Assim vemos os nossos cemitérios: cidades como ilhas, cercadas pelo mar da cidade grande. E acompanham perfeitamente a filosofia sócio-econômica das cidades dos seres viventes: há as covas rasas, em que pedaços de cimento com um número identificam (?) seus ocupantes, e as cruzes singelas também de cimento e um dispositivo para colocação de flores, evoluindo daí da miséria para as posições mais bem situadas na escala social - as famílias de classe média (aliás a força motora da sociedade), para as ruas e as grandes avenidas, onde inúmeros jazigos e até obras de arte em mármore e granito e vitrais e portas de ferro, encimadas por anjos das mais diversas concepções, com atitudes de franco desespêro uns e profunda meditação outros, encimam estes ricos jazigos. Muitos deles receberam heróis nacionais e suas famílias, em outros foram os heróis de suas próprias famílias, porquê abastados foram...
Uniformemente, dentro de cada jazigo um monte de ossos ou mesmo até a poeira que restou deles. Pois é certo que 'REVERTERE AD LOCUM TUUM' para pobres e ricos, vale sempre,tudo é igual.
Considero os cemitérios uma coisa doentia; depois da morte / ou passagem, que os nossos irmãos espíritas assim a chamam, a carne apodrece, entra em decomposição, as bactérias já existentes em nossos corpos gulosamente se apropriam destas carnes (tecidos) e começam a devora-las. Restam depois os ossos, cada vez mais descalcificados, até em poeira se tornarem. É então que começa o reinado das baratas...e o fim destas bactérias e germes.
Agora, perguntamos: não causa mal estar esta descrição? É claro que morrendo não iremos sentir mais nada...nada mais vai importar, isso lá é verdade; mas vamos pensar assim: mortos, porquê nos guardarem em caixas de madeira para passar a matéria morta por aquela rotina asquerosa? Consideramos como um vilipêndio do que fomos em vida este processo de decomposição explorado econômicamente pelas Santas Entidades.
Não é preciso explicar o que queremos dizer.
Foi baseado nesta posição que chamamos um tabelião e firmamos documentos expressando o nosso desejo de sermos cremados. E assim será. E gostariamos de alertar aos nossos amigos que a cremação é um instrumento legal, mas que a nossa vontade precisa ser registrada em cartório. Querer sem este desejo ser oficialmente expresso, fica na vontade...




Muito interessante.
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