Onde foram parar os sonhos?
Decidira um dia regressar à terra onde crescera. Abandonava a grande cidade que a tornara mulher. Deixava para trás solidões e correrias, onde nunca encontrara o aconchego do lar no regresso dos dias longos entre rostos desconhecidos, indiferentes. Aprendera a vida, a dureza dos invernos gélidos.
Corria agora para o canto onde a aguardariam os abraços e as lembranças dos dias repletos de emoções e aventuras, as travessuras de quem cresce solto pelas ruas. Atulhava as malas com a urgência de quem não pode mais suportar a estranheza que os anos não acalmaram, as correrias constantes e azáfamas que não conduziam já a lugar algum. Carregava o carro com alívio, de olhos cheios de recomeços e acelerava estrada fora perseguindo as vozes que a chamavam para junto de si.
Jamais previra que os dias que encontraria lhe deixariam o olhar baço e os sonhos derramados pelo chão.

Já li este belo texto na Lagartixa e creio que lá deixei uma apontamento. Vou fazer de conta que é a 1ª vez que o estou a ler. O que me prende mais não é o sonho em si. É a maturidade e a segurança de pessoa que escreve. Eu sei quem és! Adivinho até onde te podem levar os teus sonhos e sei o destino dos que ficam pelo caminho.... Ficamos, quase sempre, aquém da linha do horizonte! E, às vezes, bastava só um jeitinho. Só que isso faz toda a diferença e pode não estar na nossa mão chegar a esse ponto.
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