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31 dezembro 2006

fotos do Sergio

Dizem que há anjos, dizem que não há anjos; eu vou lhes fazer uma confidência: existe sim, de vez em quando eu reconheço um. Este, por exemplo. Posted by Picasa

Se vocês já lavaram... (SRebouças)

Se você já lavaram as mãos, venham logo lanchar com a gente...
Não sendo uma casa portuguesa - nem estando na Europa - não há vinho sobre a mesa ( a menos que viesse o querido Francisco José que já deve ter ido desta para a melhor...) nem cheirinho de alecrim. Mas pão, lá isto temos, e outras coisinhas, só não temos o queijo de ovelhas de Serpa, mas o nosso fornecedor informou que as ovelhas entraram em greve de desgosto por ter sido enforcado um colega delas....já outro fornecedor na mesma quadra - um é Benfiquista, o outro morre pelo Porto - disse-me que as ovelhas de Serpa, às escondidas de Susete, beberam de cair, comemorando...Beberam tanto que o leite usado pra fazer o queijo resultou numa pasta de alto teor alcólico....impróprio para consumo, exceto para os paus d'água da região. Posted by Picasa

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Abstrato de EU (SRebouças)

Este meu quadro deixou de ser apreciado pela sua dona em 1996 - minha genitora - cuja cabecinha a partir daí já não estava mais voltada para as coisas não vegetativas da Vida...Estava na sala, acima e atrás da TV, mas há muito não merecia sequer um olhar acariciante, um reconhecimento da imensa potencialidade artística de seu filho : EU...
A minha sorte é que as galerias não viram este abstrato - senão m'o tomariam à força, lançariam meu nome à mídia, entrevistas, reportagens, estrelato, comparações embaraçosas, tudo o que vem junto com as engrenagens financeiras adjuntas... Como, minha senhora? O que que eu quero dizer com este quadro? Eu não posso lhe dizer nada, senhora, é ou não uma química entre a senhora e o quadro...é gostar ou não, a interpretação é toda sua, entende? A isto se chama abstrato..

Minha última árvore (SRebouças)


Lembro de um Natal em que eu resolvi fazer uma decoração numa árvore, como se estivesse derramando flocos de neve; comprei vários pacotes de algodão, e mandei mãos à obra.
Depois de várias tentativas aquilo estava todo enrolado de 'cima a baixo'. Faltavam agora as luminárias, as bolas coloridas, a os bonequinhos, a estrela de Belém no topo da árvore. Diga-se que eu já estava porrrr aqui com a tal árvore. Infelizmente eu fazia minha obra de arte na varanda; um vizinho viu aquilo e nem me perguntou nada - ecos da discussão que eu tivera com a minha mulher - chamou a ambulância, alarmado. Ela veio, ninguém me perguntou nada, colocou a vítima numa maca e levou pro hospital...nunca mais tentei decorar árvores de Natal.

Paz,Saúde e Alegria (SRebouças)





31/12/2006

A todos os meus que se foram, almas penadas ou não.
Mesmo que fossem almas penadas, eu as gostaria de ter em minha casa esta noite.
Mesmo que algumas delas não se falassem com outras, eu as queria a todas na minha casa..
Mesmo que algumas chegassem depois da hora em que os ponteiros se encontram, à meia noite, o que nelas sempre foi habitual.
Todas as minhas queridas almas penadas, eu as queria hoje à noite
em minha casa a celebrar comigo possivelmente:
A Paz que ninguém sabe onde anda, nem elas,
A Saúde que a gente deseja uns aos outros mas ninguém
sabe (nem elas) se a teremos – somos tão frágeis e indefesos...
A Alegria que teima em combater esta tristeza que a falta destas minhas almas penadas me faz...
Minhas almas penadas - algumas me estão ainda tão encrustadas na memória que as consigo ver nitidamente...
E não se diga que são almas que partiram recentemente.
Muitas passaram há muito tempo, e permanecem ocupando um lugarzinho claro no meu coração.
Outras permanecem na obscuridade, resmungando, umas por ciúmes, outras por temperamento.
Queria tanto que elas estivessem, não fisicamente, por impossível
Mas envoltas em nuvens, chilreando como quem sorri e abençoa....Que saudades tenho de vocês!...

30 dezembro 2006

Mais uma morte, apenas (SRebouças)

Abro o noticiário e vejo a concretização do enforcamento de Saddam.Não há júbilo, nem alívio, nem comiseração em mim. Porquê sei que as desgraças não vão parar por aí.
Após sua morte, outra explosão com 16 vítimas inocentes, em Bagdá.
E quantas mais virão, a se somarem a tantas e tantas, no tempo do esplendor de seu 'governo' antes de ser o ditador preso - então por perseguição política, repressão de suas milícias,sem esquecer de seus dois filhinhos, calígulas sem trono, que fatalmente sucederiam a ele.Não há júbilo, nem alívio, nem comiseração em mim.
Olho, compadecido, para aquela região onde a paz parece a cada dia mais distante. Por trás de tudo o vil metal, as reservas de petróleo, os interesses políticos de Bush e sua cambada de chicleteiros.Que encostam as cabeças em seus travesseiros e conseguem dormir em paz.E o sangue jorra sobre a terra, o sangue de velhos, homens, mulheres e crianças se mistura às lágrimas, iraquianas e americanas, e às nossas também, toda esta gente deste pobre planeta que abomina as guerras e os métodos tortos de perpetuar o inferno.

29 dezembro 2006

Uma consideração pertinente (SRebouças)

É interessante, esta é uma casa antiga...mas é de tal forma protegida por grades...e nós, aos dias de hoje, vemos as ruas, os edifícios e casas cobertas de grades...para fugir ou tentar fugir da marginalidade...seria apenas uma finalidade decorativa de então? Se era, palmas a quem as concebeu pelo fino gosto.

fotos do Sergio

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Mais uma casa velha, abandonada e sem trato, mas paradoxalmente ostentando uma janela de alumínio...sinal de que recentemente alguém fez uma tentativa de melhorias...Tem linhas nobres esta casa, deve ter tido sua época de ouro, como toda a casa que não é desde cedo casebre de favela...

28 dezembro 2006

fotos do Sergio

 



Mais um dia de trabalho que termina...bom para uns, normal para outros, ruim para grande parte, sujeita às filas, a viajar em pé, enfrentar engarrafamentos monstros, com fome e com sede, e agora uma outra modalidade: marginais deram de incendiar coletivos e impedir a saída da maioria...resultado: inúmeros carbonizados. Enquanto isso a Justiça permanece como se nada houvesse...Com este código penal hilariante e a chusma dos 'defensores dos direitos humanos'... Posted by Picasa

fotos do Sergio





A isto se chamaria uma paisagem antiga; no meio de tudo, o cinzeiro, o maço de cigarros e o isqueiro...isto para não se falar das famosas fotos com o cigarrito na boca, o olho apertado pela fumaça, ou então, aí autoritario, na mão, mas exigindo logo outra viagem à boca, que os pulmões ávidos esperam... Posted by Picasa

Orem como quiserem...a Deus...(foto SRebouças)

Pé ante pé... (SRebouças)

Britta Lamberty, esta adorável criança, me lembra a trajetória do casadacogra.blogspot.com...já começa equilibrada em arame farpado...
foto web

27 dezembro 2006

A minha Decepção Maior... (SRebouças)

"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem."
(Mário Quintana)

A minha decepção é abrir este meu blog e constatar a ínfima quantidade de comentários, quiçá visitas, feitas a ele.Tanto carinho, tanta preocupação em diversificar assuntos, para obter em resposta quase nada. Resultado: faço discursos para a platéia de um só, que sou eu...Escrevo muito mais em blogues dos outros do que aqui. Nos comentários que neles faço estão indicados sempre os caminhos da www.casadacogra.blogspot.com
E a turma neca! Preguiça? Timidez? Desprezo? Não sei.
Parodiando o grande Mario Quintana:
"Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a escrever e não escrevem?"

25 dezembro 2006

fotos do Sergio

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Compensações (SRebouças) foto ídem




Para você que não tem um pequeno jardim, vasos na amurada da varanda, (vasos firmemente colocados, sem o perigo de cair lá embaixo na cabeça de um passante), ou se v. simplesmente tem se contentado com plantas artificiais - que não dão trabalho, não têm de ser adubadas, apenas v. tem de lavar com detergente de vez em quando pra limpar os cocôs das moscas...eu te ofereço esta foto, esta salada de frutas da Mãe Natureza.Feliz 2007!

23 dezembro 2006

Horácio e Maria Helena (Veríssimo)






- Vai, Horácio. Toma logo!!!

- Eu não tomo nada sem antes ler a bula. Cadê meus óculos?

- Pendurados no seu pescoço.

- Isso é ridículo, Maria Helena. Ridículo.

- Então todos os homens da sua idade são ridículos. Porque todos
estão tomando. E não me puxa esse lençol, fazendo o favor. Olha aí
o bololô que você me faz nas cobertas.

- A humanidade conseguiu crescer e se multiplicar durante milênios sem
isso. Nós dois crescemos e nos multiplicamos sem isso. Taí o Pedro
Paulo, taí o Zé Augusto que não me deixam mentir.Fora aquele aborto
que você fez.

- Horácio, eu não vou discutir isso com você agora. Toma logo esse
negócio.

- Isso aqui faz mal pro coração, sabia? Um monte de gente já morreu
tentando dar uma trepadinha farmacêutica.

- Foi por uma boa causa. E não faz mal coisa nenhuma. Só pra quem é
cardíaco e toma remédio. Você não é cardíaco. Nem coração você
tem mais.

- Não começa, Maria Helena, não começa.

- Pode ficar sossegado que você não vai morrer do coração por causa
dessa pilulinha. Eu vi num programa do GNT um velhinho de 92 anos que
toma isso todo dia.

- Sério?

- Preciso de sexo, Horácio.

- Mas hoje é segunda, Maria Helena...

- Quero trepar. Foder. Ser comida por um macho de pau duro.

- Francamente, Maria Helena, que boca. Parece que saiu da zona.

- Quero ser penetrada, quero gozar.

-O sexo é uma ditadura, Maria Helena. A gente tá na idade de se livrar
dela.

- Saudades da dita dura. Olha só, você me fez fazer um trocadilho de
merda.

- Além do mais, Maria Helena, nós já tivemos um número mais do que
suficiente de relações sexuais na vida, por qualquer padrão de
referência, nacional ou estrangeiro. A quantidade de esperma que eu
já gastei nesses anos todos com você dava pra encher a piscina aqui
do prédio.

- Com o esperma que você ordenhou manualmente, talvez. O que o senhor
gastou comigo não daria nem pra encher o bidê aqui de casa. Um
penico, talvez. Até a metade.

- Maria Helenaaaa.........

- E faz quase um ano que não pinga uma gota lá dentro!

- Sossega o facho, mulher. Vai fazer ioga, tai chi chuan. Já ouviu
falar em feng shui, bonsai, shiatsu? Arranja um cachorro. Quer um
cachorro? Um salsichinha?

- Quero um salsichão, Horácio. Olha aí: outra piadinha infame.

- É porque você está com idéia fixa nessa porcaria.

- Que porcaria?

- O sexo, Maria Helena, o sexo.

- Sabe o que mais que deu naquele programa sobre sexo, Horácio?

- Não estou interessado.

- Deu que as mulheres com vida sexual ativa têm muito menos chance de
ter câncer. É científico.

- Come brócolis que é a mesma coisa, Maria Helena. Protege contra tudo
que é câncer. Também é científico, sabia? E puxado no azeite, com
alho, fica uma delícia.

- A que ponto chegamos, Horácio. Eu falando de sexo e você me vem com
brócolis puxado no azeite!

- Com alho.

- Faça-me o favor, Horácio!

- Maria Helena, escuta aqui, você já tem 50 anos, minha filha, dois
filhos adultos, já tirou um ovário, já...

- Não fiz 50 ainda. Não vem não. E o que é que filho e ovário têm
a ver com sexo?

- Mari a Helena, me escuta. Depois de uma certa idade as mulheres não
precisam mais de sexo.

- Ah, não? Quem decidiu isso?

- Sexo nessa idade é pras imaturas. Pras deslumbradas, pras iludidas
que não sabem envelhecer com dignidade.

- Prefiro envelhecer com orgasmos.

- O que é que o Freud não diria de você, Maria Helena.

- E de você, então, Horácio? No mínimo, que você virou gay depois
de velho. Boiola.

- Maria Helena! Faça-me o favor. Eu tenho que ouvir isso na minha
própria casa, na minha própria cama, diante da minha própria
televisão?

- Aliás, gay gosta de trepar. É o que eles mais gostam de fazer. Você
virou outra coisa, sei lá o quê. Um pingüim de geladeira, talvez

- Maria Helena, dá um tempo, tá? Tenho mais o que fazer.

- Fazer? Essa é boa. O que é que um funcionário público aposentado
com salário integral tem pra fazer na vida, posso saber?

- Sem comentários, Maria Helena, sem comentários.

- Tá bom, sem comentários. Bota os óculos e lê duma vez essa bendita
bula.

- Só que precisa de dois óculos pra ler isso. Olha só o tamanhico da
letra. Se é um negócio pra velho, deviam botar uma letra bem grande.
Pelo menos isso... Vira o foco do abajur para cá... assim...
melhorou...Abaixa essa televisão também. Não consigo me concentrar
ouvindo novela. Mais. Mais um pouco.

- Pronto, patrãozinho. Sem som. Vai, lê duma vez.

- O princípio ativo do medicamento é o citrato de sildenafil.

-Sei.

- Veículos excipientes: celulose microcristalina...

- Celulose vem da madeira. Pau, portanto. Bom sinal.
- Onde foi parar a sua pouca educação, Maria Helena?

- Vai lendo, Horácio. Depois conversamos sobre a minha pouca
educação.

- Cros... camelose sádica. Croscamelose. Castrepa, Maria Helena.
Recuso-me a tomar um troço com esse nome. Deve ser alguma secreção
de camelo. Se não for coisa pior.

- Não é camelose. Num tá vendo aí? É caRmelose. Deve ser algum
adoçante artificial. Pro seu pau ficar doce, meu bem.

- Putz. Só rindo mesmo. A menopausa acabou com a sua lucidez, Maria
Helena.

- Troco toda a lucidez do mundo por um pau tinindo de tesão por mim.

- Absurdo, absurdo.

- Que mais, que mais, Horácio?

- Dióxido de titânio.

- Ah, titânio. Pro negócio ficar bem duro.

- Indigo carmim...

- Indigo? Deve ser o que dá o azul da pilulinha.

- Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Maria Helena?

- E daí, se deixar? Você não sai por aí exibindo o seu pênis, que
eu saiba. Ou sai?

- Mas, e se eu for a um mictório público? O que é que o cara ao lado
não vai pensar do meu pinto azul?

- Diz que você é um alienígena, ora bolas. Que o seu corpo está
pouco a pouco se adaptando à Terra, que ainda faltam alguns detalhes.
Ou explica que você é um nobre, de sangue e pinto azul. Ou não diz
nada, ora bolas. Acaba de mijar, guarda o pinto azul e vai embora, pô.

- Escuta. Agora vem a parte que explica como esse petardo funciona.

- Isso. Quero ver esse petardo funcionando direitinho.

- Presta atenção. "O óxido nítrico, responsável pela ereção do
pênis, ativa a enzima guanilato ciclase, que, por sua vez, induz um
aumento dos níveis de monofosfato de guanosina cíclico, produzindo um
relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis e
permitindo assim o influxo de sangue". Cacete. Corpos cavernosos. Já
pensou, Maria Helena? Corpos cavernosos sendo inundados de sangue? Puro
Zé do Caixão.

- Corpo cavernoso só pode ser herança do homem das cavernas. Vocês
homens evoluem muito lentamente.

- Pára de viajar, Maria Helena. Parece que fumou maconha.

- Não era má idéia. Pra relaxar. Vou roubar do Pedro Paulo. Eu sei
onde ele esconde. Podíamos fumar juntos.

- Eu já tô relaxado. Tô até com sono, pra falar a verdade.

- Lê, lê, lê, lê aí. ....Você já dormiu tudo a que tinha direito
nessa vida.

- Vou ler. "Todavia, o sildenafil não exerce um efeito relaxante
diretamente sobre os corpos cavernosos..

- Não?

- Não, Maria Helena. Ele apenas "aumenta o efeito relaxante do óxido
nítrico através da inibição da fosfodiesterase-5, a qual" - veja
bem, Maria Helena, veja bem - "a qual é a responsável, pela
degradação do monofosfato de guanosina cíclico no corpo cavernoso?".
Ouviu isso? Degradação, Maria Helena. Dentro dos meus próprios corpos
caverno sos. Degradante..

- Degradante é pau mole.

- Olha o nível, Maria Helena, olha o nível. Vamos ver os efeitos
colaterais. Olha lá: dor de cabeça. Você sabe muito bem que se tem
uma coisa que eu não suporto na vida é dor de cabeça.

- Na cultura judaico-cristã é assim mesmo, Horácio. Pra cabeça de
baixo gozar, a de cima tem que padecer.

- Não me venha com essa sua erudição de internet, Maria Helena.
Estamos off-line.

- Deixa de ser criança, Horácio. Se der dor de cabeça você toma um
Tylenol, reza uma ave-maria, canta o "Hava Naguila' que passa.

- Outro efeito colateral: rubor. Rá, rá. Vou ficar com cara de quê,
Maria Helena? De camarão no espeto?

- Se for camarão com espeto, tá ótimo. Que mais, que mais?

- Enjôos. Ó céus. Enjôos...

- Você sempre foi um tipo enjoado, Horácio. Ninguém vai notar a
diferença.

- Vamos ver o que mais... hum... dispepsia. Que lindo. Vou trepar
arrotando na sua cara.

- Você me come por trás. Arrota na minha nuca.

- É brincadeira... É essa a sua idéia de amor, Maria Helena?

- Isso não tem nada a ver com amor, Horácio. Já disse: é profilaxia
contra o câncer. E arrotar, você já arrota mesmo o dia inteiro, sem
a menor cerimônia. Na mesa, na sala, em qualquer lugar.

- Como se você não arrotasse, Maria Helena.

- Mas não fico trombeteando os meus arrotos. Isso é coisa de machão
broxa. Em vez de trepar com a esposa, fica arrotando alto pra se sentir
o cara do pedaço.

- Como você é simplória, Maria Helena, como você é... menor.
Desculpe, mas acho que o seu cérebro anda encolhendo, sabia? Ou
mofando. Ou as duas coisas.

- Vai, Horácio, chega de conversa mole. E de pau idem. Pula os efeitos
colaterais.

- Como, "pula os efeitos colaterais"? É porque não é você quem vai
tomar essa meleca, né? Vou ler até o fim. Os efeitos colaterais são
a parte mais importante. Olha lá: gases. Que é que tá rindo aí?

- Do efeito cu-lateral. Desculpa. Esse foi de propósito. Não
agüentei.

- Admiro seu humor refinado, Maria Helena. Torna você uma mulher tão
mais sedutora, sabia?

- Obrigada, Horácio. Agora, quanto aos seus gases, pode relaxar o
esfíncter, meu filho. Numa boa. Tô tão acostumada que até sinto
falta quando estou sozinha. Sério. Fico pensando: Ah, se o Horácio
estivesse aqui agora pra soltar uma bufa de feijoada com cerveja na
minha cara...

- Maria Helena, qualquer dia você vai ganhar o Oscar da vulgaridade
universal.

- Vou dedicar a você.

- Vamos ver que mais temos aqui em matéria de efeitos colaterais. Ah!
Congestão nasal. Que gracinha. Vou ficar fanho, que nem o Donald.
Qüém, Quém. Qüém.

- Um pateta com voz de pato. Perfeito.

- Ridículo. Absurdo. Idiota.

- Ridículo você já é, Horácio. E quem não é? Além do mais, é
só calar a boca que você não fica fanho.

- Ah, tá. E se eu quiser falar alguma coisa na hora?

- Você não diz nada de interessante há mais de dez anos, Horácio.
Vai dizer justo na hora de trepar?

- Eu não nasci para dizer coisas interessantes a você, Maria Helena.

- Já percebi.

- Hum. Ouve só: diarréia!

- Quê?

- É outro efeito colateral dessa bomba aqui. Fala sério, Maria Helena.
Isto aqui é um veneno. Não sei como eles vendem sem receita .

- Deixa de ser pueril, Horácio. Magina se alguém vai ter todos os
efeitos colaterais ao mesmo tempo. No máximo um ou dois.

- A caganeira e os arrotos, por exemplo? Ou a ânsia de vômito e os
gases?

- Faz um cocozinho o antes. Pra esvaziar. agora, Horácio. Eu espero.

- Eu não estou com vontade de fazer cocozinho nenhum, Maria Helena.
Faça-me o favor. E olha aqui, mais um efeito colateral: visão turva.

- Você bota os seus óculos de leitura. E que tanto você quer ver que
já não viu?

- Maria Helena, você não entendeu? Essa droga perturba seriamente a
visão. Vou ficar cego por sei lá quantas horas, quantos dias. E tudo
por causa de uma reles trepadinha? E se a minha visão não voltar? Vou
andar de bengala branca pro resto da vida?

- Pode deixar que eu guio a sua bengala, Horácio. Olha, pensa no lado
bom da cegueira: você vai poder me imaginar 20 anos mais moça.
Trinta, se quiser.

- Maria Helena, desisto. Não vou tomar essa porcaria e tá acabado.

- Dá aqui essa cartela, Horácio. Abre a boca. Pronto. Engole. Olha a
água aqui. Isso. Que foi? Engasgou, amor?! Tosse pra lá, ô! Me
borrifou toda! Que nojo! Quer que bata nas suas costas? Ai, meu Deus!
Horácio? Você está bem? Respira fundo! Isso, isso... E aí, amor?
Melhorou? Morrer afogado num copo d'água ia ser idiota demais, até
prum cara como você.

-Arrr! E com essa pílula monstruosa entalada na garganta, ainda por
cima! Ufff! Me dá mais água!!!

- Quanto tempo isso aí demora pra bater?

-Isso aí o quê?

- A pílula, Horácio, a píluIa.

- E eu sei lá?

- Vê na bula, Horácio.

- Hum... tá aqui: 30 minutos.

- Ótimo. Dá tempo de ver o fim da minha novela...

BARROS, UM VELHO ( sergio rebouças )




Movimentou-se desconfortavelmente na cadeira, ao ouvir aquela pergunta, tantas vezes formulada.
V. acha, não, espera aí, me fala a verdade meu amigão, v. acha que está ficando velho?... Quer dizer, um velho mesmo?...No duro?...

Não, pensou ele, não acho, só tenho certeza, contemplando as próprias mãos pousadas na mesa do bar. Aquelas mãos, outrora bonitas, fortes e quadradas, “as mais bonitas mãos de homem que ela já vira”, dissera uma vez Lili Abelha, uma sofrida lésbica sua velha conhecida, há muitos anos atrás.Que fim teria levado aquela figuraça?...
Agora, os dedos torciam-se em torno do seu eixo, os nós engrossados, a mesma artrite deformante que sua avó tivera e da qual tanto sofrera.
Mas seu interlocutor insistiu. Era tão velho quanto ele, e tossia regularmente, uma tosse seca, irritante, embora não deixasse de pitar seu cigarrinho.
Mais ou menos, respondeu, só para dizer alguma coisa.
Estava mais disposto a meditar que conversar. Há algum tempo começara a se dar conta das impossibilidades que vinham ferir seu ego, a dificuldade cada vez maior em se levantar de uma poltrona, de andar mais depressa, de raciocinar mais rápido, de achar graça em bobagens, de se manifestar mais pacientemente sobre algo que o contrariasse. Estava cada vez mais propenso a ficar em casa, já não gostava tanto de sair, visitar os poucos amigos...Era tudo tão mais difícil, tão dura e exasperantemente mais difícil! Sentia-se uma múmia em processo final de embalsamamento.
A coluna lombar, dantes ignorada, agora gritava desaforada a sua presença, e às vezes só se calava à força de relaxantes musculares.
Os olhos o enganavam, traziam-lhe imagens que ele sabia não estar ali, a misturar-se com lágrimas inoportunas, seja porque os olhos eram agora emoldurados por pálpebras eternamente inflamadas, seja por um sentimento pungente de saudade, que não ousava confessar.
Um lenço, um par de óculos, seus comprimidos sublinguais para a angina, a carteirinha do plano de saúde (caro, muito caro, mas que ele não podia deixar de pagar, senão nunca mais conseguiria ingressar e pagar um outro), eram seus companheiros obrigatórios, junto com o vale transporte e o parco dinheirinho de bolso, se se arriscava a ir ao bar do Malaquias, sua única fonte de entretenimento, como agora.

Voltou a prestar atenção no amigo.
...e o Aristides, veja só, o Aristides! Agora está muito feliz, transando com a sua eterna e conformada noivinha quase todos os dias... Adaptou-se, agora vira pra cá, vira pra lá, não tem mais o vamos fazer uma força e se der....
Não estava entendendo aquilo, o Aristides, diabético grave, há muito não sabia o que era uma relação sexual...
Estás falando do nosso Aristides? Adaptou-se? Vira pra cá, vira pra lá...O que diabos você está dizendo?
Claro, homem, de quem mais? Está feliz da vida com a prótese que lhe colocaram!
Prótese do quadril?...
Acorda, homem, alguém lá transa com o quadril, filho de Deus! Estás esquecendo de tudo? Prótese pe-ni-a-na, caramba.

Deus do Céu, mais um louco à solta neste mundo...
Barros lembrou-se de ler numa revista um artigo sobre isto, mas limitara-se então a abanar a cabeça, descrente. Era só o que me faltava!...
Contemplou o copo de cerveja, já morno, à sua frente.
Hoje a Medicina vai muito adiantada, há progressos maravilhosos todos os dias, anunciados nas páginas dos jornais, na TV, a tal de engenharia genética, ADN, sei lá mais o que, os caras intervém nos cromossomos dos fetos, uma loucura...
Sentiu uma dorzinha safada no braço esquerdo, mas fingiu que não era com ele. Pediu outra cerveja.

Na parede, ao lado da mesa, um espelho cheio de dizeres em alvaiade, a letra floreada: eram os pratos do dia; entre o tutu de feijão e a dobradinha, conseguiu ver seu rosto. O que viu deixou-o triste, ainda mais triste. Era uma fisionomia cansada, abatida, desencantada. Não era uma fisionomia em paz.
Pôs os óculos, para se ver melhor (ou pior, pensou) e depois de um esforço de lembrança e uma enxugadela naquelas lágrimas irritantes, conseguiu ver no fundo do espelho a face que tivera aos dezoito anos. Deus, que diferença...
Quem é que em sã consciência poderia dizer que a velhice era a coroação de uma existência?...
“Nossas roupas comuns dependuradas
na corda qual bandeiras agitadas
pareciam um estranho festival...”

Assim como a vida nas favelas, carentes de tudo, assim como na velhice, carente de tudo e de todos...
A velhice é uma tristeza, eu odeio a velhice, eu, Barros, não a aceito de jeito nenhum! Levou o copo aos lábios, merda, porque toda a vez tinha de pingar na camisa?...
Bota o babador, Barros, divertia-se o amigo, e logo danava a tossir sem parar.
Não vou bater nas tuas costas, senão V. é capaz de desmontar, e eu nunca fui bom em quebra-cabeças...No Natal me lembra de te dar uma bolsa de lona daquelas grandes, de sacoleiro do Paraguai, para levares um lençol...Porquê este teu lenço é brincadeira pra tanto catarro..

Era sempre assim, desde que se conheceram, há mais de trinta anos, sempre achando um jeito de se gozar mutuamente. Examinou o paletó amarfanhado do amigo _ (ele não admitia sair de casa sem aquilo,) e notou uma ponta branca saindo da parte de dentro, à altura do peito.
Ei, mas o que é isso, temos aqui um envelope? O endereço de casa pro caso de se apagarem alguns poucos neurônios pombos-correio que ainda acaso tenhas?...
O amigo alisou distraidamente o envelope já meio amarrotado, como se ali guardasse algo muito importante.
Isto?... É o meu testamento, Barros, o meu testamento...
Mas que conversa é essa, V. anda por aí com um testamento nas mãos? Que raio de companhia V. é? Parece mais um papa-defuntos... Sai pra lá! Bateu três vezes na madeira. Além do mais, V. nem tem herdeiros e muito menos o que deixar...Testamento! Está gagá, gagá mesmo...Espetou o dedo no ar, ajeitou-se na cadeira e fulminou o amigo:
Em vez de pensar em besteira, V. devia andar é com a receita do Dr. Anselmo debaixo do braço...Já estamos há horas neste boteco, e não vi V. tomar nenhum remédio.

Ora! Remédios e médicos! Que o diabo os carregue a todos!
Ah! Sim, claro, mas na hora do sufoco, lá na sua cama, V. fica bem mansinho e engole as poções como se ouvisse música celestial...
Barros, Barros! Vê se não me aporrinha mais, homem! Eu não gosto de tomar remédio, passei grande parte da minha vida sem saber o que era uma injeção, uma febre, uma dor de cabeça...
Ah! Sim, guardou na poupança para a velhice...(risos), né?...
A dor no braço voltara, uma agulhadinha fina, insidiosa, e Barros disfarçadamente abriu sua caixinha e pescou um comprimido minúsculo. Queria distrair a atenção do amigo, para não ter de receber de volta a gozação que levaria ao colocar na boca o remédio, mas o infeliz, debruçado sobre a mesa, fitava-o intensamente com olhos abatidos de cão perdido:
Velho Barros de guerra, que não vai a médicos nem toma remédios...qual o seu segredo? Soro de macaco?... Veterano da clínica da Dra. Aislam?...e cacarejava, mostrando os poucos dentes que sobraram de tanta ida a dentistas de hospitais públicos, só para sofrer, indefeso, a chamada arrancoterapia.

Tentou distrair a atenção do amigo, tinha de tomar o tal comprimido, a dorzinha já começava a aumentar. Antes só aparecia quando se movimentava apressadamente, que ele não sabia se arrastar defensivamente pelas calçadas, como um velho, ele que não aceitava a velhice, mas agora a dor aparecia até quando estava apenas sentado, como ali.
Logo achou a desculpa que precisava:
Espera aí, toma este teu licor de chope que agora eu vou ao mictório...
Outra vez? Mas V. foi há vinte minutos!...
Ora não chateia, V. agora é fiscal dos meus rins?
Ta bom, ta bom, aliás é uma boa idéia...Eu também vou esvaziar o reservatório, tirar água do joelho, como diz a patuléia...Ah!Ah!Ah!..

Dentro do banheiro, só acessado espremendo-se o corpo por um corredor lotado de engradados empilhados de cerveja, infecto como quase sempre, o chão imundo e mijado, um espelho imundo e quebrado em cima da pia que já fora branca um dia:
Mas V. não queria urinar? Porque agora quem quer sou eu, pombas! Vai ficar aí segurando o falecido até o bar fechar?
Barros desistiu de simular, recuou, pôs o maldito comprimido na boca, mas o amigo suspirava, fazia trejeitos, balançava-se pra frente e pra traz, de olhos fechados, como em transe, e nada de urinar.
Ué, V. não estava me apressando? E então? Vai baixar o santo, velho?
Espera...arf...está vindo, está vindo...aiiiiiiiiihhhhhhhh!............
Cruzes, que vitória, hein? a coisa está assim tão ruim?...Ajudou o amigo a sair do banheiro e encontrar o caminho da mesa.

De volta à trincheira, Barros perguntou ao amigo:
V. não foi ao médico desses troços, pra ver isto? Não deve ser a tal de próstata?..
Olha, eu fui há alguns anos atrás, não queiras passar por aquilo. O urologista, palavra de honra, tinha um dedo que mais parecia uma caneta Montblanc das graúdas, me escarafunchou lá dentro, me senti um merda, dá pra entender?
E aquela posição humilhante, ai meu Deus do céu!...Mas disse que eu tinha um pequeno aumento, nada preocupante, que voltasse dentro de um ano...Não me disse pra tomar nenhum remédio, graças a Deus.
Aí V. ficou frustrado, hein?, Só um ano depois! Teu ano depois tem quantos dias? Alguns anos atrás...Era a vez do Barros cacarejar.
É, seu gozador, mas nunca mais eu fui a ele ou outro urologista qualquer!
Nunca mais, e então não achas que agora bem que estás precisando?
Não, eu vou levando, se for pra ir ao urologista, só se for pra botar aquela engenhoca do Aristides...
E pra que V. quer botar como é o nome? prótese? Um velho feio como V., só ia assustar as moças, iam pensar que era algum unicórnio fugido de um filme de terror! Barros retorcia-se de rir, e o amigo ficava roxo de raiva, sem saber como replicar.

Tomou um outro gole, parecia que estava saboreando um licor, bem parcimoniosamente. V. precisa se cuidar, amigo velho! a vida já é essa chatura pra nós de idade, com sofrimento de urina é muito pior, ora bolas! De urina ou qualquer outra coisa, aliás...Tanta estória escabrosa que a gente ouve por aí...
É verdade, é verdade, mas eu tenho tanto medo de sofrer...Porquê eu já passei por poucas e boas, amigo...

Barros comoveu-se. Aqueles dois velhos, sem família e sem esperanças, aguardando o que?, Um pequeno aumento nas magras aposentadorias, dado, às vezes, com rosnados de revolta e impaciência por parte daqueles governantes, homens moços ou quase velhos que detinham o poder, a maioria com seu presente e futuro garantidos por truques e artimanhas, coisas que eles dois não entendiam, como a tal de aposentadoria especial após oito anos de mandato dos políticos, por exemplo.
Aposentadoria especial por insalubridade, por acidente provocando incapacidade para o trabalho, tudo bem; aquilo eles entendiam, inclusive haviam participado da segunda guerra mundial, tinham sido pracinhas na Itália, mas depois, felizmente ilesos, voltaram a trabalhar em suas profissões de origem, até completar os prazos de lei para aposentadoria. E agora? Aposentadorias mixurucas, congeladas com o restante dos salários do funcionalismo, total falta de sensibilidade dos governantes deste pais, que detestavam, ignoravam, desprezavam os velhos...Quanta falta de respeito, quanta desconsideração nas filas quilométricas, nos postos de atendimento médico, nos guichês dos bancos, nas calçadas sem acessos para deficientes físicos, tratados como bichos, colocados pra esperar a morte em antros imundos e abandonados, disfarçadamente intitulados de Centros Geriátricos, onde eram internados mais para morrer de fome e a mingua de remédios, apenas antros de eutanásia de velhos, moeda fácil para o enriquecimento de escrotos gordos, parasitas, que só visavam enriquecer às custas do INSS. E dizer que muitos deles ostentavam até diploma de médico!...
Além das histórias veiculadas pelos jornais, revistas, rádio e televisão, Barros sabia de um sem numero de casos chocantes, uns por ouvir dizer, mas a maioria eram casos em que os infelizes personagens centrais eram amigos, parentes e contemporâneos seus. Ele era uma testemunha de seu tempo, e sofria com isto, e com a impunidade que campeava. E ninguém ligava, parecia que a sociedade estava anestesiada...desinteressada, era cada um por si...
Que raio de sociedade esta, que consumia avidamente o noticiário, rosnava enfurecida ou compungida, e no dia seguinte encontrava outros assuntos, outros dramas com que se distrair, e se esquecer completamente dos do dia anterior? Então tudo de ruim que acontecia era entretenimento, apenas? Alimento para as televisões, espaço pra vender jornal?...Só pra engordar a mídia?
Que políticos estes que nós temos, a cuidar sempre do seu próprio interesse em primeiro lugar, com tanta negociata e da forma mais vergonhosa e sem limites de decência ou pudor? Mateus, primeiro os teus?...
Que código penal o nosso, que instrumentos estes usados na repressão e prevenção dos crimes, todos incrivelmente benévolos, cuidando preferencialmente do bem estar dos marginais, em detrimento das pessoas de bem?
Que direitos humanos eram aqueles, voltados para a pseudo-recuperação de criminosos, criminosos de todos os quilates, de todos os graus de periculosidade, de todas as idades, ignorando os traumas infligidos às vitimas (quando tinham sorte de sair com vida), ou senão o que dizer das suas famílias, desamparadas e desesperadas?...
O que era aquela tal lei que rezava que os criminosos primários deviam gozar de liberdade por serem estreantes na modalidade, e deveriam responder ao seu processo criminal fora das grades? Fosse qual fosse o que fizessem, o grau de monstruosidade do ato praticado?..
Quer dizer que o primeiro assassinato equivalia ao meu primeiro sutiã? Será que a vitima concordava com esta deferência de tratamento para com os seus algozes? Ou a família, em busca inútil de paz (que sabe nunca mais terá), lembrando eterna, sofrida e compulsivamente da perda?
Barros achou melhor parar de pensar naquilo, a nada o levaria, senão a um ataque cardíaco, ou um derrame, na melhor das hipóteses. Olhou para aquele velho à sua frente, quase ou mais que um irmão, tão frágil e desamparado, assoando estrondosamente o nariz intumescido e tentando disfarçar as lágrimas que teimavam ainda em brotar.
Olha, amigão, as coisas ainda vão melhorar nesta terra...Vamos ter um tantinho de fé, um tantinho de paciência, que a gente chega lá, caramba!
Agora que os homens seguraram a danada da inflação, que comia nossas pensões, nosso dinheirinho já está durando um pouco mais, não é mesmo?

É verdade, Barros, e V. sabe o que eu li no jornal de hoje, o governo vai dar uma dura nestes planos de saúde, acabar com um monte de bandalheiras que eles vêm fazendo com os associados, como a tal de revisão dos preços só porque entramos na faixa da velhice, que pouca vergonha! Justo quando precisamos de mais apoio, gastamos mais com remédios, eles nos jogam no buraco...

O velho estava radiante como se aquilo fossem favas contadas, até parecia que era um grande freqüentador de consultórios e ambulatórios, o cretino...
Barros e o amigo trocavam apertos de mão, sorrisos de felicidade.
Em quarto escuro fósforo aceso é luminária...

Manuel, o garçom habitual dos dois, olhou aquilo e pensou com os seus dedos dos pés doloridos:
-Velho é uma coisa linda! Parece criança, emburra, zanga e no momento seguinte está doce, doce...abanou a cabeça, enternecido.

Acordou para a realidade com o brado do gerente:
-“Manuel, mais três chopes pra mesa seis...e duas poções de batatinhas!...no capricho!”




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22 dezembro 2006

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Nostalgia de banheira (SRebouças)




Esta foi tirada no banheiro de uma família amiga que recém mudara, e ainda estava naquela de arrumar os trastes...É o típico banheiro antigo, o azulejo verde, a pia onde ainda se vê pousada a tampa da privada (sanita)...como, minha senhora? Não, eles não estavam 'fazendo' ali, iam na louça direto...Claro que se eles fossem membros da Fat Family iriam à sanita mais descansados do medo de cair lá dentro...
Mas prestem atenção na banheira, na banheira! Hoje a coisa é muito mais evoluída, tem esguicho massageador pra todo lado,formas aerodinâmicas...mas eu queria mesmo era uma daquelas...claro que com um chuveiro encima!

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