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17 fevereiro 2012

QUE TE VAYAS BIEN...

Saindo ou não da CBF, Ricardo Teixeira terá de responder 

por tudo o que fez ao longo das duas últimas décadas

A possível queda de Ricardo Teixeira do comando da CBF e do Comitê 

Geral da Copa do Mundo de 2014 foi anunciada para esta sexta-feira. 

Pessoas ligadas ao dirigente ventilaram ao Grupo Estado, sem muita 
convicção, de que se algo de fato acontecer vai ocorrer durante o carnaval.
A ocasião é ótima. Povo feliz, samba no pé, mulheres bonitas na tevê, muita 
festa nas ruas. Cenário perfeito para abandonar o barco sem grande 
estardalhaço. O destino seria Miami, onde já estariam mulher e filha. 
Ricardo Teixeira anda caladão na sede da CBF. Segundo Rodrigo Paixa, 
de múltiplas funções, entre elas diretor de comunicação da entidade, o 
presidente tem dado expediente normalmente na CBF. Meio caladão, 
mas trabalhando.
Pessoas mais chegadas a ele tentam demovê-lo da intenção de largar tudo. 
Estão todas no mesmo barco.
Já ouvi uma série de motivos para explicar a possível decisão de Ricardo 
Teixeira de se afastar às vésperas da Copa do Mundo no País – um sonho 
desde seu primeiro dia de mandato, lá em janeiro de 1989. Vamos a eles:
1) A presidente Dilma Roussef não o quer como homem forte da Copa de 
2014. Lula o bancava em Brasília. Dilma, não.
2) Há a possibilidade da instauração de uma CPI sobre a Copa de 2014 e 

Teixeira não sairia ileso dela.
3) Sua família sofre pressão sobre seu comportamento e conduta no futebol, principalmente sua filha.
4) A Fifa pediu a cabeça de Teixeira para o governo brasileiro.
5) Ricardo Teixeira quer sair de cenba antes de possíveis condenações 

em curso na Justiça.
6) Está ficando cansado de tudo e não tem mais vontade de comandar a 

Fifa, outro sonho de carreira.
Denúncias contra ele apareceram aos montes nesta semana, como tem 
sido em sua gestão à frente da CBF. Em algumas ele foi condenado, em 
outras não. O fato é que seu mandato sempre foi polêmico, sempre incomodou 
gente e sempre foi repleto de acusações e de ações judiciais.
Da sua maneira, Teixeira sempre teve todos os presidentes de federações 
estaduais e de clubes (salvo pequenas exceções) nas mãos. Poucos foram 
contrários às suas decisões, desejos e manias aos longo dos últimos 23 anos. 


Não caminhou sozinho nessas duas décadas. Mas sempre foi o Capo.
Qualquer que seja sua decisão, nesta sexta ou durante o carnaval, pela 
continuidade ou não no cargo, Ricardo Teixeira terá de responder pelo que 
fez até a data do seu afastamento, bem ou mal, certo ou errado. A imprensa, 
descobrindo fatos ilícitos se eles existirem, vai denunciar. E tem de fazê-lo. 
O futebol é um patrimônio público. A seleção brasileira deve ser do povo e 
tudo o que estiver relacionado a esses dois bens do Brasil precisa ser do 
conhecimento das pessoas. Para aplaudir ou para criticar.
Com ou sem Teixeira também, a Copa do Mundo de 2014 vai acontecer 
no Brasil.

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