V. SABE A
DIFERENÇA ENTRE COMIDA DE PENSÃO E COMER EM PENSÃO?
Não sei se v. comeu “de
pensão” ou comeu “em pensão”; isso é coisa típica de quem viveu nas décadas
todas dos anos 90. Depois as lanchonetes, pizzarias e churrascarias, com seu
serviço de entrega (delivery) engoliram e monopolizaram estas atribuições a
domicílio e em casa.
A pensão a domicílio,
sistema por que passamos na nossa família algumas poucas vezes, era
caracterizado por um sistema de organização de panelas com tampa, com dois aros
laterais e acoplando-se às panelas acima e abaixo dela. Havia uma alça de alumínio
que catava as panelas, as capturava firmemente para que o garoto da pensão as
pudesse transportar, às vezes várias de uma só vez; em geral era uma para o
arroz, outra para feijão e as restantes variavam dentro da semana.
No começo era muito
gostoso, tempero diverso do de costume, mas... sempre há um mas nestas coisas, com
o passar das semanas v. até já recitava o menu do dia, na terça-feira era camarão
com chuchu, sempre não sei porquê. Carne assada recheada com cenoura na
quarta-feira...
Em suma,
instalava-se um descontentamento, ficava parecendo que as quantidades diminuíam,
começavam as reclamações por telefone, e o entusiasmo esfriava e acabávamos indo
comer na rua ou recolhendo alguma indicação de outra pensão “muito boa”. Não
sei, mas todos os nomes das senhoras (gordas) donas das pensões chamavam-se Zélia,
Clélia, Leda, Maria José, Neuza, Marílda e outras que tais. Enfim...
Comer EM PENSÃO já era muito diferente. Não digo todas, aí seria viajar na maionese,
mas a maioria tinha ambiente ventilado, iluminado, pairava no ar uma fragrância
de superposição de pratos e temperos, aguçando nosso paladar. O dono ou dona
vinham à nossa mesa, recepcionando nossos estômagos famélicos e olhos vidrados
e pedintes, dando sugestões fartas como a quantidade de comida servida. E
claro, havia um menu variado, o que não acontecia na nossa casa, onde comíamos
o que nos mandassem...
Interessante que
ninguém ia à cozinha para ver se havia higiene, todo o mundo simplesmente
confiava e saboreava. Também ninguém encontrava uma mosca ou perna de barata na
comida, Deus do céu se isto acontecesse, era fechado o estabelecimento
sumariamente.
Em geral o menu era
sempre igual nestes estabelecimentos, mas recordo da poesia naqueles pratos:
Lombo à Rousseau, Escalopes à Fragonnard, Filé à Osvaldo Aranha, Purê de
batatas com camarões fritos, Pasteis de legumes, Feijão com lingüiça...
Deixei-me agora viajar e a sentir fome com apenas este enunciado: as pensões
nunca tiveram este tipo de cardápios...Mas vocês bem que gostaram.
Em outro episódio
vou lhes relatar o único pic-nic que fiz com toda a minha família, até os avós maternos,
na ilha de Paquetá. Até...

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