De Pastelibus
Cara, v. já comeu pastel de queijo feito em botequim? Ele é gordo, parece bem recheado, mas quando v. morde, aquela tristeza: nada dentro, a não ser uma película de queijo grudada numa das paredes da massa...
A amizade é um pastel de queijo, em certas ocasiões. Assombra-nos descobrir que, para tanto tempo passado, tão pouco recheio foi utilizado...
Não comparemos o vazio das palavras ditas ao longo do período com a repercussão dos menores gestos de pura amizade nele registrados : a amizade não está verdadeira e solidamente nas intenções, está puramente nas ações...
Os protestos de alta estima e elevada consideração em contraste com o silêncio e a distância observados após este cordial afastamento...
A ausência dos contatos telefônicos – um mínimo sinal de presença na ausência – faz-nos pensar perplexos em tudo que foi escrito com o nada, ou o contrário também aí valendo...
Fica um mofo de ressentimento, de resto solidamente ultrapassado, incompreensão teimosa de uma amizade rejeitada por uma das partes, como uma não aceitação verdadeira desta ‘entente nada cordiale’...inútil!...
Cara, porquê v. se revelou um vero pastel de queijo feito em botequim...como o lamento pelo seu enorme vazio! Um dia v. aprenderá que a amizade é um fruto precioso da árvore desta vida passageira...e sua seiva será sempre a transparência.

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