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20 outubro 2008

ADEUS FUMÓDROMO, NUNCA MAIS ESTA HUMILHAÇÃO SRebouças

Quando eu penso que fumei ao longo de 51 anos...nunca tive problemas respiratórios, uma fome de leão, lá em casa os cinzeiros abundavam (que palavra mais feia, essa...), mas pouco se me dava com a literatura acerca dos males que o cigarro podia trazer. Aquelas hipócritas colocações escritas e gráficas de males possivelmente decorrentes do uso do cigarro, um resquício de mentalidade de falsidade/ditatorial vindo de um governo que abiscoita mais de 75% do valor de cada maço em imposto...
Visto do lado do fumante, o cigarro é um acompanhante, uma bengala, um apoio nos vários momentos porquê passamos...
Não nos incomodamos com os dedos manchados de nicotina, os dentes escurecidos, a boca amarga, que importa se o velho amigo está ao nosso lado? E que se não o deixe minguar no estoque, sempre um pacote na reserva! Os ouvidos moucos aos conselhos de "parar", risiveis e lamentáveis processos vigaristas como uma vez enfrentei num edifício comercial na Praia do Flamengo, um pseudo-consultório e aplicação única de uma "luz vermelha", uma nota preta pela consulta e a duração de tres dias dos efeitos da 'sugestão'...As reclamações inclusive, no consultório, por parte dos doentes na sala de espera - sim, pois eu, um médico, era fumante....e eu tentava disfarçar o clima com sprays anti-tabaco, mas as reclamações persistiam. 51 anos de fumante não se largam assim como quem salta do bonde...
No íntimo eu sabia que teria de haver um motivo muito forte para deixar o 'amigão' de lado...Eu não acreditava nas tais medidas de combate ao fumo, palestras, filmetes, conselhos....eu era um fumante viciado e como tal me reconhecia. Um belo dia concordei em me submeter a uma cirurgia videolaparoscópica de vesícula biliar com um colega do consultório - operação besta, eu via clientes que com 5 dias de cirurgia estavam indo a shoppings...ninguém me disse - "para de fumar durante algum tempo, cara..." Tudo acertado eu fui fumando para o Hospital Barra D'Or, tranquilão e assim segui para o Centro Cirúrgico, do qual nada me lembro. Anestesista porreta era aquele...a maioria que conheci deixava o paciente adentrar a sala de cirurgia acordadão, é mole? pra não iniciados na 'nobre arte' operatória, aquilo já valia por um pré-infarto...mas no meu caso eu já entrei dormindo.
Crente que operava de manhã, e à tarde ia pra casa, no dia seguinte acordei eram 6 horas, e levei o maior susto ao ver que eu estava num CTI...um senhor cheio de canos e balão de oxigênio á frente, outro coalhado de aparelhos de monitorização ao meu lado, uma cortina azul do outro lado...Foi então que eu senti uma dor forte no peito e chamei a enfermeira - que demorou a vir - pegou minha papeleta e disse que 'não havia nada receitado praquela dor' ( palavras textuais da anencéfala) Mandei chamar um médico e em resultado sugeriram um cateterismo coronariano - que é claro eu aceitei na hora. Depois do exame, fui recambiado para aquele simpático e aconchegante ambiente. No dia seguinte fui para um quarto comum. O diagnóstico era que eu sofrera um enfarte de uma das artérias coronarianas principais, da ordem de uns 40%. Recebi um cartão do chefe da clínica cardiológica e exigi, mais do que pedi, a minha alta hospitalar. Disseram-me para ir aquele consultório, também na Barra, dentro de uma semana e deram-me uma lista de uns oito medicamentos.
Fui ao tal consultório, que o dr. dividia com a esposa dermatologista, sala de espera para tres pessoas e a secretária esmigalhada a um canto, com monitor, telefone, fax e pastas diversas.
Uma enorme placa de acrílico ao fundo mostrava as especialidades de ambos e o que me chamou mais a atenção nela foi "DERMATOLOGIA CIRÚRGICA _ BOTOX"...
O cardiologista muito simpático fez emergir de sua impressora uma receita depois de me mostrar o cd do exame, e foi taxativo: "CIGARRO É INEGOCIÁVEL".Na receita constava o Isordil sub-lingual e a recomendação foi simples: "se tiver dor coloque um comprimido e aguarde 15 minutos; se não passar coloque outro, me telefone e rume para o Barra d'Or..(!!!)
Claro que quando eu cheguei ao térreo, meu espírito já me aguardava com cara de "viu?" e eu estava numa depressão tamanho família.Isto há 2 anos e 10 meses atrás. Estou em tratamento, passei por dois psiquiatras (?) até chegar neste atual, que é outro papo, além de combater em outras 3 frentes clínicas. Compreendi com uma situação - o infarto - e aquela frase singela "....inegociável"... que nada substitui este método de parar de fumar : o desejo de permanecer vivo.
É um subsídio para além de qualquer audio visual, aconselhamento, médico ou não, tratamentos que visam ao financeiro, v. se imbui da necessidade sem choro nem velas, e para.
Às vezes levemente, vem aquela vontade de acendeu unzinho, mas acreditem ou não, até hoje nem PEGAR num cigarro apagado eu peguei. E criei uma impaciência com cigarros e cinzeiros e isqueiros, e com o hálito forte de cigarro dos que falam próximo a nós...
Meu Deus, quanto me arrependo de não ter acreditado quando alguém na sala de espera reclamava que alguém estava fumando...Entre outras vantagens, a gente cria um faro de perdigueiro, os dentes livres de tártaro e claros, os dedos limpos e sem aquela morrinha de nicotina. A roupa da gente fica livre daquela impregnação, os cabelos, tudo melhora...até os pulmões. É como eu sempre acreditei: para deixar de fumar só um acontecimento muito forte, para criar a força mágica necessária. Eu passei por isto, eu sei que venci.

4 comentários:

  1. Que bom! Antes tarde do que nunca.
    Queos fumantes leiam e tenham consciência antes de ocorrer danos maiores. Parabéns!
    Com as bençãos de Nossa Sra. de Fátima.

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  2. Ainda bem que sim.
    Eu só peguei num cigarro para experimentar uma ou duas vezes. Não gostei e não tenciono repetir mas imagino, fazendo um paralelo por menos com o chocolate, que se tivesse apanhado a dependência seria muito difícil largá-la.

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  3. Meu médico amigo.
    Abri a casa sa Çogra p ler um pouco o que vc escreveu e deparei-me com esse artigo.Caiu do céu pois por livre espontânea vontade larguei o cigarro.Vc lembra qtas vezes no seu consultório ficavamos batendo papo e fumando? Estou desde o dia 22 de janeiro,meu aniversário sem fumar,mas com uma vontade louca,fumar não é um vício qualquer,fumar é uma doença ...rsrsrr
    Vc sabe mais do que ninguem da minha total confiança no médico Dr.Sérgio,ao ponto de ir a outros especialistas e ligar p perguntar a vc se poderia tomar aquele remédio passado pelo Dr. normalmente indicado por vc,ou lhe carregar p ficar comigo na sala de cirurgia p fazer uma plástica no seio e na hora que estava apagando com a anestesia lhe gritar...Sérgio não saia de perto de mim....
    Pois é meu amigo,esse seu sofrimento por causa do "maldito amigo" vai me dar força bastante p vencer essa guerra,vc é o meu médico e é em vc que acredito.
    Bjs,obrigada por fazerparte da minha vida
    Sua cliente 01 Iê

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  4. Querida Iê, agradel]ço tuas palavras amigas como sempre...enviei email pra todos da caixa de correio partcipando de meu encerramento de atividades de consultório...2 pessoas notaram a mensagem, uma muito querida, o Rafeiro que seria um tremendo amigo teu pois adora cães. O outro foi o dr. Waldir meu colega de turma na Faculdade e tempos depois no consultório...
    Recomendo que imprimas este e-mail, pois te será útil nos 1momentos de fraqueza de ânimo..."

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