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01 fevereiro 2007

Momentos em São Conrado (SRebouças)

Nesta foto, a praia de S.Conrado já está vestida com inúmeros edifícios; além do Hotel Nacional, há muito desativado, há o Intercontinental, uma grande caixa de sapatos deitada ao seu lado, e muitas outras construções.
Naquela época - anos 60 - a praia de São Conrado tinha um intruso apenas, a adulterar a sua linha pura de natureza admirável: o Hotel Nacional, um imenso cilindro, uma concepção arquitetônica belíssima. Nenhuma outra construção, nem mesmo casinhas de pescadores...nada! A cerca de 1 km dali uma montanha, já então com uma grande favela, a da Rocinha, mas que naquela época representava talvez uma vigésima parte do que é hoje.Desta praia eu guardo duas recordações marcantes. A primeira, uma noite em que eu levara uma 'mina' para uns 'amassos' na praia, dentro do fusquinha, afinal era um começo de conhecimento, não pensem que a coisa era tão fácil como é hoje, com o verbo FICAR mudando de significado para o que é atualmente.
Estavamos totalmente entretidos no namoro, o imenso céu estrelado, não havia resíduos de poluição, o radio que naquela época pegava mal e mal em FM a Tv Tupi e a rádio Imprensa nesta faixa, naquela amplitude pegava...imaginem! uma rádio de Buenos Aires!
De repente, atráz de nós aproximou-se um outro fusca, graças a Deus da polícia, e dois guardas encaminharam-se para nós, um de cada lado, lanterna na mão, examinaram-nos, entenderam logo o que se passava, nem sequer me pediram documentos e gentilmente aconselharam-nos a ir embora daquele local: mostraram as luzinhas da favela da Rocinha (que eu nem sabia que tinha favela por perto), dizendo que a qualquer momento poderiamos ser assaltados...que aquilo já era rotina...Aceitamos, pressurosos, o conselho.

A outra ocasião foi uma circulada de fusca em traje de banho, em dia de semana; passei pela praia de São Conrado, vazia, claro, aquelas paragens eram mesmo desertas, quando percebi, na extremidade oposta ao Hotel Nacional, três pessoas na areia. Aproximei-me, estacionei o fusquinha, velho companheiro de aventuras solitárias; eram três moças, todas pela conversa sem afetações ou esquivas que passamos a manter moradoras em Jacarepaguá, ali não era tão distante de ônibus...Percebi também que era gente humilde, talvez empregadinhas gozando uma folga...Não seria eu que iria perguntar-lhes algo. Elas não eram feias, não eram lindas, mas eram simpáticas e dadas...
Como, minha senhora? Dadas não querendo dizer que estavam querendo 'dar', senhora, eram simples de trato, é isto que dadas queria e ainda quer dizer!
Mas naquela época os maiôs inteiros - não biquinis - eram de lã, o que moldava metafísicamente a anatomia, ressaltando as partes de quem tinha mais a oferecer aos olhos...Em certo momento resolvemos ir para a água, o mar estava manso, de um azul mediterrâneo, grandes massas de água nos levantavam e passavam por nós para morrer educadamente na beira da praia...Uma das meninas atraiu mais a minha atenção (está bem, tesão...) e então aconteceram as inevitáveis 'brincadeiras' flutuantes. As outras duas tiveram um feeling de ladies e foram para as suas toalhas na areia.Nossos corpos se entrelaçavam, os beijos se sucediam,o toque de sua pele morena, seus seios firmes e roliços e os lábios carnudos...Não havia necessidade de perder tempo com palavras, os sentidos da visão e do tato eram senhores do momento...Lembrei de um filme da Brigitte Bardot, "Manina a moça sem véu" que eu e minha galera haviamos ido assistir, para acumular frustrações, pois só ameaçava, ameaçava, mas não acontecia nada. Ali a coisa era diversa, mas acontecia, o tempo todo...Eu mergulhava, e via as pernas da menina se mexendo e a claridade do sol atravessando aquelas águas de cristal...A minha excitação atingia níveis perigosos, eu estava a estourar dentro do calção....sentia o sol dourando o corpo, o céu estúpidamente azul, aquela paisagem digna de um Tom, de um Vinícius...eu poderia morrer feliz naquele momento...Em dado momento um helicóptero passou, deu algumas voltas em torno, apreciando, e foi embora...como devem ter nos invejado, naquela liberdade, naqueles momentos de pura excitação!... Eu nunca irei esquecer aqueles momentos totalmente despreocupados e fantásticos passados em São Conrado. No dia seguinte ainda voltei lá mas não encontrei ninguém, nem o endereço em Jacarepáguá que ela me dera...Teria sido tudo, afinal, um sonho?...

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