
Eu tinha 7 anos, estavamos em 1944, em Recife, Pernambuco, em trânsito para voltar ao Rio de Janeiro. Meu pai era da infantaria do Exército, e estavamos retornando ao nosso chão, onde estava toda a nossa família... Vinhamos de Campina Grande, na Paraíba, onde ele serviu ao longo de grande parte da Segunda Guerra Mundial.E eu estudara no Colégio D. Bosco, de padres salesianos, e isto voltaria a acontecer em 1950, em Campo Grande, Mato Grosso, numa época em que a divisão do estado em dois nem era cogitada. Não havia aeroporto em Campina Grande, então a gente tinha de se deslocar para o Recife, que tinha. O Hotel em que ficamos era enorme, mas o que ficou mais na minha memória foi o restaurante, enorme, janelas envidraçadas para o rio Capiberibe, toalhas brancas até o chão, os pratos brancos, os garçons de avental imaculado em cima de seu uniforme de trabalho, um cheirinho delicioso pairava no ar. Talheres de alpaca, copos de finos pés, enfeites no centro da mesa. Mas o que eu mais curti foi o café da manhã seguinte, quando pedi dois ovos estrelados (ou estralados, ou estalados, minha Senhora, tanto faz...) e aquilo desceu como um manjar dos deuses.As coisas modestas, baratas, pequenas, ficam impregnadas na nossa memória até o fim de nossas vidas. Eu tinha 7 anos, um a mais que o João Hélio, que não teve a chance de, já velho, batucar na internet suas memórias em flashes...
É impressionante como pequenos detalhes ficam gravados na nossa memória, não é? Um abraço!
ResponderExcluirUm cheiro, um ruído ou trecho de música, um cheiro de fumaça, um pequeno arcoíris desde a janela...
ResponderExcluiruma palavra antiga, um sorriso parecido...são tantas as possibilidades de regresso virtual! Um abraço e um latido amistoso ao rafeiro...