ROBERTO CARLOS E REGINA CASÉ : IMPERDIVEL!!!
http://www.youtube.com/watch?v=8x9rUJHHvtQ
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Casa da Çogra...Sim, minha senhora, eu sei que é sem cedilha e com 'S'...Mas já viu quanta coisa está errada à nossa volta?...A única coisa certa aqui é que não se paga para entrar. Aproveite! Daqui a pouco vão nos cobrar o ar que respiramos!... Em tempo, entendam que a Casa da Çogra é basicamente uma revista de variedades, assim deve ser lida. Coloque-a em sua área de trabalho e leia um pouco de cada vez.
http://www.youtube.com/watch?v=jmttwEHdfB0
http://tvuol.uol.com.br/permalink/?view/id=raul-seixas-entrevistado-por-nelson-motta-04023864E4B18346/user=ay7ag42ojqne/date=2009-07-28&&list/type=tags/tags=2106/edFilter=all/
A todos os meus que se foram, almas penadas ou não.
Mesmo que fossem almas penadas, eu as gostaria de ter em minha casa esta noite.
Mesmo que algumas delas não se falassem com outras, eu as queria a todas na minha casa..
Mesmo que algumas chegassem depois da hora em que os ponteiros se encontram, à meia noite, o que nelas sempre foi habitual;
Todas as minhas queridas almas penadas, eu as queria hoje à noite
em minha casa a celebrar comigo possivelmente:
A Paz que ninguém sabe onde anda, nem elas,
A Saúde que a gente deseja uns aos outros mas ninguém
sabe (nem elas) se a teremos – somos tão frágeis e indefesos...
A Alegria que teima em combater esta tristeza que a falta destas minhas almas penadas me faz...
Minhas almas penadas - algumas me estão ainda tão encrustadas na memória que as consigo ver nitidamente...
E não se diga que são almas que partiram recentemente.
Muitas passaram há muito tempo, e permanecem ocupando um lugarzinho claro no meu coração.
Outras permanecem na obscuridade, resmungando, umas por ciúmes, outras por temperamento.
Queria tanto que elas estivessem, não fisicamente, por impossível,
Mas envoltas em nuvens, chilreando como quem sorri e abençoa....Que saudades tenho de vocês...
Sergio Rebouças
Mais de uma vez me surpreendi com a minha absoluta falta de veneração ou respeito aos cemitérios.Já enterrei gente pobre amiga minha dentro de cemitério, em cova rasa....Já houve tempo em que me surpreendeu ver coveiros lanchando em marmitas junto a uma cova aberta, aguardando o morto...A contemplação de verdadeiros monumentos, estátuas de escultores renomados, 'mansões' de portas em ferro trabalhado, vitrais, anjos nas mais diversas posições, simulando aflição, desespêro, pranto.Mármores e granitos, quantos membros daquelas famílias existirão ainda hoje?...
Acredito que se fossem fazer uma chamada aos parentes daqueles enterrados - restos mortais - muito pouca gente responderia.
Eu sou firmemente adepto da cremação. Considero os cemitérios como cidades inertes dentro de uma outra, de dinamismo e vida...
Como médico, sei que a pessoa desencarnou naquele momento, e restou uma estrutura que imediatamente começa a entrar em decomposição.Aos parentes, uma mistura de dor e saudade, feridas que o tempo se encarrega de mitigar.O cerimonial do velório por si só já é uma excrecência, remonta às antigas impossibilidades de se afirmar se a pessoa era morta ou entrara em estado catatônico...Hoje os exames tornam proibitivo que se declare morta uma pessoa em estado catatônico ou em coma profundo.
A cremação é um bem: para a família, para a população, mas não para as Santas Casas e instituições similares de grupos raciais que vivem deste mercado tão necessário e repugnante.
A pessoa que morreu volatiliza-se e abandona aquele corpo sofrido e desgastado, que agora vai retornar ao nada - é apenas uma casca - a pessoa a que me refiro habitou aquele corpo físico, ao longo de seu período de vida, a ele integrado,mas tão logo é dada a declaração de morte, voa, para o alcance do Creador, sem mais, onde ficará aguardando uma nova missão.Se isso é espiritismo, então eu o sou. Minha família toda se dizia católica, muito poucos realmente praticantes.
Desculpem se decepcionei a alguém dentre vocês,mas estou sendo rigorosamente honesto dentro de mim.Fiquem todos com Deus e Jesus Cristo.Amem.
Há dias perdi uma grande,muito grande amiga, uma irmã, da mesma idade que eu,vítima de implacaveis metástases desta doença que precisava ser extinta do mapa de doenças que nos afetam...Impermeável a tanto sofrimento causado pela quimioterapia, gargalhando das alternativas terapêuticas possíveis, comendo a pessoa por dentro, devagar, ocupando território...Deus teve piedade, e resolveu seu quadro sem muito sofrimento - aliás o sofrimento fica aqui na Terra, para os que a amaram e viram nela um espírito especial.Ao que parece também foi misericordioso, enviando alento e confôrto aos filhos e netos e amigos.Eu devo ter sido o último a ser tocado por este conforto, mas peço desculpas a meus grandes irmãos e amigos, eu sofri esta dor por trajetos diversos em 2005.Mas, engraçado, ela era uma criatura inteiramente lúcida, ao contrário de minha mãezinha, vítimada pelo Alzheimer desde 1997.As ultimas palavras que Lili me disse ao telefone foram, dias antes de sua breve internação:
"Sérgio, eu te amo muito".Eu também, Lili, eu também...
Há mais um ano não escrevo neste blog. A cada dia deste ano inteiro minhas atenções foram voltadas para a própria saúde, há tres anos estou afastado do meu local de trabalho, as decepções de tanta safardinagem comendo solto, tanta molecagem com este bom povo brasileiro, humilde, cordato, honesto e trabalhador.Tanto dinheiro escorrendo entre os dedos gananciosos de quem achou o velo de ouro e se sente acima e infenso a punições.Tanta miséria na saúde, na instrução, na segurança...Tanta obra monumental sem nenhuma prioridade a ser concluida, montanhas de reais empenhados,Palácio Monroe, uma lindeza posta abaixo por causa do metrô - e na verdade era desnecessária tal demolição. Puseram abaixo o prédio da FACULDADE NACIONAL de MEDICINA e ao lado o da ODONTOLOGIA, edificações clássicas que qualquer europeu conservaria sem discutir....pra fazer o que em troca? NADA!Apenas muraram.
Há mais de um ano não escrevo neste blog...tanta imundície política, tanta insensibilidade, pra que escrever? É remar com um palito de fósforos...
Eu falo introspectivamente
Talvez contraproducentemente
Para gente que não se comoveu:
Para uma platéia que me não desmente
Embora esteja sempre presente
Simplesmente porquê ela sou apenas eu...
Fá-lo, este solilóquio, arrancado
Do fundo deste meu coração
Para um par de ouvidos embotado
Introspectivamente perdido
Na relojoaria do não
Da negativa padrão
Eu falho – que adianta reclamar?
Compulsivamente
Contra esta gente que
Atrabiliariamernte
Faz-me parecer um palhaço
Soliloquiadamente só.
Sergio Rebouças 31/01/2007
Quando eu penso que fumei ao longo de 51 anos...nunca tive problemas respiratórios, uma fome de leão, lá em casa os cinzeiros abundavam (que palavra mais feia, essa...), mas pouco se me dava com a literatura acerca dos males que o cigarro podia trazer. Aquelas hipócritas colocações escritas e gráficas de males possivelmente decorrentes do uso do cigarro, um resquício de mentalidade de falsidade/ditatorial vindo de um governo que abiscoita mais de 75% do valor de cada maço em imposto...
Visto do lado do fumante, o cigarro é um acompanhante, uma bengala, um apoio nos vários momentos porquê passamos...
Não nos incomodamos com os dedos manchados de nicotina, os dentes escurecidos, a boca amarga, que importa se o velho amigo está ao nosso lado? E que se não o deixe minguar no estoque, sempre um pacote na reserva! Os ouvidos moucos aos conselhos de "parar", risiveis e lamentáveis processos vigaristas como uma vez enfrentei num edifício comercial na Praia do Flamengo, um pseudo-consultório e aplicação única de uma "luz vermelha", uma nota preta pela consulta e a duração de tres dias dos efeitos da 'sugestão'...As reclamações inclusive, no consultório, por parte dos doentes na sala de espera - sim, pois eu, um médico, era fumante....e eu tentava disfarçar o clima com sprays anti-tabaco, mas as reclamações persistiam. 51 anos de fumante não se largam assim como quem salta do bonde...
No íntimo eu sabia que teria de haver um motivo muito forte para deixar o 'amigão' de lado...Eu não acreditava nas tais medidas de combate ao fumo, palestras, filmetes, conselhos....eu era um fumante viciado e como tal me reconhecia. Um belo dia concordei em me submeter a uma cirurgia videolaparoscópica de vesícula biliar com um colega do consultório - operação besta, eu via clientes que com 5 dias de cirurgia estavam indo a shoppings...ninguém me disse - "para de fumar durante algum tempo, cara..." Tudo acertado eu fui fumando para o Hospital Barra D'Or, tranquilão e assim segui para o Centro Cirúrgico, do qual nada me lembro. Anestesista porreta era aquele...a maioria que conheci deixava o paciente adentrar a sala de cirurgia acordadão, é mole? pra não iniciados na 'nobre arte' operatória, aquilo já valia por um pré-infarto...mas no meu caso eu já entrei dormindo.
Crente que operava de manhã, e à tarde ia pra casa, no dia seguinte acordei eram 6 horas, e levei o maior susto ao ver que eu estava num CTI...um senhor cheio de canos e balão de oxigênio á frente, outro coalhado de aparelhos de monitorização ao meu lado, uma cortina azul do outro lado...Foi então que eu senti uma dor forte no peito e chamei a enfermeira - que demorou a vir - pegou minha papeleta e disse que 'não havia nada receitado praquela dor' ( palavras textuais da anencéfala) Mandei chamar um médico e em resultado sugeriram um cateterismo coronariano - que é claro eu aceitei na hora. Depois do exame, fui recambiado para aquele simpático e aconchegante ambiente. No dia seguinte fui para um quarto comum. O diagnóstico era que eu sofrera um enfarte de uma das artérias coronarianas principais, da ordem de uns 40%. Recebi um cartão do chefe da clínica cardiológica e exigi, mais do que pedi, a minha alta hospitalar. Disseram-me para ir aquele consultório, também na Barra, dentro de uma semana e deram-me uma lista de uns oito medicamentos.
Fui ao tal consultório, que o dr. dividia com a esposa dermatologista, sala de espera para tres pessoas e a secretária esmigalhada a um canto, com monitor, telefone, fax e pastas diversas.
Uma enorme placa de acrílico ao fundo mostrava as especialidades de ambos e o que me chamou mais a atenção nela foi "DERMATOLOGIA CIRÚRGICA _ BOTOX"...
O cardiologista muito simpático fez emergir de sua impressora uma receita depois de me mostrar o cd do exame, e foi taxativo: "CIGARRO É INEGOCIÁVEL".Na receita constava o Isordil sub-lingual e a recomendação foi simples: "se tiver dor coloque um comprimido e aguarde 15 minutos; se não passar coloque outro, me telefone e rume para o Barra d'Or..(!!!)
Claro que quando eu cheguei ao térreo, meu espírito já me aguardava com cara de "viu?" e eu estava numa depressão tamanho família.Isto há 2 anos e 10 meses atrás. Estou em tratamento, passei por dois psiquiatras (?) até chegar neste atual, que é outro papo, além de combater em outras 3 frentes clínicas. Compreendi com uma situação - o infarto - e aquela frase singela "....inegociável"... que nada substitui este método de parar de fumar : o desejo de permanecer vivo.
É um subsídio para além de qualquer audio visual, aconselhamento, médico ou não, tratamentos que visam ao financeiro, v. se imbui da necessidade sem choro nem velas, e para.
Às vezes levemente, vem aquela vontade de acendeu unzinho, mas acreditem ou não, até hoje nem PEGAR num cigarro apagado eu peguei. E criei uma impaciência com cigarros e cinzeiros e isqueiros, e com o hálito forte de cigarro dos que falam próximo a nós...
Meu Deus, quanto me arrependo de não ter acreditado quando alguém na sala de espera reclamava que alguém estava fumando...Entre outras vantagens, a gente cria um faro de perdigueiro, os dentes livres de tártaro e claros, os dedos limpos e sem aquela morrinha de nicotina. A roupa da gente fica livre daquela impregnação, os cabelos, tudo melhora...até os pulmões. É como eu sempre acreditei: para deixar de fumar só um acontecimento muito forte, para criar a força mágica necessária. Eu passei por isto, eu sei que venci.
QUANDO EU ME LEMBRO QUE NO DIA DE ELEIÇÕES ME PASSAVA POR DENTRO UMA EMOÇÃO, UM SENTIMENTO INDESCRITÍVEL, UM SENTIMENTO DE QUE EU IA COLOCAR MAIS UM TIJOLINHO NO MURO DA DEMOCRACIA...POUCAS VEZES AS MINHAS ESCOLHAS FORAM EFETIVAMENTE AS DE UMA MAIORIA. UM DIA EU ENTENDI O PORQUÊ: AQUI NO BRASIL, VOTA-SE POR INTERESSES ESCUSOS OU IMEDIATISTAS MUITO ANTES DE QUE POR PATRIOTISMO OU CONVENIÊNCIA DA NAÇÃO OU DA REGIÃO. DEMOREI MUITO A APRENDER ESTA LIÇÃO. DEPOIS QUE EU APRENDI - HÁ ALGUM TEMPO - EU AINDA ERA OBRIGADO POR FORÇA DE LEI A IR VOTAR.
COM 71 ANOS COMPLETOS, EU NÃO MAIS VOU VOTAR. MEU PRIMEIRO VOTO NA VIDA FOI NO BRIGADEIRO EDUARDO GOMES, ÍCONE DA DIGNIDADE, TAL COMO O CASTELO BRANCO, ESTE, ESPÉCIME RARO DAQUELE GRUPO DE 64 DA DITADURA, MAS QUE ERA UM HOMEM DE RECHEIO.FOI ASSASSINADO(...), PORQUE SENTIRAM QUE SUA LIBERALIDADE DEMOCRÁTICA NÃO SERVIRIA À "LINHA DURA" DE ENTÃO. AS FORÇAS ARMADAS, QUE AUXILIARAM LACERDA NA LUTA CONTRA GETÚLIO NO SEU FINAL MELANCÓLICO DE LAMA, HOJE ESTÃO REDUZIDOS A TRES 'MAITRES' DO MINISTRO DA DEFESA, QUE ALIÁS NÃO DIFERENCIA UMA VARA DE PESCAR DE UMA BAZUCA.
HOJE AS FORÇAS ARMADAS ESTÃO DESQUALIFICADAS, SEM VERBAS, RELEGADAS AO PAPEL DE COADJUVANTES DOS POLÍTICOS.
QUE FAZEM AQUILO QUE SABEM FAZER DE MELHOR: ENGANAR NOSSO POVO.
ESTÃO AÍ TODAS AS CARTAS NA MESA: EPISÓDIOS COMPROVADOS PERANTE A PF E O MIN. PÚBLICO, RESMAS DE PAPEL, FITAS E DISQUETES, NEUTRALIZADOS IMPUNEMENTE PELA CANETA DE JUÍZES OS MAIS SUSPEITOS E DAS MANEIRAS MAIS SUSPEITAS. NUNCA SE USARAM TANTO AS GAVETAS COMO NESTES GOVERNOS DE FH E LULA. E AQUI E ALI ELES ENSAIAM CALAR A IMPRENSA DO BRASIL, E OS GOVERNOS DE EQUADOR, BOLÍVIA, PARAGUAI, COLÔMBIA E VENEZUELA - FORA CHILIQUES DA ARGENTINA - TROCAM CHILREIOS COM LULA E O AMORIM, PÉSSIMO CHANCELER.NÃO PARECE QUE GRANDES AQUI NA AMÉRICA DO SUL SOMOS NÓS; NOSSO GOVERNO É TATIBITATI NO TRATO COM OS NOSSOS INTERESSES DE POVO E COMO EXPORTADORES DE MÃO DE OBRA E TRABALHOS ESPECIALIZADOS."TOMO, OCUPO, NÃO PAGO, EXPULSO, PRENDO, RETENHO," O QUE É ISSO? SOMOS O QUÊ? PALHAÇOS DE CIRCO DE 3ª CATEGORIA? ISTO SEM MENCIONAR O MST COM UMA VERBA SUSPEITA, INVADINDO E QUEBRANDO, MOVIMENTANDO MILHARES DE PESSOAS COM UMA LOGÍSTICA DE TRANSPORTES E ALIMENTAÇÃO E ABRIGO DIGNOS DAS FORÇAS ARMADAS.
E ESTA BOSTALHADA DE IMPOSTOS SOBRE IMPOSTOS, E ESTES TANTOS ANOS SEM AUMENTOS DE VENCIMENTOS PRA ESTA ESCUMALHA DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS? E OS AUMENTOS PARA 'O ANDAR DE CIMA' AQUELES POBREZINHOS TÃO DESPROVIDOS DE RECURSOS ENQUANTO NÓS PASSEAMOS NAS RUAS TRANQUILOS, COM SEGURANÇA, BARRIGA CHEIA, DÓLARES NAS CUECAS E MALOTES...
ESTE NOSSO GOVERNO PRECISA RESPEITAR O BRASIL ANTES DE RESPEITAR OS DEMAIS PAÍSES SUL-AMERICANOS, SEJAM LÁ QUEM FOREM.
NÃO, EU NÃO VOTO MAIS; NEM PARA VEREADOR, DEP. ESTADUAL, FEDERAL, SENADOR, PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
COMO DIZEM OS NOBRES IRMÃOS GAÚCHOS: "DEU PRA TI, CHÊ"
Talvez os nudistas adorem esta foto, mas a nós outros, que nos escravizamos passivamente ao uso de indumentárias, do sapato ou sandalias e chinelos ao boné, toucas e chapéus, passando por calcinhas e cuecas, meias, camisas e camisetas, saias e blusas, lingeries, calças dos mais variados tipos, paletós, blazers e coletes, enfim todos os artigos listados no capítulo "indumentária masculina e feminina", parece-nos que a falta de roupas revela, acentua, aponta a imperfeição de nossos corpos, a falta de estética de uma bunda magra, de seios caídos, de uma barriga relaxada ou volumosa, ou aquele famoso revestimento pilífero que nos remete à associação com a família dos gorilas...as roupas são uma necessidade ESTÉTICA. Os nús artísticos são elaborados, os angulos cuidadosamente escolhidos, ao passo que o casal de frequentadores do museu mostra todas as suas deficiências estéticas, anatômicas, o que mais se possa imaginar. Vivam, pois, as roupas, o material que nos esconde as imperfeições, que possibilitam as fantasias....um enchimento aqui e acolá, uma roupa bem combinada, exalando um charme que muitas vezes inexiste...Não confundamos, por favor, aquelas fotos de modelos profissionais, corpos tratados nos detalhes e rostos idem, com as célebres fotos de uma colonia ou praia de nudismo...argh!...
23 de maio de 2008. Fazendo hoje 71 anos. Nada diferente nesta passagem de ano para mim, tão droga e banal quanto a passagem de ano do reveillon. Grandes merdas, continuo o mesmo, nada mudou, persiste apenas a dúvida, a grande dúvida, "até quando?"...
Quem olha para esta carinha linda não imagina a criatura diabólica que se esconde dentro dela...
Esta jovem combinou com o namorado - ou amante - e o irmão dele, o assassinato de seus pais.
(Dá-me ainda hoje ânsias de vômitos ao relembrar deste caso, mas é preciso fazer o comentário neste blog e eu o farei.)
Não sei qual o maior monstro nesta estória, se a filha que induziu os dois Cravinhos ao crime, se eles que aceitaram e executaram friamente o planejado. Motivo? obscuramente pelo dinheiro da família e um tosco plano da mentora deste crime hediondo para dele tomar posse.
Até hoje não me sai da lembrança a cena do crime: um quarto amplo de casal, uma tarde ensolarada, uma cama de casal onde seus pais tiravam a sesta, num segundo andar, e dormiam despreocupados, e a monstruosa 'filha' aguardando encostada à parede do corredor enquanto os dois se dedicavam a arrebentar o crânio do casal a golpes de barra de ferro.
A comprovação da autoria e o plano todo foi desvendado pela polícia com a maior facilidade. O julgamento realizado condenou-os a 39 anos de prisão. O fato desta condenação de 39 anos ultrapassar o limite dos 30, abre as portas para um novo julgamento, onde a pena certamente será diminuida, coitadinhos dos tres jovens, e mais adiante as nossas leis penais facultarão, sob pretexto de primariedade (nunca mataram antes, nem planejaram matar papai e mamãe antes), aliado a um excelente comportamento na prisão, mais o fato de 1/6 da pena cumprida e a prisão seguir para o regime semi-aberto...Meu Deus! Paula e Guilherme, matadores da filha da Glória Perez cumpriram uma pena ridículamente curta e não sei porquê cargas dágua suas folhas corridas estão limpas, mais limpas e alvas que véu de noiva. E os matadores de João Hélio, arrastado preso pelo cinto de (in) segurança de um carro roubado, ou vocês também já se esqueceram deste crime? e o indio pataxó churrasqueado em Brasília por uma malta de desocupados classe média alta? e agora a Simone? e tantos e tantos crimes que se chegados ao fim dos processos, as respectivas sentenças gargalham na nossa cara com penas debochativas.
Será preciso que alguém ocupando altos cargos de governo sofra na carne alguma coisa tão grave quanto estas, para que o elefante dopado da nossa justiça encontre forças para rever a legislação, eliminar benesses, enquadrar os criminosos em penas de fato duras, justas mas inflexíveis, fazendo com que os criminosos tenham o que merecem?
Eu estou farto de ver, ler, ouvir, histórias de crimes muito pouco punidos ou até nem punidos, estou farto de ver grassar a impunidade de mãos dadas com a impiedade de corruptos e corruptores, vamos dar um basta nesta nojeira. Tudo o que o povo exige neste campo é SEGURANÇA para ir aos guichês pagar em paz seus escorchantes impostos de cada dia.
A FRASE DO ANO DO MÉDICO DRÁUZIO VARELLA....... "No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas eles não se lembrarão para que servem".
É claro que depois de 456 vem 457, basta saber contar. Também 2007 e 2008 não fogem a esta regra. Mas não vamos estragar o anima esfusiante de um povo que ri até nas desgraças, abençado seja nesta sua índole santa!
BONECA SUECA: CONCORRÊNCIA DESLEAL? De origem sueca e feita de silicone... em tamanhos que variam de 1.50 a 1.75 m. A textura da pele detém aproximadamente 99,8% de semelhança com a pele humana; durabilidade de 2 anos sob regime de uso constante e diário; é completamente regulável, basta "colocar-lhe" na posição adequada e ela se acomoda. Tem 100 sensores espalhados pelo corpo, 30 apenas na zonas erógenas. Cada um dos sensores faz com que ela se movimente levemente de alguma forma, podem existir 20 combinações concomitantes. Ao ser penetrada, emite um som leve e macio que ecoa generosamente nos nossos ouvidos. Vem com sonorização embutida na garganta e reconhece até 16 comandos (Português está incluído) "extremamente personalizados" (máximo a 2,0m de distância dos seus "ouvidos"). Quando existe algum tipo de pulsação dentro das suas zonas erógenas, emite leves gemidos de estimulos. Além de tudo isso, "fica úmida" com facilidade... basta uma leve "mãozinha boba" passando sobre qualquer dos seus sensores. E o mais importante, tem "senha de uso". Vem uma instrução na caixa sugerindo guardar a senha muito bem guardada. Suas principais características: - 3 entradas operacionais (vagina, ânus e boca); - possibilidade de trocar a cabeça (para variar um pouco) - pode-se escolher a altura e o peso (7 tamanhos disponíveis) - as medidas (quadril-peito), cor da pele, dos olhos e cabelo ou dos pelos púbis (que podem ser até raspados), o tamanho da unhas e até a cor do baton, podem ser alterados. É só vantagens... NÃO É ELÉTRICA (o que é um alívio. Já pensou se na hora H entra em curto?) Não fala; Não fica menstruada; Não engravida; Não vê novela, nem se incomoda se estamos a ver futebol na TV; Não compra roupas nem sapatos; Não tem mãe (ISSO É MUITO IMPORTANTE); Não vai ao salão de beleza; Não tem dor de cabeça; Não nos acompanha na cervejada com os amigos; Não engorda nem envelhece etc... Repassando... O único inconveniente é que custa cerca R$ 14.000,00, mas não cobra pensão alimentícia...
Você aproveita a vida? É muito comum ouvir as pessoas, e principalmente os jovens,
dizendo que querem aproveitar a vida. E isso geralmente é usado como desculpa para eximir-se
de assumir responsabilidades. Mas, afinal de contas, o que é aproveitar a vida? Para uns é matar-se aos poucos com as comilanças, bebidas
alcoólicas, fumo e outras drogas. Para outros é arriscar a vida em esportes perigosos, noitadas
de orgias, consumir-se nos prazeres carnais. Talvez isso se dê porque muitos de nós não sabemos porque
estamos na Terra. E por essa razão desperdiçamos a vida em vez de aproveitá-la. Certo dia, um jovem que trabalhava em uma repartição
pública na companhia de outros colegas que costumavam
reunir-se todos os finais de expediente para beber e fumar
à vontade, foi convidado a acompanhá-los. Ele agradeceu e disse que não bebia e que também não lhe
agradava a fumaça do cigarro. Os demais riram dele e lhe perguntaram, com ironia, se a religião
não lhe permitia, ao que ele respondeu: “a minha inteligência
é que me impede de fazer isso". E que inteligência é essa que não lhe permite aproveitar a vida?
Perguntaram os colegas. O rapaz respondeu com serenidade: "e vocês acham que
eu gastaria o dinheiro que ganho para me envenenar?
Vocês se consideram muito espertos, mas estão pagando para
estragar a própria saúde e encurtar a vida, que para mim
é preciosa demais.
Observando as coisas sob esse ponto de vista, poderemos
considerar que aproveitar a vida é dar-lhe o devido valor. É investir os minutos preciosos que Deus nos concede em
atividades úteis e engrandecedoras. Quando dedicamos as nossas horas na convivência salutar
com os familiares, estamos bem aproveitando a vida. Quando fazemos exercícios, nos distraímos no lazer, na descontração
saudável, estamos dando valor à vida. Quando estudamos, trabalhamos, passeamos, sem nos intoxicar com drogas
e excessos de toda ordem, estamos aproveitando de forma inteligente
as nossas existências. Quando realmente gostamos de alguma coisa, fazemos
esforços para preservá-la. Assim também é com relação à vida. E não nos iludamos de que a estaremos aproveitando acabando com ela. Se você é partidário dessa idéia, vale a pena repensar com
seriedade em que consiste o aproveitamento da vida.
E se você acha que os vícios lhe pouparão a existência, visite
alguém que está se despedindo dela graças a um câncer
de pulmão, provocado pelo cigarro. Converse com quem entrega as forças físicas a uma cirrose
hepática causada pelos alcoólicos. Ouça um guloso inveterado que se encontra no cárcere da
dor por causa dos exageros na alimentação. Visite um infeliz que perdeu a liberdade e a saúde para as drogas
que lhe consomem lentamente. Observando a vida através desse prisma, talvez você mude o
seu conceito sobre "aproveitar a vida".
Você sabe que está chegando à meia-idade quando tudo dói e o que não dói não funciona. A gente chega à meia-idade quando fazer amor nos transforma num animal selvagem: uma preguiça... Meia-idade é quando sua idade começa a aparecer na cintura.Na meia-idade você ainda sente vontade, mas não lembra exatamente do quê. Meia-idade é quando você sente vontade de se exercitar e deita para esperar passar. Meia-idade é quando seu médico lhe recomenda exercício ao ar-livre e você pega carro e sai guiando com a janela aberta. Na meia-idade, jantares à luz de velas não são mais românticos porque não se consegue ler o cardápio. Meia-idade é quando um cara começa a apagar as luzes por economia, e não para criar um clima com você. Meia-idade é quando, em vez de pentear os cabelos, você começa a "arrumar" os que sobram.Infância: época da vida em que fazemos caretas para o espelho. Meia-idade: a época da vida em que o espelho se vinga. Há três períodos na vida: infância, juventude e "você está com uma aparência esplêndida". Está na meia-idade? Ânimo! O pior ainda está por vir!Você sabe que está na meia-idade quando tudo aquilo que a Mãe Natureza te deu o Pai Tempo começa levar embora. Meia-idade é quando paramos de criticar a geração mais velha e começamos a criticar a mais nova. Meia-idade é quando sabemos todas as respostas e ninguém nos pergunta nada. Meia-idade é quando se alguém dá em cima de você no cinema é porque está atrás da pipoca.Meia-idade: primeiro começa a esquecer os nomes, depois os rostos, depois de fechar o zíper. "Não há cura para o nascer e o morrer, a não ser saborear o intervalo".
O e-mail que me enviaram tinha imagens de um pobre coitado que se perdeu dos outros tres companheiros, na floresta onde haviam ido caçar. Os amigos cansaram de procura-lo e o remédio foi esperar amanhecer, talvez ele estivesse apenas perdido..."Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre." (Clarice Lispector)
Eu quisera que todos vocês se sentissem, súbitamente, imersos no mistério de luz e sombra, ao redor de seus copos louras lágrimas a escorrer, em suas mesas já tão marcadas e prostituídas nestas tantas noites, ao redor seus problemas, tão iguais, a percorrerem sentados o trottoir de suas decepções em luz e sombra, ouvindo a música romântica do piano de um cego...
"Anima vagula, blandula,
Hospes comesque corporis,
Quae nunc abibis in loca,
pallidula, rigida, nudula,
Nec, ut soles, dabis locos..."
Se alguém em desespero
Nada mais resta, senão o mudo contemplar
da passagem das alvoradas sucessivas.
Aqui e alhures, sofrida e invejada vai
a visão de uma imagem tripartida
em saudade, querença e agonia.
Em transe vai-nos a alma a transbordar dos olhos,
ignorada sempre, a tatear infinitos empós visagens,
aquelas perdidas imagens,
aqueles inaudíveis risos,
as esquecidas canções de ninar.
As rosas de ontem empalideceram, eis derrubado
o altar, imolou-se o corpo na pira do desencanto,
nada mais resta, senão contemplar a passagem
das alvoradas sucessivas...
Aqui entre pedras em íntimo contato com os espinhos
que restaram,
de ingênuas e esperançosas rosas,
poreja inutilmente este sangue quase desprezado,
a misturar-se às fezes, ao suor, à urina
para fabricar o transcendental adubo humano
a transbordar e a transformar novas rosas
renovadas em rubras alvoradas....
eis a imagem tripartida em saudade, querença e agonia,
única obsessão de quem se esqueceu dos sonhos da mocidade,
e recolhe, comovido, as últimas quimeras,
alisa já as primeiras rugas,
contempla os primeiros cabelos brancos,
e debruçado na janela conforma-se em apreciar
a passagem das alvoradas sucessivas.
("Humor cinza")
Eram, definitivamente, uma dupla à antiga, nestes tempos modernos. Ambos já haviam passado dos quarenta, ambos haviam sido submetidos a uma criação rígida, nunca lograram adaptar-se a estes modernismos dos jovens de hoje, como o tal de “ficar”, ao se conhecer numa festa, ou trocar de parceiros como quem troca de cuecas ou calcinhas, toda aquela facilidade de relacionamento entre pessoas que se sentem fisicamente atraídas, e este negócio de camisinhas e drogas usadas com tanta facilidade, para não mencionar o uso de um linguajar chulo, vazio e incompreensível.... Também não aproveitaram a sua época, em que Sida não representava mais que o apelido de uma pessoa, só que escrito com a inicial errada... Ambos, igualmente, não tinham parentes próximos, nem lá muitos amigos. Conheceram-se na fila do caixa de uma padaria, quando um pacotinho de presunto de Ruth caiu no sapato de Pascoal. E quando ela se abaixou para pega-lo, toda sem graça, ele parecendo nada perceber virou-se vivamente, para ajuda-la, crendo que escorregara, deu um passo à frente e o presunto voou longe. 200 gramas de presunto foram o pretexto para o início de uma conversação que foi parar num dos bancos da pracinha. Conversas estas que depois se repetiriam muitas e muitas vezes, só que com pipocas e sorvetes, ou algodão doce, nunca mais nada de futebol e presunto. Depois de alguns meses de segredinhos e confidências trocados, Ruth e Pascoal se pediram em casamento: isto mesmo, já que nenhum dos dois tinha a necessária coragem para dizer as palavras mágicas, os dois, cientes de que a idade estava avançando e o tempo ‘rugia’ para eles, fizeram o pedido estilo coral. Foi um lindo coral a duas vozes, aliás. Os passantes na praça que tiveram a sorte de ouvi-los, em grupo, aplaudiram delirantemente aqueles desconhecidos ternamente abraçados. Agora estavam ali, em plena lua de mel, naquele encantador chalé à beira de um rio, com um indefinível cheiro de coisa velha, de coisa guardada, de sapato mofado, ali em Petrópolis, generosamente emprestado pelo patrão de Pascoal; estavam ali, na coroação do passo mais importante de suas vidas, depois de dois anos de um namoro cerimonioso, quase secreto e um noivado hesitante e mutuamente expectante: afinal o casamento era um grande passo, um respeitável passo a ser dado. Uma grave responsabilidade que ambos assumiam! A vozinha dela soava-lhe como um gorjear de pássaros: -Querido, vou me trocar no banheiro, V. quer alguma coisa de lá? -Não, querida não preciso de nada, talvez depois... No que a porta se fechou suavemente, Pascoal ajeitou-se nos grandes travesseiros, e distraído retirou a dentadura dupla e a colocou na gaveta da mesinha do que já havia sido convencionado ser o seu lado da cama. Retirou com algum trabalho a calça e a trocou pela calça de pijama, amarrando bem o cordão. Ouviu o barulho da descarga, e sorriu. Ah! Os preparativos... Certificou-se que o lubrificante estava na gavetinha, desatarraxou a tampinha, furou a película protetora, já imaginou na hora agá ter de brigar com a bisnaga? Olhou em volta, aprovando o cenário, apagou a luz, e se enfiou debaixo das cobertas. Fazia um friozinho estimulante...
Ruth verificou se seu saquinho de colostomia estava vazio, ajustou bem a peruca, retirou as lentes de contato, sem as quais, aliás, não enxergava quase nada, apagou a luz do banheiro e entrou no quarto, de camisola comprida de lingerie e meias grossas nos pés. -Amor, V. apagou a luz? Aqui está tão escuro...Ela estava com dificuldades em simplesmente achar a cama de casal. -Apaguei, querida, mas se V. quiser eu acendo... -Não, não, eu só pensei...Tudo o que ela não queria agora era iluminação de qualquer natureza, imagina ficar pelada na frente do noivo, er,...marido?... Espere, onde V. está? E saiu tenteando na escuridão, para ela um breu duplo. -Aqui, bem, aqui...Me dá sua mãozinha...Está escuro mesmo, parece que vem chuva aí...Ela deu uns passos incertos, tropeçou e caiu para frente de joelhos, passando por cima da perna dele, toda desajeitada. - Oops! Isto deve ter machucado, pensou, mas ele não soltou sequer um ai. -Oh, querido, perdão, eu sou tão desastrada! -Desculpar? o que? V. estar nervosa?...Mas é natural...Vem aqui com seu Pascoal... -Não é nada, é que eu falo demais em certas ocasiões, deve ser mesmo nervosismo... -Não foi mesmo nada, me dá um beijinho...Beijos foram trocados, agora sem aquele recato e timidez de antes, era tão gostosa aquela sensação de posse que passava entre os dois, e depois de uma pausa arfante ele começou a dizer algo, um galanteio talvez, mas foi logo interrompido pela pergunta que inesperadamente vibrou na escuridão: -Pascoal? Que voz mais estranha esta sua?!....Está comendo algo?... -Não, querida, é que eu mordi a língua há pouco...Oh Ruth, isto é lá hora de se comer algo na cama?...Esta minha Ruth... -Desculpa, bem! Enfiou-se sob as cobertas e aconchegou-se ao abraço protetor do seu homem. -Que culpa, mea culpa, Ruth, acontece que eu me virei na cama e escorreguei o cotovelo na beira, e com o susto mordi a língua...Pascoal apreciava o zelo e o carinho da sua esposa. Bateu na barriga dela para tranqüiliza-la e foi quando sentiu algo mole, que mudava conforme apalpava, fugia para um lado e para o outro. O que diabos seria aquilo?... Ruth se apressou, antes que ele perguntasse: -Esta é uma almofadinha de estimação, sabe...Eu tinha de traze-la, vovó a usou, mamãe também, em suas luas de mel... -Mas que romântico isso...Deixa eu ver esta rica tradição familiar...Uma almofada nupcial... Nisso, raios e trovões fortíssimos atroaram os ares, iluminando a alcova através das cortinas, a janela se abriu com estrépito molhando o chão e lá se foi o Pascoal laboriosamente fecha-la. Ruth aproveitou para certificar-se de que a bolsa estava no lugar, ficou aliviada, mas não tanto, porque sentiu que ela começava a se encher... -Pronto! Mas que chuva, hein, querida, a meteorologia só dá fora ultimamente!... Abraçou Ruth, passou-lhe a mão na cabeça, tomou um susto: -Querida, o que houve com o seu cabelo? Veio com a minha mão?!... -Espera, querido, deve ser a minha mini-peruca que eu coloquei mal... Na escuridão total, Pascoal apalpou mais aquele monte de cabelos, grande demais para ser uma mini-peruca, e, intrigado, resolveu acender a luz do abajur. -Merda! Oh desculpa, querida, mas agora estamos sem luz...Mas só faltava essa?!... E ela, assustada e aliviada ao mesmo tempo, tentando ser romântica: -Para quê luz, Pascoal...Nós não estamos aqui juntinhos... Pascoal a abraçou ternamente e suas pernas se entrelaçaram. -Pascoal, querido?... Na escuridão já não tão acentuada pelo acostumamento do olho, ambos podiam ver o vulto bem ao seu lado, não tão bem delineado como se aquela fosse uma noite de luar. -Sim, Ruth?... -Suas pernas estão diferentes, que engraçado...Ele não pode deixar de se lembrar da anedota do marido “jumento” na noite de núpcias, mas não era aquilo, bem sabia, e ficou sério e firme. -Diferentes, diferentes como? -Uma está fria e a outra está quente... -Deve ser porquê eu estava deitado de lado... -Estava?... Ué, mas se você estava deitado de costas, ainda agorinha...Não estava?... -Eu sou assim mesmo, a minha temperatura varia de acordo com a posição... -É que a sua perna esquerda está muito dura, como um pau, desculpa falar assim...ah! ah! ah!...Já a direita está normal, até fria... -Dura como um pau? V. não está pegando outra coisa, né, ah! ah! ah!?... -Pascoal! Não seja vulgar, sim? Ela se virou de costas, amuada. Ele aproveitou para massagear a sua perna direita, sempre fora muito friorento. Depois abraçou Ruth por traz e acariciou sua barriguinha. -Ruth, esta almofada está quente, gostosinha, será uma bolsa térmica, por acaso? Não está fazendo tanto frio aqui no quarto pra isso, não?... Ruth deu um repelão e afastou-se: -Com licença, amor, mas eu preciso ir ao toalete... E levantou-se às cegas no que achava ser o rumo do banheiro. Trancou a porta cuidadosamente, tateou no armarinho que exalava aquele cheiro de mofo e achou uma vela, acendeu o fósforo para verificar, com horror, que a bolsa estava quase totalmente cheia. Tratou de troca-la às pressas, limpou-se como pode, e borrifou generosamente uma água de cheiro, só para se tranqüilizar. Pascoal aproveitou para recolocar as dentaduras, que havia retirado apenas pelo velho hábito de muitos anos de solteiro. E mesmo nem tinha ali um copo com água... Ruth voltou para a cama, e os dois recomeçaram o que para eles era para ser uma lua de mel. Chovia torrencialmente, aqui e ali um raio clareava brevemente a câmara de amores, mostrando dois seres desajeitados tentando usar do pouco que sabiam. O sexo, afinal, para eles, era apenas uma grande necessidade mal suprida, instinto e desinformação, era um acontecimento, uma recompensa esperada ao custo de uma vida sofrida que, cada um, em seu próprio mundo, levara. A repressão de uma criação vitoriana, a repressão de qualquer expressão física ou mental de qualquer coisa que pudesse levar embutida uma possível conotação sexual, e a tácita e silenciosa reprovação da sociedade perante a própria aparência física daqueles dois quarentões, dois ícones de um breve contra a luxúria, aqueles dois estavam ali juntos, para tentar seguir viagem levando suas esperanças de permeio aos seus próprios desencontros – e desencantos. -Ruth? Ele a abraçava ternamente por traz. -Sim, amor? Ela estava meio sonolenta depois do ato sexual (hi!hi!hi!...), mas jubilosa, adorara. Seus parâmetros de comparação eram quase nulos, virgem que ainda era, mas seus receios não se haviam concretizado, afinal fora tudo tão bom...Nem tinha doído... -E aquela sua almofadinha, onde está? Não estou achando, caiu no chão? -Está aqui do meu lado, querido...Querido? Olha, a sua voz voltou ao normal, que bom, sua língua sarou?... Pascoal estava contente, depois de tanta expectativa, graças ao bom Jesus havia colocado a tal geléia na cabeceira...Sua esposa era virgem! Ele era um homem de muita sorte, encontrar uma criatura também virgem nos dias de hoje...Virou-se para o outro lado, curtindo – não era isso mesmo que se dizia, curtir? – o momento, suspirou de contentamento, ajeitou a cabeça no travesseiro e... ATCHIM! -Que foi, querido, resfriou-se? -Não creio, foi algo que roçou no meu nariz...Levantou a mão e encontrou acima do travesseiro a miniperuca da mulher. Mini? Aquilo era uma peruca inteira, mini coisa nenhuma... - Ruth...Mas que negócio é este, miniperuca é que isto não é...Voltou-se, esticou a mão, tenteando, subiu pelo ombro dela, pelo pescoço enrijecido, sentiu-lhe a orelha, subiu mais...Que diabos, quase parecia que estava apalpando uma bola de futebol, lisa e quase sem cabelos... Ruth estava petrificada. - Ruth...Mas V. é careca?...O que foi feito dos seus cabelos? V. usa peruca?...É isso? O silêncio era sepulcral dentro do quarto. Pascoal perplexo, atordoado, levantou-se da cama, para ir ao banheiro, onde mais? E na escuridão tropeçou na cadeira, estatelando-se no chão com grande estardalhaço. -Querido? V. se machucou?... Silêncio total. Pascoal esforçava-se para levantar, mas uma desgraça acontecera, e ele apalpava às cegas, não achava a maldita perna de pau que carregava com sacrifício há anos, as tiras que a prendiam ao coto deviam ter se rompido com a queda, de tão velhas, ele devia ter mandado checar aquele couro há tanto tempo seco...Forcejou para subir na cama, esticou a mão e encontrou a barriga da mulher. -Me ajude a levantar daqui, droga, faça alguma coisa...Ela nem protestou com a grosseria, continuou paralisada. Tentou abraçar o flanco dela, a mão escorregou, trouxe a almofada junta, estava quente, a maldita almofada...Sentiu algo pastoso na mão, algo viscoso, um cheiro insuportável e muito familiar, mas não numa cama... -O que é isso, pelo amor de Deus? Mas o que é isso?!... -Isso, o que? A pobre Ruth estava consternada, apavorada, arrasada e todos os outros adas que se queiram inserir aqui, apropriados para o momento. De súbito, a luz simplesmente voltou, e na probabilidade de 50% do liga e desliga frenético de Pascoal ao acionar o interruptor, quando a luz faltara, - bingo! - o danado ficara em “on”... A luz amarelada iluminou então um quadro dantesco: no chão, com uma perna só, a direita, a que era a fria, remava Pascoal, tentando limpar a mão cheia de merda no lençol. A outra perna, a que era a quente, a de pau, a esquerda, jazia deitada placidamente em frente à cômoda. Na cama, uma Ruth esvaindo-se pelo orifício da colostomia, soluçando perdidamente, uma figura de extraterrestre, com aquela cabeça redonda e lisa como uma bola de bilhar. Graças ao Deus misericordioso, na sua miopia, ela sequer podia ver a expressão estupefata de Pascoal. -V. devia ter contado para mim, Ruth! Devia ter contado... -Eu... Eu ia, mas não tive coragem...E V?...E esta perna de pau? Contra-atacou, porquê é uma perna de pau, não é? -E V. ainda me pergunta? Não está vendo ela ali?... -Ali onde?...Onde ela está?... -Onde? Mas V. é cega, Ruth? V. enxergava bem o bastante, o que diabos é isto, porra? Casei com outra?... -Não seja mal-educado, Pascoal! Eu uso lentes de contato... -Lentes? Mas devem ser antes telescópios...Ruth aí sentiu que tinha de replicar, o que fez, o que a deixou horrorizada, mas grasnou: -Ó Pascoal!!! E aquela sua perna descartável acolá, é de jacarandá ou de pinho vagabundo?... Pascoal parou de remar, ficou ainda mais apoplético: -Ah é, é?...E esta cabeça pelada, é uma nova moda em Paris, és transformista em boates gay ou o que?... -Seu boca de chupa ovo, como ousa? Ruth, passado o trauma daqueles momentos de revelação, estava agora toda arrepiada, mas de pura raiva, transtornada com tudo aquilo. Sempre fora humilhada, espicaçada, nunca reagira às ofensas que uma criatura mansa coleciona ao longo da vida. Mas agora, no momento mais importante de sua existência, corada e até esquecida do mau cheiro e da vergonha pela qual passava, descobria-se guerreira, levantava-se no púlpito de suas frustrações como uma leoa ferida. Pascoal apenas tentava manter as próprias mãos o mais longe possível do nariz. -Porisso que V. mancava quando passeávamos, e dizia que tinha uma perna mais curta que a outra! Mas que senhor mentiroso de marca!... -E a senhora, que fizesse dia frio ou dia de calor senegalês, sempre com aqueles casacos de grandes bolsos laterais, eu não entendia o porquê...Era pra botar os sacos de colostomia...Não é assim que se chamam?... -E o senhor, que um dia me aparecia com uma bela dentadura e no outro com a boca murcha, parecendo o seu avô... Agora entendo...Reparos e manutenção, não era?... -Dentadura não é crime, minha cara senhora! -Lentes de contato também não, caríssimo senhor... -E este troço aí na sua barriga?... Não me disse nada, não entrou no contrato de casamento pela janela! -Tenha piedade, mas é o roto falando do esfarrapado...Eu casei com um homem de duas pernas e que tem uma só, afinal!...Esta outra é a vice-presidente ou o que?... -Não debocha, Ruth, ninguém aqui está em condições de faze-lo! Agora, senhores, vamos dar uma pausa, o bastante para que Ruth e Pascoal, sobre organizar e limpar a confusão do quarto, lavar-se no chuveiro, ajeitar as cristas murchas do mútuo orgulho ferido possam sentar-se na beiradinha da cama, de mãos dadas, em frente à janela, aberta de par em par, silenciosamente contemplando o luar que agora reina esplêndido, e que consigam dizer alguma coisa que possamos ouvir... Mas, não; não mais haveremos de nos divertir maldosamente com as desventuras daquele casal... Afinal, o silêncio agora fala abundantemente pelos dois. As mãos ternamente entrelaçadas fazem todo um discurso. E, na verdade, não deveremos esperar mais nada que venha deles, que seja hilário o bastante para ser registrado. Sabem porquê?... Ambos sofreram, computadas suas vidas conturbadas, - e conviveram intimamente - com decepções e imprevistos terríveis, um com a amputação da perna depois de um atropelamento, e a perda total dos dentes, e a outra com um tumor maligno no intestino, o sofrimento de uma quimioterapia prolongada, com o ônus de uma calvície total, a bolsa de colostomia definitiva, sem nunca se animarem ou mesmo encontrarem um ouvido amigo onde desabafar suas mágoas, sem nunca se animarem a contar nada mesmo um para o outro, quando se conheceram; mas ambos sabiam da comunhão de sentimentos, com respeito ao fantasma da solidão, aquela impenetrável, acachapante, terrível sensação de se estar só, mesmo no meio de uma multidão. Aquela sensação de se estar impotente, voltado para um muro de cimento, úmido e sombrio, a sensação de fim de estrada percorrida. Sem esperanças no amanhã, sem poder ver a luz do dia, mesmo que o sol esteja brilhando sobre a sua cabeça. Um casamento, para os dois, representava uma porta de fuga tão sonhada. Eram, um para o outro, ao mesmo tempo barco e âncora, barco e porto. E foi por esta razão que aquele casal, carregando, um, uma perna de pau e uma dentadura postiça, e a outra uma peruca inteira, um saco de colostomia e um par de lentes de contato, conseguiu ultrapassar aquela inesquecível e dura prova e, bem, o que lhes posso dizer é que ficaram agarradinhos um ao outro até o fim de suas vidas, como o fazem um marisco e um rochedo, ou qualquer outra imagem poética que os senhores e senhoras aqui queiram agregar.