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24 dezembro 2012

ARTHUR VIRGILIO NETO: UM BOM NOME PARA A OPOSIÇÃO PENSAR NA PRESIDÊNCIA...




Seu pai foi homenageado há pouco com a devolução simbólica do mandato de senador. À parte a valorização da memória, o Brasil ainda deve muito à verdade histórica?
Eu sou muito cauteloso em relação a possíveis exageros que possam ser cometidos. Quem tem parentes assassinados e quer localizar os ossos de seus parentes… O Estado brasileiro deve facilitar tudo para que esse encontro triste, lamentável, mas emocionante, aconteça. Para minha família, é muito importante esse reconhecimento. Minha mãe foi indenizada, mas ela não queria. Eu sou contra as indenizações milionárias do governo Lula, porque parece que fizeram uma poupança cívica. Eu enfrentei uma ditadura, meu pai enfrentou – ele não fez uma “poupança”, ele sabia dos riscos que eram enfrentar uma ditadura. Eu também sabia, e fui preso, passei tempos fora do país. Então, aquela coisa simbólica de R$ 80 mil que minha família recebeu não era para resolver a vida de ninguém, não era para comprar um triplex não sei onde. Era para dizer que o Estado brasileiro reconhece que foi praticada uma arbitrariedade contra o senador Arthur Virgílio Filho, meu pai. Isso era o bastante.
A Comissão da Verdade, por exemplo, está trabalhando. O resgate dessa memória tem sido satisfatório?
Avançou-se bastante no governo Fernando Henrique no sentido da ampliação da anistia. Exageros foram cometidos. Espero que a Comissão da Verdade não cometa exageros reabrir uma ferida. O Exército hoje é outro, a Marinha é outra, a Aeronáutica é outra. Aqueles que praticaram exageros ou fizeram luta armada contra o regime se reciclaram. Estão muito velhos os que puniram com torturas, com covardia brutal, e também estão muito velhos os que enfrentaram a luta com ou sem arma na mão.
Mas muitos não esquecem…
Para ilustrar: eu fui a uma reunião de amigos amazonenses no Clube Militar, era uma espécie de evento de fim de ano. Eu era ministro de Estado àquela época [secretário-geral da Presidência, entre 2001 e 2002, no governo Fernando Henrique]. Ao final de tudo, me apresentaram ao presidente do Clube Militar, general Hélio Ibiapina [morto em 2010], que na época era coronel em Recife. Fora ele que amarrara [o comunista histórico] Gregório Bezerra numa corda e o arrastara feito um animal por Recife. Eu fiquei impressionado: a truculência dele não correspondia sequer ao tamanho físico, era uma figura muito baixa, franzina. Ele, muito idoso, beirando os 90 anos, quando o presidente da Associação dos Amazonenses me apresentou, eu estendi as mãos para cumprimentá-lo e ele recolheu as mãos. Na hora fiquei surpreso, e pensei: não fui líder estudantil em Recife, fui no Rio de Janeiro. Foi onde aprontei. Pensei: “Será que ele perdeu tanto a noção das coisas, está tão idoso, que está me confundindo com meu pai?”. Então, ele já morreu, outros estão idosos… Mexer nisso para quê? Eu sou contra esse sentimento, não tenho o menor ódio no coração, o menor rancor. O que eu quero é que todos esses fatos sirvam para consolidar a ideia de ditadura nunca mais, e democracia cada vez mais.

Um comentário:

  1. Feliz Natal meu muito querido amigo blogosférico e obrigada pelo bom humor e calor das suas palavras
    um beijinho
    Gábi

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