÁCIL O AMOR
QUE NÃO TEM A PROTEÇÃO DE SEUS ESPINHOS.
A ROSA FACILMENTE ARRANCADA
AO JARDIM DA VIDA
SEM ESPINHOS QUE A DEFENDAM, É LOGO DESDENHADA, ESQUECIDA,
PERDE AS CORES E O AROMA, LOGO VAI MORRER...
O AMOR É COMO A ROSA, FRÁGIL
SE NÃO TIVER ESPINHOS
POIS DELES NECESSITAM, O AMOR E A ROSA
PARA SE MANTER...
PORÉM SE ENCONTRARES ESPINHOS
ALEGRA-TE! ENCONTRASTE O VERDADEIRO AMOR
A VERDADEIRA ROSA!...

Ciclo single SRebouças 1967

SAUDADE
QUERENÇA
DESEJO
PROCURA
ENCONTRO
MEANDROS
CONTATO
HIGIENE
REPOUSO
ENFADO
AUSÊNCIA
SILÊNCIO
SEPARAÇÃO
AMANHÃ
NOVAMENTE
SAUDADE...

Aspiração SRebouças 1964

QUISERA TUA PAZ DE ESPÍRITO
NASCIDA DA CONVIVÊNCIA AMIGA,
DA COMPREENSÃO MÚTUA,
DA INTIMIDADE ANTIGA E LEAL;
QUISERA A TUA PAZ DE ESPÍRITO,
FILHA DA RAZÃO E DO SENTIMENTO,
DA GENEROSIDADE E DA GRATIDÃO,
PARA INTEGRAR DOIS SERES QUE SE QUEREM MUITO...
MAS, NÃO PODENDO AINDA DESFRUTAR
DO QUE A TANTOS JÁ FOI DADO,
POSSA EU AO MENOS ESTAR CONTIGO,
À SOMBRA DESTAS ÁRVORES FRONDOSAS,
EM CUJAS COPAS CHILREIAM
DESPREOCUPADOS PÁSSAROS,
OFERECENDO-NOS
CÂNTICOS DE AMOR.

19 Setembro 2007

Imagem e anti-imagem SRebouças 1966

EIS-ME PARADO NO TEMPO E NO ESPAÇO:
PARALISARAM-SE AS BOCAS,
PARALISARAM-SE OS GESTOS,
PARALISARAM-SE OS OLHARES,
MAS EIS QUE DA SOMBRA DA MASSA
INDISTINTO A PRINCÍPIO, MAS LOGO CRESCENDO,
VEM UM ESBOÇO SURGINDO:
TRAZ GOTAS DE ORVALHO NAS FOLHAS DO VENTRE,
TEM ARES DE ORGULHO NO PORTE REAL.
O OLHAR ILUMINA E EMPÓS ELE EU DESÇO
ÀS ORIGENS DE UM ESCRAVO BANAL.
PROMESSAS DE RISO NA BOCA CERRADA,
PROMESSAS DE CARÍCIAS NAS MÃOS SEM GESTOS,
PROMESSAS, SOMENTE, NOS OLHARES DE QUEM
JÁ ME PARECE VER...
MAS EIS QUE VISLUMBRO TERRÍVEL ESPECTRO,
E DA SOMBRA DA MASSA
INDISTINTO A PRINCÍPIO, MAS LOGO CRESCENDO,
VEM OUTRO ESBOÇO SURGINDO:
TRAZ CADEIAS PESADAS NOS PÉS SECULARES,
TEM ARES DE PRANTO QUE TENTA OCULTAR.
OS CABELOS SÃO FARTOS, RECHEADOS DE ESPINHOS,
E A BOCA NOS MOSTRA UM RICTUS ALVAR.
NÃO FALA: SÓ LHE OUÇO GEMIDOS,
TÃO TRISTES QUE SÃO QUE SÓ FAÇO TREMER.
E AS GOTAS DE ORVALHO,
E OS ARES DE ORGULHO,
DERRETIDAS UMAS,
DESTERRADOS OUTROS,
AOS MEUS OLHOS TRISTONHOS SUMIRAM...
E EIS QUE DE NOVO EU SINTO,
ESTOU PARADO NO TEMPO E NO ESPAÇO,
CALARAM-SE AS BOCAS,
PARALISARAM-SE OS GESTOS,
FIXARAM-SE OS OLHARES DA MASSA.

14 Setembro 2007

Sábias palavras (Clara Ferreira Alves)

Você sabe que está chegando à meia-idade quando tudo dói e o que não dói não funciona. A gente chega à meia-idade quando fazer amor nos transforma num animal selvagem: uma preguiça... Meia-idade é quando sua idade começa a aparecer na cintura.Na meia-idade você ainda sente vontade, mas não lembra exatamente do quê. Meia-idade é quando você sente vontade de se exercitar e deita para esperar passar. Meia-idade é quando seu médico lhe recomenda exercício ao ar-livre e você pega carro e sai guiando com a janela aberta. Na meia-idade, jantares à luz de velas não são mais românticos porque não se consegue ler o cardápio. Meia-idade é quando um cara começa a apagar as luzes por economia, e não para criar um clima com você. Meia-idade é quando, em vez de pentear os cabelos, você começa a "arrumar" os que sobram.Infância: época da vida em que fazemos caretas para o espelho. Meia-idade: a época da vida em que o espelho se vinga. Há três períodos na vida: infância, juventude e "você está com uma aparência esplêndida". Está na meia-idade? Ânimo! O pior ainda está por vir!Você sabe que está na meia-idade quando tudo aquilo que a Mãe Natureza te deu o Pai Tempo começa levar embora. Meia-idade é quando paramos de criticar a geração mais velha e começamos a criticar a mais nova. Meia-idade é quando sabemos todas as respostas e ninguém nos pergunta nada. Meia-idade é quando se alguém dá em cima de você no cinema é porque está atrás da pipoca.Meia-idade: primeiro começa a esquecer os nomes, depois os rostos, depois de fechar o zíper. "Não há cura para o nascer e o morrer, a não ser saborear o intervalo".

Trate seus filhos com muito carinho, afinal eles é que escolherão o seu asilo. (A.D.)

05 Setembro 2007

Amantes SRebouças 1967

ENTRE QUATRO PAREDES
E DOIS SERES QUE SE AMAM,
HÁ TODO UM MISTÉRIO DENSO
QUE TORNA AS NOVELAS DOS GRANDES MESTRES
EM HISTÓRIAS DA CAROCHINHA...
HÁ TENSÃO NOS CORPOS QUE SE ENCONTRAM
HÁ DÚVIDAS NOS DEDOS QUE SE TOCAM,
HÁ EMOÇÃO NOS LÁBIOS QUE SE BEIJAM,
HÁ PAIXÃO, HÁ TERNURA, HÁ ILUSÃO,
HÁ CIÚME NAS PALAVRAS ENTRECORTADAS
TALVEZ LOGO SUFOCADO
PELO BEIJO REPARADOR....
HÁ ENERGIAS QUE SE GASTAM
NAS TÁTICAS PREPARATÓRIAS
DO MOMENTO APICAL,
HÁ TODO UM ENREDO DE PALAVRAS MURMURADAS,
DE SILÊNCIO AQUI E ALI SALPICADO
QUE TORNA AS NOVELAS DOS GRANDES MESTRES
EM HISTÓRIAS DA CAROCHINHA...

Lamento breve para um breve amor SRebouças 1965

DE MIM ESTAVAS TÃO PERTO,
E EU TE CUIDAVA TÃO LONGE...
HOJE DE TI ESTOU TÃO LONGE,
EU QUE TE SINTO TÃO PERTO!

Réquiem SRebouças 1967

QUE VENHA O SONO,
QUE ENTORPECE AS MÁGOAS,
QUE AFASTA AS TRISTEZAS,
QUE DILUI A MELANCOLIA,
EM CAMADAS DE ESCURIDÃO.
QUE VENHA O SONO,
QUE ADIA O SOFRIMENTO,
QUE CONSOLA A SOLIDÃO,
QUE NOS TRAZ ENFIM A PAZ,
A CURTO PRAZO, NA ESCURIDÃO.
BENDITO SONO, TRÉGUA DA MEMÓRIA,
ARMISTÍCIO DE SAUDADES,
BÁLSAMO PARA TODOS AQUELES
QUE, COMO EU,
VIVEM IMERSOS EM CAMADAS
DE ESCURIDÃO....

Caminhos de dois SRebouças 1965

NO QUARTO ENVOLTO EM PENUMBRA
DE UM ESTRANHO AMBIENTE,
NASCEU ESTE AMOR - LEMBRAS?....
NO TETO DÉBIL E AZULADA CLARIDADE,
ENVOLTA PELA CONTÍNUA ESPIRAL DE FUMO
DE TANTOS CIGARROS.
SINFONIA DE BEIJOS LENTAMENTE EXECUTADA,
MINUETO DELICADO DE DELICADOS PASSES,
TOQUE VIBRANTE DE CORDAS INVISÍVEIS,
NO ACOMPANHAMENTO DE UMA
ORQUESTRA DE SILÊNCIOS.
EM MIL VOLTEIOS, NA VOLÚPIA DO DESEJO,
DOLOROSO, ANSIADO, ARFANTE, CORRESPONDIDO,
NASCEU ESTE AMOR:
E AGORA EU SEI
QUE NUM QUARTO ENVOLTO EM PENUMBRA
AO LONGO DE TANTAS HORAS IGNORADAS,
DOIS SERES PERDIDOS ACHARAM UM DEOMINADOR COMUM,
ENTRE OS CAMINHOS E DESCAMINHOS
DE CADA UM,
E FIZERAM DESTES CAMINHOS
O SEU CAMINHO
DE SILENCIOSAS INTENÇÕES...

Vivo mergulhado... SRebouças 1965

VIVO MERGULHADO NOS SILÊNCIOS QUE CRIASTE
À ESPERA DE UM CHAMADO TEU QUE NÃO VEM.
ESPREITO SEMPRE O TELEFONE QUE NÃO TOCA,
RECORDO TUA BOCA, QUE NÃO ME FALA,
E MINHAS MÃOS NÃO TÊM AS TUAS, QUE PERDI.
O TEU SORRISO, O TEU OLHAR, EU SEI, ERAM MEUS,
E TEU CORPO, ORA TÃO LONGE, ERA O CALOR
QUE HOJE JÁ NÃO TENHO...
MEU CORAÇÃO JÁ NÃO BATE, PENSANDO QUE VOLTASTE.
VIVO MERGULHADO NOS SILÊNCIOS QUE CRIASTE
À ESPERA DE UM CHAMADO TEU
QUE NÃO VEM.

Velhice SRebouças 1965

A ÁRVORE, TESA E MUDA AO PÉ DA ESTRADA,
BATIDA DOS VENTOS, ACARICIADA DO SOL,
COMPANHEIRA DISTANTE DAS NUVENS NO CÉU,
FUGAZ HOSPEDEIRA DOS PÁSSAROS NO AMOR,
OS BRAÇOS CRISPADOS ELEVADOS A MEIO,
OS PÉS AGARRANDO A SEIVA DO SOLO,
A CABELEIRA VERDE AOS VENTOS JOGADA,
INDIFERENTE, ESTÁTICA, DESDENHOSA PARECE!
E NO ENTANTO, SABEI, A ÁRVORE É HUMANA,
VIVE E RESPIRA COMO TODOS NÓS:
NASCE TÃO FRÁGIL, COM O TEMPO ENCORPA,
E O TRONCO ORGULHOSO PARECE TENTAR
LEVAR A CABEÇA JUNTINHO DO CÉU...
MAS, AO LONGO DO TEMPO, INIMIGO INCLEMENTE,
O CORPO, COITADO, SE PÕE A CURVAR;
E AS RUGAS QUE SURGEM, AS FOLHAS QUE CAEM,
SÃO TRISTES PRENÚNCIOS DE SEU TRISTE FIM:
AS GARRAS EMERGEM DO FUNDO DA TERRA,
E A ÁRVORE QUEDA, TESA E MUDA AO PÉ DA ESTRADA,
ABANDONADA, ESQUECIDA, BATIDA DOS VENTOS,
ÁRVORE SÓ, ÁRVORE MORTA.

04 Setembro 2007

Evocação SRebouças 1967

ANOITECE
E A AUSÊNCIA DA LUZ SE DÁ
PAULATINAMENTE
DISSIMULADAMENTE
INEXORÁVELMENTE
IMPIEDOSAMENTE.
A AUSÊNCIA DA LUZ
A NADA CONDUZ, NA SUA CHEGANÇA,
SENÃO À LEMBRANÇA
QUE AINDA RELUZ
E DANÇA TEIMOSA
E POUSA MANHOSA
E CHEGA DENGOSA
E PARTE MALDOSA
EM CRUEL VAI-E-VEM...
ANOITECE
E A AUSÊNCIA DE TI VEM A MIM
LENTAMENTE
NESTA CHEGANÇA
TEIMOSA, MANHOSA, DENGOSA, MALDOSA
E QUE A NADA CONDUZ
EM CRUEL VAI-E-VEM.

Os Meus Duendes SRebouças 1984

NA PALMA DAS MÃOS O SÔPRO -
UM BRUXULEIO AO LONGE AVISTO:
ENTRE VEGETAÇÃO E BRUMA
PEQUENOS DUENDES BRINCAM
AO SOM DO TIQUETAQUEAR
DO MEU CORAÇÃO...
A LUZ QUE ÀS VEZES JULGO DIVISAR
SEGUE OUTROS CAMINHOS, RUMOS
IGUALMENTE ILUSÓRIOS, INDEFINIDOS,
PASSA POR MIM, A SORRIR ACENA-ME,
E IDENTIFICO, ENTRE AS PALMAS DAS MÃOS,
AQUELES PEQUENOS DUENDES A SORRIR:
E ORA UM DUENDE SE APROXIMA,
A TIQUETAQUEAR-ME,
ORA UM DUENDE SE AFASTA, A DEBOCHAR-ME,
E SE PERDE AO LONGE, EM MAIS UM
BRUXULEIO DE VONTADE INTERROMPIDA.
NA PALMA DAS MÃOS A RECORDAÇÃO EU SOPRO
ESQUENTO-A JUNTO AO CORAÇÃO - MAS AO COPO
CABE O ÚLTIMO CONSÔLO, A ÚLTIMA IMAGEM,
QUE EU NÃO QUISERA VER
ASSIM TÃO DENEGRIDA...
POBRE BOÊMIO DE VIDA INDEFINIDA,
NA BUSCA ILUSÓRIA DOS DUENDES A ACENAR,
SEM QUERER CONFESSAR PARA O PRÓPRIO CORAÇÃO
A TRISTE EXISTÊNCIA CONTURBADA E PRESA
NA PALMA DAS MÃOS, EM BRUXULEIOS DE ALVÍSSARAS!
POIS A VERDADE DESMASCARADA E FATÍDICA É -
PEQUENOS DUENDES BRINCAM NO JARDIM,
AO SOM DO TIQUETAQUEAR DO MEU CORAÇÃO...

Poesia e Pintura SRebouças 1967

POESIA É RETRATO FIEL, SEM ARTIFÍCIOS,
PINTADO COM AS TINTAS DO SENTIMENTO,
E - REPARA! - SUAS CORES
MAIS FORTES E VIBRANTES
SÃO CONSEGUIDAS COM MAIS JUSTEZA
SE TEMPERADAS COM AS LÁGRIMAS DO PINTOR...
POIS SE O POETA CHORA, AS LÁGRIMAS
SÃO SEUS VERSOS.
O POETA CANTA OS SENTIMENTOS,
AS ESPERANÇAS, AS FRUSTRAÇÕES,
OS AMORES PERDIDOS E OS QUE SE HÃO DE PERDER...
CANTA A SAUDADE, A INCOMPREENSÃO,
A INQUIETAÇÃO, A MALDADE HUMANA,
OS SONHOS PERDIDOS E OS QUE SE HÃO DE PERDER...
POESIA É RETRATO FIEL, SEM ARTIFÍCIOS,
EM GERAL CARREGADO NAS TINTAS DO SOFRIMENTO:
POIS SE O POETA CHORA, AS LÁGRIMAS SÃO OS SEUS VERSOS.
MAS, LEMBRA-TE! SE ENCONTRARES MATIZES MAIS ALEGRES,
TRAMAS DE FANTASIA E JÚBILO,
FERE ESTA TELA COM A UNHA, EXAMINA COM MAIS VAGAR,
E CERTAMENTE ENCONTRARÁS
UM RANÇO DE TRISTEZA, DE MELANCOLIA!

03 Setembro 2007

Auto-Retrato SRebouças 1966

EU SOU FEITO DE RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA
ENLAÇADAS EM ESPERANÇAS, ENRAIZADAS NO FUTURO:
EU SOU AQUELE QUE GOSTARIA DE TER SIDO NO FUTURO
MAS NÃO SEI SE CONSEGUIREI O QUE ME TRACEI NA INFÃNCIA.
EU SOU O QUE SOU E NISTO ME MANTENHO,
PODENDO SER MAIS;
EU TENHO O QUE SEMPRE TIVE
SEM NEM MESMO SABER,
E PORQUÊ EU TENHO E ME TÊM A MIM, E TÊM DEMAIS,
MERCÊ DO CORPO QUE CLAMA,
VOU VIVENDO DESTA CHAMA ATÉ MORRER.
AS ANGÚSTIAS QUE TRAGO, TANTAS VEZES AMPLIADAS,
FAZEM-ME VIVER HORAS AMARGURADAS
POIS ESTOU SEMPRE, NAS COISAS E NAS PESSOAS
A BUSCAR-LHES CONTEÚDO...
EU PRECISO DE AMIGOS, MAS NÃO SEI ISENTA-LOS
DE SEUS DEFEITOS TÃO HUMANOS,
TALVEZ PORQUÊ A AGRAVA-LOS, A ELES SE INTERPONHAM
OS MEUS, QUE JÁ SÃO MUITOS...
MAS, ENQUANTO EU NÃO CASO O FUTURO COM O PASSADO,
NESTE MUNDO IMPERFEITO EU BUSCO PERFEIÇÃO:
EU AMO O DETALHE, CUIDADOSAMENTE OBSERVADO,,
MAS EM MIM MESMO SEI
QUE É TUDO ILUSÃO.
NÃO ME PERGUNTEIS QUAL É O MEU CAMINHO,
EU ANDO SÓ, OS OLHOS POSTOS NA HUMANIDADE,
E QUANDO NO MEU PEQUENO MUNDO
EU SENTIR QUE HÁ REALIDADE, DIREIS:
"AQUI JAZ UM SONHADOR,
QUE DESCANSOU!..."

Leva para bem longe.... SRebouças 1967

LEVA PARA BEM LONGE
MEUS MELHORES SONHOS DE JUVENTUDE,
SONHOS JAMAIS CRISTALIZADOS,
PERDIDOS QUE SEMPRE ESTIVERAM
NAS MINHAS DÚVIDAS E INQUIETAÇÕES.
LEVA PARA BEM LONGE AS MINHAS MAIS AMARGAS
LÁGRIMAS
E COM ELAS, SENTINDO TALVEZ COMIGO ESTE SILÊNCIO DORIDO,
HÁS DE BANHAR O MEU RETRATO, QUE AMARELECE....
LEVA PARA BEM LONGE, EU TE PEÇO, SÓMENTE
AS RECORDAÇÕES MAIS DOCES, AS PALAVRAS MAIS TERNAS,
E OS CARINHOS TODOS DE EPIDERME E CORAÇÃO!
LEVA PARA BEM LONGE MEUS MELHORES SONHOS DA JUVENTUDE,
POIS NADA MAIS SÃO ELES, HOJE, QUE UMA SAUDADE IMENSA,
NASCIDA DE NOSSAS LÁGRIMAS, NOSSAS DÚVIDAS, NOSSAS INQUIETAÇÕES.

Sem ti nem nada SRebouças 1967

A CABEÇA PENDIDA,
PENDIDOS OS BRAÇOS,
PERDIDOS OS SONHOS.
PERCORRO E PERQUIRO
A PASSOS ESPARÇOS
OS AMPLOS ESPAÇOS DO NADA...
A BRAÇOS COM SONHOS
QUE SÃO SONHOS DE NADA.
NOS BRAÇOS O NADA DOS SONHOS PERDIDOS
HÁ BRAÇOS NO SONHO
DE UM ABRAÇO ESQUECIDO
ESQUECIDO OU PERDIDO,
NOS SONHOS DO NADA.

...mas faz-me! SRebouças 1970

SE NÃO ME DISSERES QUE ME AMAS
EM TODAS AS VEZES EM QUE NOS FALARMOS
HEI DE SOFRER DE AUSÊNCIA TUA E TE ACHAREI
INDIFERENTE...
VOU PENSAR QUE NÃO ME QUERES,
VOU ESTRANHAR A TUA VOZ,
VOU ACHAR FRIAS AS TUAS MÃOS,
DISTANTE O TEU OLHAR...
ABRAÇA-ME, PERTO, DE LONGE, COM BRAÇOS
OU PENSAMENTO,
FAZ-ME ESCOVA DE DENTES, CONVERSA COM O PORTEIRO,
CARINHO NO CACHORRO DA VIZINHA, CIGARRO NO BOTEQUIM,
FAZ-ME ALÔ, BOM DIA, BOA TARDE, COMO VAI?
FAZ-ME CAFÉ, ALMOÇO, LANCHE, JANTAR E TIRA GOSTOS
FAZ-ME AR, FUMAÇA, POEIRA, RAIO DE SOL,
NESGA DE LUAR, ESTRELA A TE SEGUIR,
FAZ-ME PALAVRAS, FAZ-ME SILÊNCIOS,
FAZ-ME DÚVIDAS, FAZ-ME CERTEZAS,
MAS FAZ-ME! - FAZ-ME TEU ABSURDAMENTE,
MAS FAZ-ME, E A TAL PONTO,
QUE A FERIDA QUE SURJA EM TI
CICATRIZE EM MIM,
QUE A IRA QUE FERVA EM TI
DESESTABILISE A MIM,
QUE A PAZ QUE COLHERES PARA TI
EU CONSIGA PARA MIM.
FAZ-ME EU E EU TE FAREI MIM!

Apassionata SRebouças 1970

TRANQUILO TRANSE TRAZ-NOS TRÊMULOS,
SONO SOLTO, SÓ SONHANDO,
NO BAR, AR DE CONVERSAR
SEM FALAR:
NO SOM O TOM,
NO COM O BOM,
NO BOM DE OLHAR
O OLHAR DO SEU BEM...
OS DEDOS QUE ESPERAM
NA ESPERA QUE SENTE, E FREME,
UM SENTIMENTO QUE ESPREITA
NA ESPREITA DE TI:
TRANQUILO TRANSE TRAZ-NOS TRÊMULOS,
SÓ - JÁ NÃO SOU - SUSSURRANDO,
NO BAR, UM AR DE AMAR, SEM FALAR:
FALAR SEM DIZER, SEM NEM PRECISAR.

A Resposta SRebouças 1970

PENSO EM TI ESTA NOITE,
PENSO QUE PENSARÁS TAMBÉM EM MIM,
PENSO SE TERÁS OUVIDO ALGO
DO QUE TE DISSE ONTEM,
PENSO QUE ONTEM NÃO SERÁ MAIS HOJE
A PROMESSA DE UM AMANHÃ.
PENSO SE AMANHÃ PODEREI VER-TE AINDA,
PENSO, PENSO, PENSO, AH! ESTE SENTIR-SE SÓ
EM PRENÚNCIO DE MÁGOA, EM COMPASSO DE ESPERA!...
SIM OU NÃO? SIM...NÃO...HOJE AINDA SABEREI
MAS NÃO TENHO FORÇAS PARA SUPORTAR A ESPERA
NEM AS TEREI DECERTO PARA CALAR
SE A DIGNIDADE ME EXIGIR SILÊNCIO,
SE AS CIRCUNSTÃNCIAS EXIGIREM CAUTELA,
SE O AMOR PRÓPRIO EXIGIR DISFARCES,
SE HÁ UM MUNDO DE PALAVRAS POR DIZER,
OUTRO TANTO DE CARINHOS POR TROCAR...
SE HÁ UM ABISMO, OU VÁRIOS A SE FORMAR
EM TORNO, E EU TENTO GALGA-LOS,
ESCORRENDO NAS PRÓPRIAS LÁGRIMAS,
E O AR SE PERDE, AS NUVENS SE FORMAM, O APOIO SE VAI,
EU FICO SÓ - COMO ANTES
PENSANDO EM TI, NESTA NOITE.

Sucuri SRebouças

O e-mail que me enviaram tinha imagens de um pobre coitado que se perdeu dos outros tres companheiros, na floresta onde haviam ido caçar. Os amigos cansaram de procura-lo e o remédio foi esperar amanhecer, talvez ele estivesse apenas perdido...
A triste realidade foi achar uma sucuri dormindo, após uma 'lauta refeição', e no seu bojo adivinhava-se claramente o contorno de um ser humano. Não deu outra:
carregada a sucuri, depois de morta, claro, para o acampamento, abriram a bicha e lá estava o pobre caçador. Via-se nas imagens os sapatos, a calça jeans e a camisa quadriculada e a cabeça de lado, os cabelos pretos...Imagem chocante!Pela posição, a cobra engolira primeiro os pés da vítima e terminara na cabeça. Eu imagino o pânico que se apoderou do pobre homem ao tropeçar na sucuri, ser enrolado por ela, os aneis apertando, apertando, quebrando estruturas e até ossos, até engolir a presa...quantos minutos ainda teve o caçado de consciência e dor ao se sentir perdido definitivamente?

31 Agosto 2007

UM BELO DIA

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre." (Clarice Lispector)

30 Agosto 2007

Ferindo e conferindo SRebouças 1982

A CADA INSTANTE EM QUE ME EXPONHO,
QUERENDO OU ATÉ MESMO SEM QUERER,
UMA PALAVRA TUA FERE MEU SONHO,
FERINDO, SIMPLESMENTE, SEM OFENDER
ESTE TONTO, ESTE TOLO, ESTE BISONHO,
QUE MAL CONHECES
NEM QUERES CONHECER....
A CADA INSTANTE EM QUE
ME FORMULO ESTE SONHO,
QUERENDO OU ÀS VEZES ATÉ SEM CRER,
SINTO-ME TONTO, BISONHO,
POR NÃO SABER ME FAZER ENTENDER...
FERINDO SIMPLESMENTE
MESMO ATÉ SEM QUERER,
FERES O SONHO,
RASGAS A BOLHA QUE FLUTUA, TEIMOSA,
E TEIMOSA SIMPLESMENTE,
ESTA BOLHA TINHOSA
HÁ DE NOS MEUS SONHOS OUTROS SOBREVIVER!...

Verso/Reverso SRebouças 1982

Talvez haja um verso de despedida
talvez haja o reverso da ferida
talvez haja um reverso de despedida...
talvez só reste este verso, esta ferida.
Ferida que nasceu ao abrires horizontes
onde o horizonte já se não fendia...
ferida que se rasgou da noite para o dia,
revelando novos rios, caminhos e montes!
Talvez calhe aqui o verso de despedida
em palavras que acompanhem o movimento
de cada golfada exalada da ferida,
deste amor que avança e recua, lento,
na insistência da intuição apreendida,
no mesmo instante recusada, desmentida,
na impaciência de todos os amores,
na incoerência de palavras e cores,
na intransigência de não aceitar,
na intransigência de não negar,
na intransigência de ocultar, negando
na intransigência de aceitar, ocultando
cada golfada exalada da ferida
de um amor que recua ao mesmo tempo que avança...
Talvez, ó sim, caiba aqui o verso de despedida
de quem, impaciente, cala, aceita e cansa!

21 Agosto 2007

O bar e um piano nos anos 70 SRebouças JUL70

Eu quisera que todos vocês se sentissem, súbitamente, imersos no mistério de luz e sombra, ao redor de seus copos louras lágrimas a escorrer, em suas mesas já tão marcadas e prostituídas nestas tantas noites, ao redor seus problemas, tão iguais, a percorrerem sentados o trottoir de suas decepções em luz e sombra, ouvindo a música romântica do piano de um cego...
É noite, e este papo manso e enganador que nos faz esquecer as horas, nesta mesa num bar avarandado em Copacabana, os sons cada vez mais próximos do cochichar: destination bed.
Eu quisera que todos vocês destilassem súbitamente a azia de uma discordância, ao redor dos fatos estabelecidos que-são-assim-e-assim-serão, mas, por favor, não se trata de política, que é neste cenário ocupação menor...
De repente, não sei se foi a música, ou se foram os toques repetidos de nossos dedos, em torno de nossas cervejas, olho no olho, querença bilateral expressa na rouquidão das nossas vozes, o buerburinho abafado de outros confessionários à volta, o mastigar em uníssono das batatinhas a lembrar o cocheiro a estimular os cavalos a correr, mas eu senti dentro de mim naquele momento a justificativa que só o efêmero pode trazer ao ser humano em instantes maníacos de felicidade.
Só a música, e um mil folhas de intenções - não drogas, não álcool em excesso, nada artificial, pois ali tudo mostrava-se absurdamente real, na irrealidade quotidiana de nossas existências.
Decepções e expectativas que se revezavam, agora reduzidas à expressão menor, a música entrecortando, recheando, instigando, chamando, insistindo, proclamando, traduzindo e arrebatando mesmo que em segundo plano.
E éramos todos fantoches quase ébrios de felicidade e ilusão, escravos daquela música, música que até hoje, na memória, eu canto, assobio, sonho, canto, assobio, sonho, única música que consegui reter entre tantas que passaram em minha vida: resultante para onde caminharam as minhas lágrimas de alegria e tristeza, o meu espanto à beleza do sol, sempre que surge no horizonte, e o meu sempiterno medo pânico do escuro....

Apreensões apreendidas SRebouças 1970

As casinhas no morro em frente
mais e mais se vão recortando
em silhueta: é a noite que finda,
em profunda nostalgia.
Faz-se hemorragia nos céus, a luz começa a invadir,
e uma tênue inquietação desperta
e vagamente se agita na cama, em quieta retomada de vida.
Há carinhos que desejam o toque do corpo amado,
há cautelas que evitam o toque do corpo derramado,
há uma lembrança de sonhos sofridos,
já quase abandonados,
há uma áurea de irrealidade neste amor
de tantos passos desencontrados.
Há uma transcendência de esferas, um toque
de irreal, um sonho, um encontro,
um medo de acordar, de ver
findar de modo brutal
aquilo que ainda nem bem começou;
cessou já a hemorragia nos céus, é dia claro,
mas a hemorragia continua, dentro de mim.
Há nuvens carregadas e inquietas dentro de mim,
há um arco-íris de expectativas dentro de mim,
há desassossego de futuro dentro de mim.
O dia lá fora acordou: quando acordarei dentro de mim?...
Quando virá a palavra, o gesto, a intenção,
a quebrar os vidros da casa, forçar-lhe as portas,
arrancar-lhe janelas, desfazer a cama?...
Quando virá a dúvida, a amortecer,
a paralisar,
estrangular
rarefazer,
jugular,
estropiar,
mutilar,
enlouquecer,
e tanta coisa mais
em AR OU ER?...
Quantos passos mais daremos juntos,
quantas vezes mais nossas mãos se falarão,
quantas palavras mais, quantos sorrisos ainda virão?...
Quantos silêncios mais haveremos de compartilhar?
Quantos desencontros, quantas desilusões nos esperam,
quantas angústias, quantas solidões?
Quantas forças nos restam para opor ao tempo
este amor quue teima em se afirmar
longe de outros olhos, de outros corações:
tu e eu, olhos nos olhos, caminhando sós,
unindo cada vez mais nossos corações?

20 Agosto 2007

Despedida quase completa SRebouças 1967

FRAGILE
Tenebrosas companheiras de horas de amargura,
Eia, enfim, vossa hora é chegada:
não mais vos alimentarei
com supositórios de cacau,
nem vos regalarei com pudins de cortizona...
não mais vos banharei em águas tépidas
nem vos acariciarei em alvas toalhas...não!
Macabras e intransigentes Fontenelles fecais,
a vigiar os autos da sofrida e 'perfumada' digestão,
megeras parasitas que congestionam
o indefeso tubo,
e riem-se de até chorar lágrimas de sangue!
Eu sei que esta despedida será
por trinta dias bem sofrida,
mas que importa, uma vez este prazo findo,
pois para de vós me livrar vale esta hora,
em que aqui me despeço, dormindo....
A bem da verdade, eu fui operar as hemorroidas, choquei durante o ato cirúrgico e fiquei na sala de 16 às 22 horas em recuperação...entre os médicos, chamamos a isto esmeraldite...

Das memórias de um pinico SRebouças 1969

Ela caminhou lânguidamente até mimetizar-se em duas róseas bochechas deliciosamente iguais e sem que eu nem mesmo esperasse tal gesto, sentou-se em mim...
***
Não posso nem devo piscar os olhos, aliás eles nem mesmo me pertencem...
***
O orifício dilatou-se, tal como eu temia, de róseo passou a roxo, tornou-se turgido; algo como um olho escuro surgiu no centro e me espiou malignamente, e foi crescendo, crescendo, até ocupar uma grande área entre as almofadas, silvando com o esfôrço, e eu embaixo, impotente, a tudo assistia...
***
Não creio na amizade dos seres humanos: só me tomam do braço e me levam para um canto mais reservado para me macular no fundo...
***
Róseas e lisinhas, escuras e cabeludas, no fundo, são todas iguais: vêm com muita pressa,
às vezes se demoram, e quando terminam me despejam na privada com o resultado de suas meditações.
***
O intestino é uma caderneta de poupança: quando afinal me procura, lá saem juros, correção monetária e eu tenho que proceder a uma re-avaliação das UPCs....
***
Tive um dono que era tão gordo que, quando me procurava, sentava-se e as 'bochechas' colavam-se ao chão, e eu ficava completamente oculto; e como soprasse sem parar por cima
e por baixo, eu tinha a sensação de estar num aeroporto, e que o gordo iria a qualquer momento sair voando, vítima de uma propulsão de suas próprias turbinas...
***
Pintaram-me margaridas do lado de fora; mas, de que adiantou?... as flores de um lado, o adubo do outro...
***
"Entre os vinhos selecionados para esta temporada, infelizmente não encontramos nenhum que fosse digno de figurar no menú desta ilustre e benfazeja Diretoria"...mas mesmo assim, como mijaram em mim...depois que cagaram no gerente.
***
Tenho fortes motivos para crer que se alguém não tivesse nascido homem, fatalmente te-lo-ia sido mulher; mas de qualquer maneira eu sempre seria a vítima.
***
De um modo geral, escondem-me sob a cama; assim, além de me lançarem as 'porcarias', tenho também de ouvi-las...
***
Não quero ser funcionário CLT: estaria arriscado a levar sempre a 13ª cagada...
***

16 Agosto 2007

Apenas algumas lágrimas SRebouças 1963

A LÁGRIMA QUE BROTA DO FUNDO D'ALMA
E VEM MOLHAR-NOS O CORAÇÃO
VEM TAMBÉM RESTITUIR-NOS A CALMA,
VEM TRAZER-NOS DE VOLTA A RAZÃO.
PORISSO SE UM DIA VIRES
ALGUÉM A UM CANTO A CHORAR,
ANTES DE IGNORA-LO
COMO SE FOSSE UM FRACO,
É BOM OUVI-LO
NO SEU DESABAFAR.
POIS ATRAZ DA LÁGRIMA QUE CAI,
FURTIVA, ENVERGONHADA, HONESTA,
HÁ SEMPRE UM SONHO DESFEITO QUE VAI
MORRENDO COMO A ALMA ENVENENADA...
ASSIM, NÃO TE CUBRAS DE IRONIA,
RESPEITA-O E PÕE-TE A MEDITAR,
POIS POR TI TALVEZ UM DIA
ALGUMAS LÁGRIMAS ESTEJAM A ESPERAR!

Amor de repetição SRebouças 1967

HOJE À NOITE EU TE QUERO
NOVAMENTE, BRUTAL E TENSAMENTE QUERIDA,
NO REACENDER-SE DESTA PAIXÃO MEDIDA
PELO RELÓGIO DAS CONVENIÊNCIAS:
QUERO-TE GROSSEIRA
E DESVAIRADAMENTE POSSUÍDA
ESTUPRADAMENTE BELA NUMA CAMA,
EM TOTAL ABANDONO, EM TOTAL ENTREGA,
EM COMPLETA PREDISPOSIÇÃO
AO ATO FUNDAMENTAL.
QUERO BEBER TUAS LÁGRIMAS DE DOR
E JÚBILO,
NO SÁDICO PRAZER DOS CONQUISTADORES,
NO SÁDICO FAZER DE TODOS OS AMORES
COMO SE ESTA FOSSE
A VEZ PRIMEIRA.

Coisas de eternidade SRebouças 1970

DEIXA ESTE CIGARRO E VAI,
VAI LENTAMENTE, VAI,
FUMAÇA AZULADA,
DESGARRADA,
DESDENHADA - VAI!
VAI ATÉ AQUELA
QUE É ELA,
QUE É TELA - E VAI,
SERVE-LHE DE MOLDURA!
VAI, LENTAMENTE VAI,
E SEGREDA-LJHE OS SEGREDOS,
OS MEDOS,
OS LEDOS DEVANEIOS MEUS:
FUMAÇA DE TANTOS CIGARROS, VAI
E SERVE DE MENSAGEIRA DE QUEM
FUMANDO, ANSEIA, SONHA E ESPERA
E SEGREDA-LHE COISAS DE ETERNIDADE.

Como um Zumbi SRebouças 1967

Sinto-me vazio: de ideia, de rumo,
de futuro, de aspirações, de esperanças
de temores, de saudades, de lembranças...
estarei vivo?...
Já perdi a conta de há quanto tempo
e de quando tive a minha última idéia,
de qual foi meu último rumo,
de quando ultimamente pensei o futuro,
de quais as minhas últimas aspirações,
de quantas esperanças hei confirmado,
de quando me libertei
de meus temores últimos,
de quando foi a minha última saudade,
de quantas lembranças me tornei depositário,
e às quais dedico este suspiro último.

Os meus(teus) olhos mansos SRebouças 1970

Evoco teus olhos mansos, enquanto espero por ti,
olhos ternos, acariciantes,
olhos puros de criança, olhos mansos.
Olhos mansos, olhos que me olham,
e sem precisar falar, dizem-me coisas de amor.
Onde estão meus olhos mansos, onde estão?
Ah! teus olhos mansos me dão a paz que nunca tive,
a mansidão de uma estrada certa,
o passo firme, em divórcio de solidão...
Olhos mansos, meu abrigo de paz, onde estás?
Eu boio no lago das lágrimas que chorei outrora
sem nem mais me molhar.
No manso remanso do mormaço
do sol do teu olhar escondido,
no manso acalanto de um breve compasso
de um hino de amor incansávelmente ouvido,
evoco teus olhos mansos, e espero por ti.

Janeiro, águas, nove SRebouças 1970

Perdoa-me esta imagem um pouco exagerada,
mas à semelhança da água, assim te vejo, e nada
mais igual que a água, em minha mágoa,
onde a alegria efêmera, hesitante, sobrenada,
ao te ver ou ouvir ou tocar sempre lembrada,
eis que a lágrima nada mais é que água.
À semelhança da água, a cuja superfície sobrenada
uma alegria efêmera, hesitante, meio mágoa,
sem te ver, ouvir, tocar, eis-te lembrada,
e compreendo que a lágrima nada mais é que água.
És água, rio, cachoeira, manancial, onde se afaga
o sonho de um afogamento nos braços teus...
nascente que as grandes tormentas ou abalos não apagam,
vertendo sempre, alimentando sempre os sonhos meus.
São as águas sempre caprichosas e brejeiras,
voluptuosas, sobranceiras, altaneiras,
mas podem ser fios dificeis de acompanhar
ou mesmo redondas lágrimas a se formar...
mas não importa, são águas - cálidas, ferventes, geladas,
temperaturas que experimenta toda a gente
apaixonada
e que constata, afinal,
que a lágrima nada mais é e só que água!

15 Agosto 2007

Caminho de chegada SRebouças 1965

Quantos há no mundo que erram, distraídos
e se vão pela estrada de tal forma absortos
sem reparar que ali, a seus pés, uma flor espera...
um pouco de atenção, os olhos mais abertos!
porquê tanta pressa, se estes passos incertos
nos levam a destino tão certo?
caminhemos devagar, vivendo cada passo,
tornando mais lento o compasso
da morte, que espera...
olha, apanha esta flor,
repara como é bela, inocente, pura!
a vida devia ser assim, amor,
para que a estrada, todas as estradas,
emolduradas de flores,
pudessem conduzir-nos,
suavemente,
à morte que espera...

Extintas coleções SRebouças 1967

EU VOU JUNTANDO LETRAS PARA FORMAR PALAVRAS
EU VOU JUNTANDO PALAVRAS PARA FORMAR FRASES
EU VOU JUNTANDO FRASES PARA FORMAR SAUDADES
EU VOU JUNTANDO SAUDADES PARA FORMAR IMAGENS.
E AS IMAGENS-SAUDADE ASSIM FORMADAS
SÃO FRASES QUE SUSSURRAM EM SILÊNCIO NO MEU PEITO...
SÃO PALAVRAS QUE RECOLHO
NO PÓ DE UM PASSADO PROIBIDO,
SÃO LETRAS QUE NEM FORMAM MAIS O NOME DO MEU BEM...
DE QUE ME VALEM AS LETRAS, PALAVRAS, FRASES,
DE QUE VALE ESTA SAUDADE TODA REPRESADA
E QUE VOU JUNTANDO NUM SILÊNCIO DORIDO,
SE EU NÃO TENHO MAIS SEQUER O NOME DE
MEU BEM?...

Animula Vagula... d'aprés M.Yourcenar 1982 SRebouças

"Anima vagula, blandula, Hospes comesque corporis, Quae nunc abibis in loca, pallidula, rigida, nudula, Nec, ut soles, dabis locos..."
(Memórias de Adriano - de Marguerite Yourcenar) [Pequena alma terna e flutuante/hóspede e companheira de meu corpo/ vais descer aos lugares pálidos duros nus/onde deverás renunciar aos jogos de outrora...] (M Y )
Eis-me, novamente, parado no tempo e no espaço,
criatura com vontade, sem vontade sequer de te-la,
criatura com desejos natimortos de esperanças,
na duração de toda uma vida, quando uma espera é descompasso,
mancha que olhos desatentos não conseguem perceber; parada esta mão, parado o corpo de sofridas andanças,
baqueia o coração, quando a lágrima furtiva
escapa ao controle, escapa entre os dedos envergonhados,
a mera lembrança da tua figura esquiva,
perdida talvez em lugares os mais inesperados:
ó eu quisera lutar, ser amado, ser-te merecedor,
mas sei em mim mesmo o destino do perdedor!
Estou, novamente, parado no tempo e no espaço,
fazia tanto tempo já que não sentia ou lembrava
da lâmina temperada de frio aço
que há tanto tempo sobre mim não pairava!
E que esta cabeça fervilhante, mero espelho d'alma,
pouse neste cepo manchado e suado de tantos amores,
de pescoços de todas as cores,
que pousaram, em desespero uns, outros em êxtase e calma,
a aguardar a queda final do cutelo, que silencia o coração e a razão!
Estou sim, não desejando embora estar ou ser,
parado no tempo e no espaço - e custa a crer,
que o dia lá fora esteja lindo e radioso,
se dentro de mim chove e eu me sinta tão desditoso:
se é tão bom amar, não é bom por isto sofrer,
embora sofrer seja paradigma de amar
Ah! este sentimento silencioso por fora, vulcânico por dentro,
quando as mãos crispadas definem um coração,
só se compara quando um vulcão
lava-nos a alma , estilhaçando senso e razão!
Este sentimento/silêncio ensurdecedor de todas
as querenças, doenças, dores tão intensas
sem sequer o alívio de uma palavra terna, a romper
este monótono tiquetaquear de um coração quebrado!
Pequena alma terna e flutuante Hóspede um dia e fugaz companheira de meu corpo, se acaso um dia desceres aos lugares pálidos duros onde habitam solidão e desencontros, inda que fugidias...desças, o coração pacificado, pois não te deixarei renunciares aos jogos de outrora, eis que o amor verdadeiro é assim: VARIUS, MULTIPLEX MULTIFORMIS...( SR )

09 Agosto 2007

Imagens que me passam, sem passar SRebouças 1985

E de repente, eis a tua imagem e lembrança
a se perderem
na esteira sofrida de meu lento despertar:
despertar amargo de uma verdade lentamente assimilada,
como um pesadelo travestido em realidade.
Sou, vivo, respiro, penso-me agora incólume,
mas não resisto
a examinar, com olhos que me contemplam de fora
como a um estranho que eu fosse,
esta figura, patéticamente mista de consternação
e self-control;
eu sou aquele que se propõe caminhar em frente,
mas não sabe sequer onde passa a estrada...
eu sou aquele que infla o tórax e escancara a boca,
pronto a desferir terrível brado de ira e aviso,
mas emite apenas um ganido de dor e mágoa.
Eu sou aquele que abraça, afaga e beija, fagocita e idolatra,
para descobrir depois que é um ator solitário
numa mímica vazia....
Eu sou aquele que acredita, confia
e se incorpora na figura amada,
para descobrir depois que equilibrara entre os dedos
uma bolha, apenas uma bolha de ilusão....
Do nada eu vim, ao nada retornarei um dia:
mas, como me doi ainda a ideia de ter vivido
ao longo destes quatro meses,
imerso e cego, na fantasia do nada!

08 Agosto 2007

Reabilitando a lingua... SRebouças 1983

Órgão muscular por excelência,
vermelha como a glande, que não sendo muscular
é dela sucessora natural na competência
da nobre arte de fornicar;
esguia, achatada, molhada, viscosa,
como enguia mora numa caverna
de onde sai, às vezes furiosa,
sem nem porisso deixar de mostrar-se terna!
É parceira dos dentes no saborear dos beijos,
das bocas às vezes frias, às vezes candentes,
mensageira da saliva que se troca entre arquejos,
na volúpia dos momentos mais concupiscentes...
Órgão muscular por excelência,
mas a sua força reside na esperança:
cria lentamente a medo, uma querença
em todo o lugar que seu carinho alcança!
Órgão sexual atribuido aos velhos
pela maledicência de quem não a emprega,
de quem nunca se poz de joelhos
a saborear com ela uma gruta, acidente ou prega!....
Língua, que pode estar mole e logo após dura
no estudo atento e febril da Anatomia
lingua que investe, que enlouquece, mas não fura,
respeitando da glande sempre a primazia,
Língua, que no beijo realiza com outra igual
no recato de quatro lábios irmanados
aquele mesmo lésbico ritual
de dois corpos iguais e limitados...
Mas...as delícias que ela sabe proporcionar!
eis que numa relação qualquer que se prezasse,
nunca se ouviu de bons parceiros reclamar
que ela fosse má, irritante ou que agastasse...

06 Agosto 2007

Em vão SRebouças 1958

Eu te procuro todas as noites nas ruas
em vão.
O corpo adorável que parece ocultar-se nas vestes
daquela mulher que eu sigo nas ruas
não é o teu;
nem o sorriso se parece,
nem as mãos são tuas,
nem o olhar afaga, nem a voz estimula,
não és nunca aquela que eu busco nas ruas.
Teus lábios, entrevistos ao luar, ou à luz
das estrelas, ou das boates, parecem mel
e eu provo incansável - e é fel.
Os traços perfeitos de perto não o são,
a voz que terias as outras não têm,
como o olhar que era só teu, e o aroma
que me embriagava de paixão...
E eu torno, incansável,
buscando nas ruas
aquela mulher que se oculta naquelas vestes...
nem sempre ao menos parece contigo
a mulher quie eu busco nas ruas
em vão.

O lamento do cravo SRebouças 1965

UMA ROSA MUI JOVEM
E UM CRAVO JÁ VELHO
NUM JARDIM SE ENCONTRARAM.
E AO VE-LA, FORMOSA,
O CRAVO CHOROU
DE AMOR PELA ROSA;
A ROSA TÃO JOVEM,
AO VER ESTE CRAVO
CHORANDO INDAGOU:
PORQUÊ CHORAS, Ó CRAVO,
SE A VIDA É TÃO BELA,
QUAL A RAZÃO?...
CHORO, RESPONDEU O CRAVO,
POR NÃO TER-TE À JANELA
DO MEU CORAÇÃO!...

Enterro de dondocas SRebouças 1966

Se alguém em desespero
seu morto vai enterrar
corra ao banco a retirar
no mínimo um milhão inteiro...
hoje em dia é bom morrer
caixão com ar refrigerado,
ingresso a vermes vedado,
vulcaspuma pra espairecer...
vistosos argolões dourados,
rendas, veludos, brocados,
iluminação interna, criatura!
e regulagem de temperatura...
maquiagem sim, tão perfeita
qual plástica de cirurgião
que o morto até afeta
ar de sono no caixão!
corbeilles esplendorosas,
feitas das flores mais formosas
e coche do ano para levar
o morto ao derradeiro lugar!
Hoje sim, é bom morrer....
mas morrer rico, "bem morto";
já eu, não vos escondo,
prefiro VIVER, sem confôrto!

Nasce um pintor abstrato SRebouças 1992

Partes de um todo apenas, apenas partes,
de um todo que se esconde,
que se perde - ou se ganha,
pelas bordas das telas,
infinito seguindo cada finito
momento enfocado...
Por mais que se reunam os pedaços,
estes pedaços que compõem os traços
são apenas partes, são apenas partes!
Não procures saber porquê, onde, como,
pois esta jornada começou quando
já havia muita poeira na estrada,
e poeira cansada!
Surgiu um feixe de luz em 86
ignorante das artes dos homens,
ele chegou: um feixe, várias cores,
o desenho brando
ou até ausente,
a harmonia cantando, as cores vibrando,
escuras às vezes, para clarear depois,
e são sempre partes, apenas partes!...
Ah! que eu amo o parir-se
meramente destes meus diabos,
que eu os exorcizo alegremente,
indolormente...
vêm a mim, vêm a mim,
nem sempre os tenho obedientes,
nem sei mesmo porquê
que eu os exorcizo alegre e indolormente,
vêm a mim, vêm a mim,
sem serem nunca planejados,
vêm a mim, vêm a mim,,
nem sempre os tenho obedientes
nem sei mesmo porquê
que nunca fui ensinado
a exorciza-los.

04 Agosto 2007

Retrato 3x4 SRebouças 1986

Eu sou feito de versos,
palavras desencontradas,
gestos disciploinados, e gostos tão díspares.
Eu sou feito de brisas
palavras desocupadas,
restos dispersados,
em rostos tão diversos....
Eu sou de cada uma
criança procurada,
perdida no anonimato,
procurada e perdida no mesmo ato.
Eu sou o século, tecido
no dia a dia das paixões,
eu sou o corpo ferido
no dia a dia das intenções...
Eu sou feito de versos,
quero ser desencontrado,
quero ser indisciplinado,
quero ser desocupado,
como estes rostos e gostos tão
dispersos quão diversos.
Eu sou a perda de mim mesmo, criança procurada a cada perda
procurada e perdida no mesmo ato.

Espelho, espelho meu SRebouças 1985

Contemplo-me mais uma vez neste espelho
e não reconheço as feições de quem me espreita,
a boca vazia e amarga,
o nariz inchado e vermelho do tanto pranto...
estes olhos, repassados de dor....
Não! não sou eu!...entanto, o espelho não mente.
Não é justo que uma criatura no seu juizo perfeito
se deixe assim arrastar a um abismo, por uma história
que só aconteceu do lado de cá deste espelho....
...............................................................................
Porquê contemplar-me neste espelho,
onde outrora ao meu o teu sorriso se juntava,
e estas mãos tinham nossos dedos entrelaçados
em juras de amor não proclamadas...
Os nossos narizes cheiravam colados o mesmo ar
no prelúdio de cada beijo trocado.
Nossos corpos cabiam neste espelho
onde hoje resta só este corpo nú:
este espelho, que me recusa tua imagem,
e me devolve o silêncio da minha própria mágoa...
Espelho, espelho, quanto afinal me mentiste?
Naquela imagem dupla que me oferecias,
qual era a verdadeira imagem,
qual era na verdade uma ilusão?
És frio, és pelho, espelho,
estupor, espanto, esperança esvaída...
Espelho, espelho, quanto afinal me mentiste:
ou estarás finalmente refletindo a mentira?...

Teimosia SRebouças 1966

SE O PREÇO DAS VENTURAS PASSAGEIRAS
É SOFRER DIA E NOITE
AS INCERTEZAS
DE MOMENTOS FRIOS
E PALAVRAS SECAS,
BUSCANDO CONTEÚDO
SEM ACREDITAR,
ACHANDO CARINHO
SEM SE SATISFAZER,
CHORAR LÁGRIMAS DE ALEGRIA
E RIR, ESCONDENDO A VONTADE DE CHORAR....
AINDA ASSIM, MEU DEUS,
EU QUERO SEMPRE
AMAR!....

Nas águas do lago SRebouças 1965

Nas águas de um lago
a meus pés derramado
vi teu reflexo,
uma imagem tão cara,
que eu acreditava
perdida no passado.
E embora soubesse os sentidos tão falhos
vibrei, ao sentir tua presença no lago...
Um peixinho tranquilo,
que passeava no fundo
lançou-me umas bolhas
que vieram subindo,
subindo, subindo
e foram estourar,
sincrônicamente
com a bolha magoada
da minha ilusão,
nas águas do lago.

Meramente fumaça SRebouças 1970

Deixa este cigarro e vai,
vai lentamente, vai,
fumaça azulada
desgarrada
desdenhada - vai!
Vai até aquela
que é ela,
que é tela - vai,
e serve-lhe de moldura!
Vai, lentamente vai,
e segreda-lhe os segredos
os medos
os ledos devaneios meus:
fumaça de tantos cigarros, vai,
e serve de mensageira de quem
fumando, anseia, sonha e espera
e segreda-lhe coisas de eternidade.

Brumas e ilusões SRebouças 1985

Tenho-te nas brumas do meu pensamento:
as ausências dançam e se agitam no porão
da minha lembrança,
enquanto os cenários se revezam
em delírio de cores, sons e emoções,
as formas se embriagam nos gestos que me parecem familiares,
aqui e ali me parece que vais voltar - eu não quero,
mas não posso negar, estás nas brumas do meu pensamento.
Os mesmos passos me voltam pelos pés de outro alguém,
os mesmos gestos me voltam, nas intenções de outro alguém,
o mesmo re-encontro pele a pele num corpo qualquer...
E é tudo tão diverso, tão diversamente embriagador,
na medida em que a tua lembrança se faz presente,
enquanto o presente de outro alguém parece
às vezes fazer-se em mera falsa lembrança
no lusco-fusco das emoções mal extraídas
e pior compreendidas!

Parteída SRebouças 1985

Vai - pousa lentamente nesta quimera que esmaece,
inda uma vez...com a mesma suavidade
da borboleta que adeja
aleatoriamente...
Vai - que o estrépito das batalhas
e o rugir dos canhões
não são para ti: nem cenário, nem momento
pois travas tuas batalhas num recôndito mais grave,
onde a consciência em prantos procura a realidade,
onde o desejo é fraco face à incerteza que tortura...
Bate tuas asas, lentamente, e vai: choro contigo
mas não tenho palavras para recriminar-te;
sigo teu vôo com o coração docemente comovido
a espreitar teu caminho incerto alguma lamparina
a que não saberás resistir....
Talvez eu saiba que não poderei seguir-te adiante,
quando já me faltarem o ar e as forças,
e a certeza das mãos e a presteza da lingua....
Vai!...mas antes, sobrevoa lentamente em caprichoso círculo
este vale, que volta a se cobrir de sombras,
lentamente...

Eu e você SRebouças 1982

Já não sei mais quem somos, eu e você
já não sei mais quem somos, eu e vocês,
já nem sei mais se somos, ou fomos, eu, você, vocês!
Ou quando fomos,
se um dia fomos,
fora dos sonhos que afogamos
sem quase sentir...
Agora sem mesmo fingir
fingindo sentir
sem sentir fingimento
ou fingindo não sentir:
esta idéia de perda,
uma vida de merda,
um raio a luzir,
num firmamento acabrunhado
e cinzento...
O sorriso forçado
o esgar disfarçado, o alheio presente,
o silêncio doente, e o gesto impotente
do esforço ingente que não se quer mais tentar...
Ah! sim, é hora de rirmos,
de nos espalharmos
em busca deste novo tempo perdido
espalhar esta fome de formas novas
gozar esta pleiade de estrelas novas
raios efêmeros, sim, a luzir
neste firmamento acabrunhado e cinzento
mas - confesso,
já não sei mais quem somos,
eu e você.

Requiem para um pobre ser SRebouças 1983

Foi o coração manso que levou a mão
ao nariz inerte à reflexão dos círios,
foi o coração manso que levou a mão
ao teu peito, coberto de lírios...
No pé tanta corda nova, a caminho da alcova,
tanta corda nova, tanta cara, tanta trova,
a criar tanta nova canção de ninar!
No pé tanta corda nova, a esconder os passos
a esconder inutilmente os espaços
por onde silenciosos se arrastaram estes mesmos pés
algemados em cadeias antigas
arrastando-se mútuamente ao som de mudas e
intocáveis cantigas,
procurando caminhos que não parecem ter fim....
No coração, na lembrança, no grito silencioso,
da revolta insuspeitada
na revoada dos pombos, no troar das iras,
no espoucar dos descaminhos ameaçados...
gritos, súplicas, lamentos e até mesmo tombos
nada mais assusta aqueles intimoratos pombos
que de sua casa, feita de certeza e paz,
contemplam a chuva, o vento, o frio, a água
invadindo tudo.
Estas algemas, enferrujadas embora,
têm a textura que suporta a força dos elementos,
e a força das cordas novas que inutilmente pensam
alinhar passos à força de olhares e silêncios tão vazios...
cedem ou cederão mais cedo ou mais tarde,
lembrando o nariz no centro de mim
no coração de mim,
mas não, nunca, no centro do coração!

31 Julho 2007

Hoje SRebouças 1970

É este querer bem que doi, e vem
de mãos dadas com a saudade sempre renovada...
fome insaciável, sede inextinguivel
fogo insuportavel - indispensável também.
Eu perambulo pelos sonhos que criaste
e insone, em infecundo solo, preservo a flor que a noite viu nascer
deixando de lado farrapos de ilusões,
esquecendo as lágrimas que deixei pelos caminhos
esquecendo as amarguras que conheci pelos caminhos
esquecendo as sementes que desperdicei
pelos caminhos, ai!...
esquecendo as estradas que percorri - descaminhos.
Ao passado, a amnésia.
Ao presente, o sonho.
Ao futuro, a esperança.
Estou feliz - e nada mais importa:
há estrelas em meus olhos, eis que a hora de rever-te se aproxima
As Tres Marias cochicham enternecidas
e o Cruzeiro do Sul, braços abertos, bem abertos
parece imitar este coração doridamente feliz.

Alvorada e Crepúsculo SRebouças 1984

Nada mais resta, senão o mudo contemplar da passagem das alvoradas sucessivas. Aqui e alhures, sofrida e invejada vai a visão de uma imagem tripartida em saudade, querença e agonia. Em transe vai-nos a alma a transbordar dos olhos, ignorada sempre, a tatear infinitos empós visagens, aquelas perdidas imagens, aqueles inaudíveis risos, as esquecidas canções de ninar. As rosas de ontem empalideceram, eis derrubado o altar, imolou-se o corpo na pira do desencanto, nada mais resta, senão contemplar a passagem das alvoradas sucessivas... Aqui entre pedras em íntimo contato com os espinhos que restaram, de ingênuas e esperançosas rosas, poreja inutilmente este sangue quase desprezado, a misturar-se às fezes, ao suor, à urina para fabricar o transcendental adubo humano a transbordar e a transformar novas rosas renovadas em rubras alvoradas.... eis a imagem tripartida em saudade, querença e agonia, única obsessão de quem se esqueceu dos sonhos da mocidade, e recolhe, comovido, as últimas quimeras, alisa já as primeiras rugas, contempla os primeiros cabelos brancos, e debruçado na janela conforma-se em apreciar a passagem das alvoradas sucessivas.

30 Julho 2007

Caminhei SRebouças 1982

Caminhei ontem caminhos tão diversos
daqueles que contigo caminhei...
caminhos que levaram a descaminhos inversos
daqueles que sempre trilhei.
Caminhei ontem, embalado por baladas
marciais: no azáfama de todos os amores suspirei
mas, ai!, após tantas heróicas escaladas
eu parei, lembrei, comparei e chorei...
Caminhei ontem caminhos e carinhos,
diversos daqueles que contigo caminhei:
e te afirmo que nem sequer
a embriaguez dos vinhos
toldou-me a mente, em nenhum instante te olvidei.
Caminhei meu corpo, sim, mas a alma ia atrás atoa,
na marcha obrigatória e ritual dos sentidos...
Não admira que a lembrança da caminhada doa
ainda, na consciência destes laços virtuais traídos.

Dificuldades na comunicação

Quando v. se coloca à mesa de um consultório ou ambulatório, recebe clientes de todos os tipos; vejam o que sucedeu quando um jovem doutor atendeu um paciente quase totalmente surdo...Não é preciso dizer que se tratava de um hospital holandês...
Como é que o senhor se sente?...
Numa cadeira, num banco, no chão mesmo... Pergunto como o senhor está andando... E eu lá estou a andar? eu estou aqui sentado... O senhor tem passado bem de saúde? Não senhor, não tenho pescado no açude... O senhor não me ouve? Não, não gosto muito de couve O que o traz aqui? Tem razão, tenho problemas com o xixi... Qual é o problema? Sim, mesmo no cinema... Levanta para urinar? Não senhor, só canto ao me banhar! O senhor é duro de roer... Pois, é um tal de doer... Mas doi onde? Mesmo quando o sol se esconde... O senhor tem perdido peso? Por quem me toma?! eu, um teso? Não, meu amigo, nada disso... Então o senhor acha que eu estou em perigo de enguiço? Vamos tentar de novo... Não senhor, não sinto nada no ovo... Tem dificuldade para mijar? Ah! o senhor também tenta o milhar? Eu quero saber o que o trouxe aqui! Mas eu já sabia que era do xixi... O médico aqui parou, respirou, olhou para o paciente bovinamente sentado à sua frente e se inspirou: Há passatempo que está pendente? Há uns tres meses senhor doutor... O milharal? Urino mal, seu doutor... Prato sino? Muito, muito fininho... Espanta açoite para humilhar? Ai quantas vezes, quantas! O doutor fez outra pausa, saboreando sua estratégia, e humano que era não resistiu: O senhor tem mãe? Igualzinho o senhor doutor, pois pois...

Lua de Mel com Blecaute

("Humor cinza") Eram, definitivamente, uma dupla à antiga, nestes tempos modernos. Ambos já haviam passado dos quarenta, ambos haviam sido submetidos a uma criação rígida, nunca lograram adaptar-se a estes modernismos dos jovens de hoje, como o tal de “ficar”, ao se conhecer numa festa, ou trocar de parceiros como quem troca de cuecas ou calcinhas, toda aquela facilidade de relacionamento entre pessoas que se sentem fisicamente atraídas, e este negócio de camisinhas e drogas usadas com tanta facilidade, para não mencionar o uso de um linguajar chulo, vazio e incompreensível.... Também não aproveitaram a sua época, em que Sida não representava mais que o apelido de uma pessoa, só que escrito com a inicial errada... Ambos, igualmente, não tinham parentes próximos, nem lá muitos amigos. Conheceram-se na fila do caixa de uma padaria, quando um pacotinho de presunto de Ruth caiu no sapato de Pascoal. E quando ela se abaixou para pega-lo, toda sem graça, ele parecendo nada perceber virou-se vivamente, para ajuda-la, crendo que escorregara, deu um passo à frente e o presunto voou longe. 200 gramas de presunto foram o pretexto para o início de uma conversação que foi parar num dos bancos da pracinha. Conversas estas que depois se repetiriam muitas e muitas vezes, só que com pipocas e sorvetes, ou algodão doce, nunca mais nada de futebol e presunto. Depois de alguns meses de segredinhos e confidências trocados, Ruth e Pascoal se pediram em casamento: isto mesmo, já que nenhum dos dois tinha a necessária coragem para dizer as palavras mágicas, os dois, cientes de que a idade estava avançando e o tempo ‘rugia’ para eles, fizeram o pedido estilo coral. Foi um lindo coral a duas vozes, aliás. Os passantes na praça que tiveram a sorte de ouvi-los, em grupo, aplaudiram delirantemente aqueles desconhecidos ternamente abraçados. Agora estavam ali, em plena lua de mel, naquele encantador chalé à beira de um rio, com um indefinível cheiro de coisa velha, de coisa guardada, de sapato mofado, ali em Petrópolis, generosamente emprestado pelo patrão de Pascoal; estavam ali, na coroação do passo mais importante de suas vidas, depois de dois anos de um namoro cerimonioso, quase secreto e um noivado hesitante e mutuamente expectante: afinal o casamento era um grande passo, um respeitável passo a ser dado. Uma grave responsabilidade que ambos assumiam! A vozinha dela soava-lhe como um gorjear de pássaros: -Querido, vou me trocar no banheiro, V. quer alguma coisa de lá? -Não, querida não preciso de nada, talvez depois... No que a porta se fechou suavemente, Pascoal ajeitou-se nos grandes travesseiros, e distraído retirou a dentadura dupla e a colocou na gaveta da mesinha do que já havia sido convencionado ser o seu lado da cama. Retirou com algum trabalho a calça e a trocou pela calça de pijama, amarrando bem o cordão. Ouviu o barulho da descarga, e sorriu. Ah! Os preparativos... Certificou-se que o lubrificante estava na gavetinha, desatarraxou a tampinha, furou a película protetora, já imaginou na hora agá ter de brigar com a bisnaga? Olhou em volta, aprovando o cenário, apagou a luz, e se enfiou debaixo das cobertas. Fazia um friozinho estimulante... Ruth verificou se seu saquinho de colostomia estava vazio, ajustou bem a peruca, retirou as lentes de contato, sem as quais, aliás, não enxergava quase nada, apagou a luz do banheiro e entrou no quarto, de camisola comprida de lingerie e meias grossas nos pés. -Amor, V. apagou a luz? Aqui está tão escuro...Ela estava com dificuldades em simplesmente achar a cama de casal. -Apaguei, querida, mas se V. quiser eu acendo... -Não, não, eu só pensei...Tudo o que ela não queria agora era iluminação de qualquer natureza, imagina ficar pelada na frente do noivo, er,...marido?... Espere, onde V. está? E saiu tenteando na escuridão, para ela um breu duplo. -Aqui, bem, aqui...Me dá sua mãozinha...Está escuro mesmo, parece que vem chuva aí...Ela deu uns passos incertos, tropeçou e caiu para frente de joelhos, passando por cima da perna dele, toda desajeitada. - Oops! Isto deve ter machucado, pensou, mas ele não soltou sequer um ai. -Oh, querido, perdão, eu sou tão desastrada! -Desculpar? o que? V. estar nervosa?...Mas é natural...Vem aqui com seu Pascoal... -Não é nada, é que eu falo demais em certas ocasiões, deve ser mesmo nervosismo... -Não foi mesmo nada, me dá um beijinho...Beijos foram trocados, agora sem aquele recato e timidez de antes, era tão gostosa aquela sensação de posse que passava entre os dois, e depois de uma pausa arfante ele começou a dizer algo, um galanteio talvez, mas foi logo interrompido pela pergunta que inesperadamente vibrou na escuridão: -Pascoal? Que voz mais estranha esta sua?!....Está comendo algo?... -Não, querida, é que eu mordi a língua há pouco...Oh Ruth, isto é lá hora de se comer algo na cama?...Esta minha Ruth... -Desculpa, bem! Enfiou-se sob as cobertas e aconchegou-se ao abraço protetor do seu homem. -Que culpa, mea culpa, Ruth, acontece que eu me virei na cama e escorreguei o cotovelo na beira, e com o susto mordi a língua...Pascoal apreciava o zelo e o carinho da sua esposa. Bateu na barriga dela para tranqüiliza-la e foi quando sentiu algo mole, que mudava conforme apalpava, fugia para um lado e para o outro. O que diabos seria aquilo?... Ruth se apressou, antes que ele perguntasse: -Esta é uma almofadinha de estimação, sabe...Eu tinha de traze-la, vovó a usou, mamãe também, em suas luas de mel... -Mas que romântico isso...Deixa eu ver esta rica tradição familiar...Uma almofada nupcial... Nisso, raios e trovões fortíssimos atroaram os ares, iluminando a alcova através das cortinas, a janela se abriu com estrépito molhando o chão e lá se foi o Pascoal laboriosamente fecha-la. Ruth aproveitou para certificar-se de que a bolsa estava no lugar, ficou aliviada, mas não tanto, porque sentiu que ela começava a se encher... -Pronto! Mas que chuva, hein, querida, a meteorologia só dá fora ultimamente!... Abraçou Ruth, passou-lhe a mão na cabeça, tomou um susto: -Querida, o que houve com o seu cabelo? Veio com a minha mão?!... -Espera, querido, deve ser a minha mini-peruca que eu coloquei mal... Na escuridão total, Pascoal apalpou mais aquele monte de cabelos, grande demais para ser uma mini-peruca, e, intrigado, resolveu acender a luz do abajur. -Merda! Oh desculpa, querida, mas agora estamos sem luz...Mas só faltava essa?!... E ela, assustada e aliviada ao mesmo tempo, tentando ser romântica: -Para quê luz, Pascoal...Nós não estamos aqui juntinhos... Pascoal a abraçou ternamente e suas pernas se entrelaçaram. -Pascoal, querido?... Na escuridão já não tão acentuada pelo acostumamento do olho, ambos podiam ver o vulto bem ao seu lado, não tão bem delineado como se aquela fosse uma noite de luar. -Sim, Ruth?... -Suas pernas estão diferentes, que engraçado...Ele não pode deixar de se lembrar da anedota do marido “jumento” na noite de núpcias, mas não era aquilo, bem sabia, e ficou sério e firme. -Diferentes, diferentes como? -Uma está fria e a outra está quente... -Deve ser porquê eu estava deitado de lado... -Estava?... Ué, mas se você estava deitado de costas, ainda agorinha...Não estava?... -Eu sou assim mesmo, a minha temperatura varia de acordo com a posição... -É que a sua perna esquerda está muito dura, como um pau, desculpa falar assim...ah! ah! ah!...Já a direita está normal, até fria... -Dura como um pau? V. não está pegando outra coisa, né, ah! ah! ah!?... -Pascoal! Não seja vulgar, sim? Ela se virou de costas, amuada. Ele aproveitou para massagear a sua perna direita, sempre fora muito friorento. Depois abraçou Ruth por traz e acariciou sua barriguinha. -Ruth, esta almofada está quente, gostosinha, será uma bolsa térmica, por acaso? Não está fazendo tanto frio aqui no quarto pra isso, não?... Ruth deu um repelão e afastou-se: -Com licença, amor, mas eu preciso ir ao toalete... E levantou-se às cegas no que achava ser o rumo do banheiro. Trancou a porta cuidadosamente, tateou no armarinho que exalava aquele cheiro de mofo e achou uma vela, acendeu o fósforo para verificar, com horror, que a bolsa estava quase totalmente cheia. Tratou de troca-la às pressas, limpou-se como pode, e borrifou generosamente uma água de cheiro, só para se tranqüilizar. Pascoal aproveitou para recolocar as dentaduras, que havia retirado apenas pelo velho hábito de muitos anos de solteiro. E mesmo nem tinha ali um copo com água... Ruth voltou para a cama, e os dois recomeçaram o que para eles era para ser uma lua de mel. Chovia torrencialmente, aqui e ali um raio clareava brevemente a câmara de amores, mostrando dois seres desajeitados tentando usar do pouco que sabiam. O sexo, afinal, para eles, era apenas uma grande necessidade mal suprida, instinto e desinformação, era um acontecimento, uma recompensa esperada ao custo de uma vida sofrida que, cada um, em seu próprio mundo, levara. A repressão de uma criação vitoriana, a repressão de qualquer expressão física ou mental de qualquer coisa que pudesse levar embutida uma possível conotação sexual, e a tácita e silenciosa reprovação da sociedade perante a própria aparência física daqueles dois quarentões, dois ícones de um breve contra a luxúria, aqueles dois estavam ali juntos, para tentar seguir viagem levando suas esperanças de permeio aos seus próprios desencontros – e desencantos. -Ruth? Ele a abraçava ternamente por traz. -Sim, amor? Ela estava meio sonolenta depois do ato sexual (hi!hi!hi!...), mas jubilosa, adorara. Seus parâmetros de comparação eram quase nulos, virgem que ainda era, mas seus receios não se haviam concretizado, afinal fora tudo tão bom...Nem tinha doído... -E aquela sua almofadinha, onde está? Não estou achando, caiu no chão? -Está aqui do meu lado, querido...Querido? Olha, a sua voz voltou ao normal, que bom, sua língua sarou?... Pascoal estava contente, depois de tanta expectativa, graças ao bom Jesus havia colocado a tal geléia na cabeceira...Sua esposa era virgem! Ele era um homem de muita sorte, encontrar uma criatura também virgem nos dias de hoje...Virou-se para o outro lado, curtindo – não era isso mesmo que se dizia, curtir? – o momento, suspirou de contentamento, ajeitou a cabeça no travesseiro e... ATCHIM! -Que foi, querido, resfriou-se? -Não creio, foi algo que roçou no meu nariz...Levantou a mão e encontrou acima do travesseiro a miniperuca da mulher. Mini? Aquilo era uma peruca inteira, mini coisa nenhuma... - Ruth...Mas que negócio é este, miniperuca é que isto não é...Voltou-se, esticou a mão, tenteando, subiu pelo ombro dela, pelo pescoço enrijecido, sentiu-lhe a orelha, subiu mais...Que diabos, quase parecia que estava apalpando uma bola de futebol, lisa e quase sem cabelos... Ruth estava petrificada. - Ruth...Mas V. é careca?...O que foi feito dos seus cabelos? V. usa peruca?...É isso? O silêncio era sepulcral dentro do quarto. Pascoal perplexo, atordoado, levantou-se da cama, para ir ao banheiro, onde mais? E na escuridão tropeçou na cadeira, estatelando-se no chão com grande estardalhaço. -Querido? V. se machucou?... Silêncio total. Pascoal esforçava-se para levantar, mas uma desgraça acontecera, e ele apalpava às cegas, não achava a maldita perna de pau que carregava com sacrifício há anos, as tiras que a prendiam ao coto deviam ter se rompido com a queda, de tão velhas, ele devia ter mandado checar aquele couro há tanto tempo seco...Forcejou para subir na cama, esticou a mão e encontrou a barriga da mulher. -Me ajude a levantar daqui, droga, faça alguma coisa...Ela nem protestou com a grosseria, continuou paralisada. Tentou abraçar o flanco dela, a mão escorregou, trouxe a almofada junta, estava quente, a maldita almofada...Sentiu algo pastoso na mão, algo viscoso, um cheiro insuportável e muito familiar, mas não numa cama... -O que é isso, pelo amor de Deus? Mas o que é isso?!... -Isso, o que? A pobre Ruth estava consternada, apavorada, arrasada e todos os outros adas que se queiram inserir aqui, apropriados para o momento. De súbito, a luz simplesmente voltou, e na probabilidade de 50% do liga e desliga frenético de Pascoal ao acionar o interruptor, quando a luz faltara, - bingo! - o danado ficara em “on”... A luz amarelada iluminou então um quadro dantesco: no chão, com uma perna só, a direita, a que era a fria, remava Pascoal, tentando limpar a mão cheia de merda no lençol. A outra perna, a que era a quente, a de pau, a esquerda, jazia deitada placidamente em frente à cômoda. Na cama, uma Ruth esvaindo-se pelo orifício da colostomia, soluçando perdidamente, uma figura de extraterrestre, com aquela cabeça redonda e lisa como uma bola de bilhar. Graças ao Deus misericordioso, na sua miopia, ela sequer podia ver a expressão estupefata de Pascoal. -V. devia ter contado para mim, Ruth! Devia ter contado... -Eu... Eu ia, mas não tive coragem...E V?...E esta perna de pau? Contra-atacou, porquê é uma perna de pau, não é? -E V. ainda me pergunta? Não está vendo ela ali?... -Ali onde?...Onde ela está?... -Onde? Mas V. é cega, Ruth? V. enxergava bem o bastante, o que diabos é isto, porra? Casei com outra?... -Não seja mal-educado, Pascoal! Eu uso lentes de contato... -Lentes? Mas devem ser antes telescópios...Ruth aí sentiu que tinha de replicar, o que fez, o que a deixou horrorizada, mas grasnou: -Ó Pascoal!!! E aquela sua perna descartável acolá, é de jacarandá ou de pinho vagabundo?... Pascoal parou de remar, ficou ainda mais apoplético: -Ah é, é?...E esta cabeça pelada, é uma nova moda em Paris, és transformista em boates gay ou o que?... -Seu boca de chupa ovo, como ousa? Ruth, passado o trauma daqueles momentos de revelação, estava agora toda arrepiada, mas de pura raiva, transtornada com tudo aquilo. Sempre fora humilhada, espicaçada, nunca reagira às ofensas que uma criatura mansa coleciona ao longo da vida. Mas agora, no momento mais importante de sua existência, corada e até esquecida do mau cheiro e da vergonha pela qual passava, descobria-se guerreira, levantava-se no púlpito de suas frustrações como uma leoa ferida. Pascoal apenas tentava manter as próprias mãos o mais longe possível do nariz. -Porisso que V. mancava quando passeávamos, e dizia que tinha uma perna mais curta que a outra! Mas que senhor mentiroso de marca!... -E a senhora, que fizesse dia frio ou dia de calor senegalês, sempre com aqueles casacos de grandes bolsos laterais, eu não entendia o porquê...Era pra botar os sacos de colostomia...Não é assim que se chamam?... -E o senhor, que um dia me aparecia com uma bela dentadura e no outro com a boca murcha, parecendo o seu avô... Agora entendo...Reparos e manutenção, não era?... -Dentadura não é crime, minha cara senhora! -Lentes de contato também não, caríssimo senhor... -E este troço aí na sua barriga?... Não me disse nada, não entrou no contrato de casamento pela janela! -Tenha piedade, mas é o roto falando do esfarrapado...Eu casei com um homem de duas pernas e que tem uma só, afinal!...Esta outra é a vice-presidente ou o que?... -Não debocha, Ruth, ninguém aqui está em condições de faze-lo! Agora, senhores, vamos dar uma pausa, o bastante para que Ruth e Pascoal, sobre organizar e limpar a confusão do quarto, lavar-se no chuveiro, ajeitar as cristas murchas do mútuo orgulho ferido possam sentar-se na beiradinha da cama, de mãos dadas, em frente à janela, aberta de par em par, silenciosamente contemplando o luar que agora reina esplêndido, e que consigam dizer alguma coisa que possamos ouvir... Mas, não; não mais haveremos de nos divertir maldosamente com as desventuras daquele casal... Afinal, o silêncio agora fala abundantemente pelos dois. As mãos ternamente entrelaçadas fazem todo um discurso. E, na verdade, não deveremos esperar mais nada que venha deles, que seja hilário o bastante para ser registrado. Sabem porquê?... Ambos sofreram, computadas suas vidas conturbadas, - e conviveram intimamente - com decepções e imprevistos terríveis, um com a amputação da perna depois de um atropelamento, e a perda total dos dentes, e a outra com um tumor maligno no intestino, o sofrimento de uma quimioterapia prolongada, com o ônus de uma calvície total, a bolsa de colostomia definitiva, sem nunca se animarem ou mesmo encontrarem um ouvido amigo onde desabafar suas mágoas, sem nunca se animarem a contar nada mesmo um para o outro, quando se conheceram; mas ambos sabiam da comunhão de sentimentos, com respeito ao fantasma da solidão, aquela impenetrável, acachapante, terrível sensação de se estar só, mesmo no meio de uma multidão. Aquela sensação de se estar impotente, voltado para um muro de cimento, úmido e sombrio, a sensação de fim de estrada percorrida. Sem esperanças no amanhã, sem poder ver a luz do dia, mesmo que o sol esteja brilhando sobre a sua cabeça. Um casamento, para os dois, representava uma porta de fuga tão sonhada. Eram, um para o outro, ao mesmo tempo barco e âncora, barco e porto. E foi por esta razão que aquele casal, carregando, um, uma perna de pau e uma dentadura postiça, e a outra uma peruca inteira, um saco de colostomia e um par de lentes de contato, conseguiu ultrapassar aquela inesquecível e dura prova e, bem, o que lhes posso dizer é que ficaram agarradinhos um ao outro até o fim de suas vidas, como o fazem um marisco e um rochedo, ou qualquer outra imagem poética que os senhores e senhoras aqui queiram agregar.

27 Julho 2007

Esforço profícuo SRebouças 1996

Formosa flor, flor airosa,
que te abres dengosa,
desdenhando o vaso
és flor rubra
tens o ar difuso
do excesso de uso...
e a boca charmosa se abre
formosa
e vem, hesitante,
em meio arfante
e cai, e jaz
molhada
sob a tampa agora fechada
- a fruta, nascida
do teu suor.