Atravessei a rua. Antes olhei para os dois lados. Não olhei para cima, todavia. Pianos caem das janelas às vezes. Um dia lindo de sol. Vontade de caminhar. A velha à minha frente sorriu para mim, quando a ultrapassei. Não estávamos disputando nada. A criança chegou-se a mim, pediu-me que amarrasse o cordão de seu tênis; procurei um banco na praça. Custava-me abaixar-me para satisfazer o desejo da criaturinha, mas enfim um lugar (também ao sol) para este velho...
A criança saiu contente, aos pulos. Só esqueceu de agradecer. Perto de mim um bando de rapazolas conversava. Era na nossa lingua natal, tenho quase certeza. Só que eu não entendia nada. Contemplei os outros velhos na praça. Alguns e algumas com acompanhantes ao lado.
Uns tinham um ar de lagarto ao sol. Outros ostentavam um sorriso inerte, desligado.
Não devo escrever muito. O médico me disse que as pessoas são alérgicas a letras. Coitadas.
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