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07 dezembro 2006

Festas Sem Convivas (SRebouças)

Eu me recordo, nas décadas de 60 e 70, de minha avó materna, a dois dias antes do Natal,atracando-se na cozinha, com o forno, com as panelas e formas, com ingredientes os mais diversos,cozinhando castanhas, fazendo manjares, pudins, bolinhos de bacalhau, fios de ovos, perú, lombinho, todo um arsenal de gostosuras, enquanto meu avõ se encarregava da montagem da árvore de Natal, na sala.Uma enorme toalha vermelha - a mesa tinha várias tábuas p/extensão,a arrumação de todos os quesitos, tudo aquilo deixava a velha exausta...mas acima do suor que lhe escorria pela cabeça já de poucos cabelos, brilhavam seus olhos na expectativa da grande festa. Coitada, no dia de Natal estavam umas dez pessoas - os mais próximos - filhos, genros e netos, e o resto era um tal de entrar já declarando que "ainda tinham de ir a tres outros lugares, que chateação"...e neste entra e sai quando chegava a meia noite só nós da casa ali estávamos. Acabava sendo uma tristeza a muito custo disfarçada, pois a velha avó não merecia aquela migalha de gente. Também ela era exagerada, aliás sempre foi, mas dava raiva ver uma festa para muita gente e comida sobrando porquê aqueles parentes de merda tinham de brincar de saltimbancos...não fossem, então!

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