Atalho
Perpetuei um desejo mudo
de que eu seria toda nua
por não ser tua.
Nos meus dias de fé
chorei a esperança
sem pernas de que me vesti,
para que o unguento carnudo
do teu corpo fosse mesmo
meu. É que sonhava atordoada,
e mentia crer que
os meus dias não passariam
com a morte inconsumável dos teus ventos.
Fez-se espuma da ausência -
onde havia antes silêncio -
e caminhei sem sentir os pés
porque era o hálito morno da neblina
o que pensei ser alma:
era fogo que se apaga sem a aragem morna do teu orvalho
quando me entrego aos braços d'um outro Orfeu -que não são teus -
a sublimar os dias em que sonhamos juntos um atalho
talhando nossos corpos de vazio.
Por Jamile de Oliveira Gonçalves
Sirva-se sempre que desejar! O que se escreve ou se diz não se pertence. :)
ResponderExcluirVAMPIRO Sérgio te agradece doce Jamille...
ResponderExcluir(não estou em certos momentos postar em meu próprio blog)