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03 setembro 2012

Malabarismo na corte MAIS UM FRUTO DAS ARTES DO SR. LULA..

EM FAMÍLIA O ministro José Múcio (com o copo na mão) e o sobrinho Fernando Monteiro (a sua direita) numa festa. Um dos consórcios interessados na decisão do tio procurou o sobrinho  (Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco)

Malabarismo na corte

Por pressão de empreiteiras e de um sobrinho, um ministro do TCU muda seu voto e abandona um julgamento de R$ 7 bilhões sem explicar

MURILO RAMOS


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No julgamento, o TCU finalmente autorizou o governo a fechar contrato com o Consórcio Rodovia da Vitória, que administrará a Rodovia BR-101, entre Espírito Santo e Bahia, por 25 anos. Havia dúvidas sobre a capacidade técnica do consórcio. Trata-se da primeira concessão do governo da presidente Dilma Rousseff, com investimentos previstos de R$ 7 bilhões – um negócio que tem agitado Brasília e que deu muito trabalho aos ministros do TCU. O segundo colocado no leilão, o Consórcio Capixaba, recorrera da decisão, e o processo caiu no colo de Múcio. Em abril, ele concordara com a empresa derrotada e suspendera a assinatura do contrato. Duas semanas depois, mudou de ideia e liberou o contrato. De tão estranho, o malabarismo de Múcio levou Lucas Furtado, procurador do Ministério Público no TCU, a acusar o ministro de “sofrer pressões” para mudar o voto. Cinco dias depois da acusação, Múcio se declarou impedido. E não disse mais palavra.
Por que Múcio mudou seu voto? E por que se declarou impedido? ÉPOCA perguntou isso a ele, por telefone, antes do julgamento. Transcorreu o seguinte diálogo:
– Por que o senhor se declarou impedido?
– É para publicar? Eu não queria… É que eu me senti incomodado, com muita gente pedindo de um lado, pedindo do outro, pedindo de um lado, pedindo do outro… Eu me senti incomodado com as pressões.
– O senhor não vai dizer quem lhe pressionou?
– Claro que não. É uma questão pessoal. Tenho minhas conveniências.
Após o julgamento, a reportagem procurou Múcio em seu gabinete. Nele, há uma caricatura de Múcio como malabarista. Confrontado com a informação de que o sobrinho Fernando Monteiro atuara como lobista do Consórcio Capixaba, Múcio ficou lívido. “Fernando disse para mim que eu deveria ter cuidado na condução do processo da BR-101. Disse que foi procurado por pessoas de um consórcio e que queriam um encontro comigo”, afirmou Múcio. “Isso também interferiu para eu me afastar do caso.”
A ÉPOCA, Fernando disse apenas: “Fui procurado por pessoas que me pediram para marcar um encontro com o ministro José Múcio. Respondi que não e que ele (ministro) não aceitaria”. A exemplo do tio, Fernando é meio calado. Não informou ser dono de um escritório de consultoria política, a Fendy Assessoria, no centro de Brasília. A exemplo do tio, Fernando tem suas conveniências

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