Trajetória de luta
João Gonçalves Filho (Bosco) - Academia Limoeirense de Letras
Artigo publicado, no Jornal O Estado, em 27 de maio de 2010.
Os cearenses, orgulhosamente, comemoram com entusiasmo o centenário do seu filho mais ilustre – D. Hélder Pessoa Câmara, nascido no dia sete de fevereiro de 1909, em Fortaleza. Nunca será demais exaltar esta figura humana singular e nordestina. Foi um profeta, pastor católico, poeta, escritor, conferencista internacional, um ser humano, que devotou toda sua vida em ver unidos o projeto infinito do desejo de vida, justiça e fragilidade da figura humana.
Toda a sua vida esteve centralizada em ações concretas para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna, equilitária e solidária. O seu grande desafio era atacar as causas maiores da injustiça, como: concentração de renda, da propriedade rural, da exploração do trabalho humano, da falta de escola com qualidade para todos e das desigualdades regionais, particularmente a do Nordeste.
Para d. Hélder, a pobreza humana e rural somente seria amenizada ou erradicada, implantando-se mudanças estruturais, na sociedade brasileira, aglutinação dos mais humildes numa causa comum, execução de uma ampla e profunda reforma agrária, educação com qualidade para todos, e uma política governamental eivada de programas sociais consistentes, que possibilitassem uma justa distribuição de renda. E mais: “estas mudanças estruturais – afirmava d. Hélder – só iriam acontecer com uma nova consciência cidadã da população mais carente, frequentando escola, participando de sindicatos, comunidades de bairros, discutindo sobre seus direitos e deveres, politizando-se, adquirindo consciência para conduzir o seu próprio destino e fazer a sua própria história“.
Foi d. Hélder, indubitavelmente, um marco na Igreja Católica, no Brasil, um precursor de uma Igreja voltada para os pobres através da Teologia da Libertação, profundamente, dentro da sua missão evagelizadora. Sua influência não se limitou ao Brasil: as numerosas viagens feitas ao exterior fizeram dele uma figura, mundialmente, conhecida, admirada e querida.
Foi um dos idealizadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organização copiada por bispos de outros países, e o seu primeiro presidente.
Para críticos de sua ação pastoral: “foi dom Hélder o bispo dos pobres, que soube atrair as atenções de todos os que trabalham e passam fome, em favor de uma sociedade mais justa, não importando o seu credo religioso”.

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