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16 junho 2010

Ah, esta saudosa VARIG, nosso orgulho de brasileiro que nos roubam....











Crônica de David Coimbra (Jornal ZERO HORA, Porto Alegre) 

Sou uma viúva !

Você entra num desses aviões das modernas companhias aéreas brasileiras.
Tenta se acoplar no espaço que lhe é destinado.
Não é fácil, seus joelhos espetam as costas do cara da frente e você não pode respirar muito forte ou desgrudar os cotovelos das costelas sem esbarrar nos úberes
da gorda sentada ao lado.
Aí vem aquela mulher caminhando pelo corredor com um Nutry na mão.
A aeromoça.
Ela pára a um passo de distância e lhe estende o Nutry: - Ó teu Nutry
Respondo:
Não quero esse teu Nutry.
Não que faça questão de comida de avião.
Nunca gostei de comida de avião, por Deus.
Prefiro eu mesmo escolher a minha comida.
Mas o Nutry é um símbolo.
Representa a filosofia dessas companhias de aviação.
 "Nada substitui o lucro", é o lema delas.
Entendo isso.
É um troço que se chama processos de gestão".
Aprende-se esse negócio nos cursos de embiei em São Paulo.
Basicamente, o que eles ensinam nos embieis é o seguinte: economize.
Pronto. Concluído o curso.
Eu, aqui, admito: não entendo spoilers nenhum de aviação.
Mas entendo de ser passageiro. 
E como passageiro que tenho autoridade para afirmar: essas modernas companhias aéreas brasileiras são, como se diz na
região oeste do Menino Deus (sic : bairro de POA, proximo ao Lago Guaíba) , muquiranas (sic baixo nível, ruins).
Como passageiro, sou uma viúva da velha Varig.
A velha Varig era conhecida por ter um dos melhores serviços de manutenção do mundo.
Os pilotos da velha Varig ganhavam bem - eram os melhores pilotos.
Tanto que estão espalhados pelo mundo, na China, na  Coréia, nos Emirados, na Europa.Quando você estava em Paris, por exemplo, se lhe sobrevinha um problema, você não procurava a embaixada brasileira; procurava a agência da
Varig.
E o funcionário da Varig resolvia a questão. Ou se esforçava até o  último flap para fazê-lo.Nunca se ouviu falar de uma porta se desprender de um avião da Varig em pleno vôo.
 Nem de um cara cair lá de cima. Por minha autoridade de  passageiro é que garanto: é chato cair lá de cima. Uma coincidência: esses fatos ocorreram depois que a Varig fechou.
E os atrasos nos aeroportos.
E os dois maiores acidentes da história da aviação brasileira, com 10 meses entre um e outro. Mas o fechamento da Varig foi saudado pelos gestores modernos.
Uma  companhia que pagava tão bem aos seus funcionários, que prestava serviço de qualidade ao passageiro e que servia refeições com talheres de aço inox
tinha de fechar.
Os gestores da Varig decerto não fizeram embiei.
Não sabiam  que nada substitui o lucro.

Um comentário:

  1. Saudades dessa empresa tão Brasileira e que nos tratava com tanto respeito.
    Fiz esse mês uma viagem para Roma, pela Iberia.Um absurdo o espaço das poltronas e o serviço de bordo.
    No trecho Rio/Madri, um jantar mínimo e na chegada um café da manhã todo frio (pão e o próprio café).
    No outro trecho Madri/Roma( 2hs e 30m)o serviço é cobrado.Tudo, inclusive água.
    Lembro que na Varig, nesse mesmo trecho era servido um jantar completo, com drinks grátis.
    Segundo o texto, o importante hoje é o lucro.
    Que pelo menos gastem na manutenção dos aviões.Esse que eu fui é o mesmo modelo que caiu(?)da Air France.
    Finalizando,a Varig era uma das melhores do Mundo em serviço de bordo E MANUTENÇÃO DAS AERONAVES.
    Aloysio Alberto

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