Tudo o que se diga da sombra…
Tudo o
que se diga da sombra é tempo perdido. Havia um homem que corria pelos olhares
vivos dos guerreiros puros. Eu dormia no teu sonho que era uma nuvem incendiada
pela infância. Várias mulheres correndo levam a noite consigo lembrando
magnólias sonoras grandiosamente abertas. Oiço-as batendo palmas devagar
enquanto contam estrelas. Elas sabem de cor os nomes completos dos sons que
vivem violentamente curvados sobre os palácios agitados. Por cima dos seus
corpos nus as borboletas escrevem sonhos. Os sons produzidos pelas mulheres
parecem mapas vestidos que respiram a loucura da neve que acaricia as cerejas
no Japão. Extraordinário é o Sol que preenche as paisagens humanas. Um povo de
estátuas vinga-se da Primavera. Tu dizes: é preciso criar palavras. Há coisas
enormes por detrás do espanto dos pássaros. É o tumulto das trevas. As árvores
sentem o caminho e a dor dos seres angustiados. Os animais dormem num ímpeto de
figuras submersas. É o silêncio que cria o silêncio. É a voz do silêncio quem
abre buracos no tempo. Braços sonâmbulos enchem de signos os frutos do
espírito. Chamas-me com palavras sérias. Algo se incendeia numa fantasia
nocturna. O meu espírito fantasia os nomes da terra. Cada boca ama o sangue do
mundo que sobrevém e arde. Tu és um espaço violento cheio de vulcões excitados
pela fantasia. Chamam-te loucura. Mas tu és um poema vivo carregado de solidão.
A minha boca úmida inventa uma espada de desejo. Tu és um espasmo vivo
transportando veias e um sexo abrasado pelo tempo que nos consome. Há uma
memória que começa com um poema deitado sobre as tuas coxas. A madrugada
enche-me o coração de água fria. O teu poema dói-me. Toda a luz do mundo
desenha um pensamento esplendoroso. A nossa morte cresce numa vertigem tenebrosa,
como um veneno sonâmbulo acariciado pelos dedos velhos do tempo. Deus é um
caçador de livros antigos. Agora estás verdadeiramente deitada sobre o abismo.
Imagino se será possível pesar os pensamentos nobres e com eles iluminar os
homens. Tudo não passa de um jogo. Imagino o meu corpo deitado numa colina. A
minha cabeça vibra com o teu esquecimento. O amor puro é sempre passado. Há
corpos suaves devastados pelas mãos ávidas dos poetas. E tu finges sonhos
estruturais. Deus é um cheiro silvestre. Não um verbo. Amo devagar o mundo.
Explico a vida no silêncio da matéria. Sou uma criança velha devorada pela luz
e pelo silêncio. Um grito de dor esgota a minha voz.

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