Estranhas e temíveis as figuras dos fiscais que atuem em torno de qualquer atividade financeira...Porquê eu as associo às imagens de guardas parando carros na rua e conversando ao pé da janela do motorista? De ambos a sensação, a suspeita, muitas vezes injusta, é de que algo relacionado a suborno ativo e passivo seja parte do menú...Em ambos exigências e alegações descabidas nos fazem refens de um mal-intencionado funcionário...Afinal, eles têm a faca e o queijo nas mãos!Se no caso do trânsito, cometemos ou não aquela infração alegada e agimos, reprovavelmente aliás, 'comprando' a nossa alforria com trocados e o carro, como a vida, segue seu caminho, já no caso dos fiscais a coisa é muito mais complicada; se houver de parte do fiscalisando ou do fiscalisado alguma sugestão de troca tipo "eu não multo e o senhor me dá uma cerveja" ou "não me multe e eu lhe dou uma cerveja" estes engradados de cerveja seguirão evidentemente o caminho do milagre da multiplicação dos pães, protagonizada por J.C., e o multado/cervejante será vítima de visitas regulares de novos cervejáveis indicados pelo primeiro...
E qual a surpresa, minha senhora? Vivemos sob índices altíssimos de corrupção conformada, qual leprosos, aceitamos tudo o que nos prejudica, calados como aqueles judeus que caminharam para o "último banho" nas câmaras de gás. Riem, escarnecem de nós, fazem o que bem entendem, esfregam a impunidade nas nossas caras, dançam a nossa desgraça.
Há algumas décadas, crucificaram, aliás injustamente, um jogador de futebol já no ocaso da carreira que disse, como parte de texto de um anúncio de cigarros:
"Nesta vida a gente tem que levar vantagem em tudo!..."
Isto ficou como sendo opinião externada pelo atleta, omitiu-se o anúncio e ficou na história como a 'Lei de Gerson'...Hoje este capítulo, que não serve mais nem de história da carochinha, é uma vírgula, perdida entre resmas de molecagens diariamente publicadas e difundidas e assistidas por este povo impotente e pasmo.