Há dois tipos de pessoas: as que têm um grande amor pelas suas coisas, seus objetos, jóias relógios, quadros, móveis, etc; e aqueles que convivem com eles mas não se fissuram neles. Podem mudar de casa e deixar para trás recordações ('velharias') sem se importar, ou até vendem 'aqueles trastes' a qualquer preço.
Eu, infelizmente, pertenço ao primeiro grupo: sou daqueles que gostam de se sentir cercados de coisas que mesmo que não tanto agora, mas me despertaram algum interêsse, alguma cobiça, ou encerram uma lembrança gostosa, ou foram de alguém que partiu e nos deixou aquilo que foi durante algum tempo objeto de seu amor.Tenho em minha casa muita coisa que foi de minha mãe. Pensava que aquilo poderia me dar um sentimento dolorido de saudade, mas não. Parece que eu mantive, por estar comigo, algo daquela flama que tais objetos um dia despertaram em sua mente...
Muita coisa foi para leilão, muita coisa boa, inclusive jogos de chá de porcelana japonesa, chamada 'casca de ôvo', coisa impensável de ser usada, por tão frágil, havia um faqueiro completo enorme, muitos cristais,muita coisa linda de fato.
O leiloeiro vendeu tudo e aquilo rendeu uma quantia irrisória. Mas o que a gente queria mesmo era dar fim a tanta coisa que não teriamos mesmo como guardar.Enfim...
Compreendo essa tua faceta pois peco pelo mesmo. A minha casa está repleta de "trastes velhos" não só de família, como comprados. Por exemplo a mobilia da minha sala de jantar que é Henrique II toda cheia de entrançados e com as portas enfeitadas com dragões de cachos de uva nos dentes, já não se usavam quando os comprei. Porém era um amor antigo dos meus tempos de criança quando visitava uma senhora idosa da minha terra que tinha uns móveis assim. Quando encontrei os meus à venda nem olhei para trás. Segundo sei foram vendidos pelos netos dos donos depois de estarem fechados numa casa sem uso, durante 65 anos! Pelas minhas contas devem ter muito mais de 120 anos. O mesmo acontece com a minha cama e com outros objectos de que não sou capaz de me desfazer embora me digam que a minha casa parece um museu.
ResponderExcluirE não é gostoso, isto, amiga Susete? A gente não tem muitas referências duradouras, estas pequenas/grandes coisas que nos animam o ego, sim..
ResponderExcluirEu vi teu blog e as terras do teu coração. Transbordas emoção ao falar delas...Um grande beijo, e se puderes manda-me teu e-mail, para te enviar coisas curiodsas e interessantes. O meu é secoreb@uol.com.br
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