Recebi de um amigo um texto sobre a difícil labuta dos policiais. Tudo verdade.
É
tudo verdade, e não seriam integrantes de uma outra profissão senão a nossa, a Medicina, tão capacitados para compreender aquelas palavras na sua totalidade. As
profissões que lidam com o público diretamente são e serão sempre
abençoadas e infinitamente mal-pagas; lidando com gente no dia a dia V. aprende e se
extasia com a enorme variedade de pessoas, seres tão diversos, índoles e
capacidades, afetos e ausências de, todo um cosmos a partir daquela simplória divisão de
cabeça, tronco e membros que aprendemos nos primeiros dias de Ciências...
Lidando
com a dor destas pessoas, com seus momentos mais críticos, seus desnudamentos de
alma, penetrando nos seus infernos particulares, passeando nas suas menos
reconhecidas impossibilidades...eis os médicos, se eles assim o
quiserem. E eu acho que cada vez mais nós queremos - e temos menos, no
materialismo, na insensibilidade, na sujeição a forças externas que nos ditam
procedimentos, num aumento de velocidade dos ponteiros do relógio atrelado a
Chs (unidades de serviço) baixas, tudo correndo contra um idealismo de vida e profissão. Lutando por quebrar esta nossa intenção.
Linda
aquela imagem (ou fantasia) de um médico sacerdote - mas o sacerdote vai ao
supermercado, ao açougue, às lojas, aos médicos e dentistas (e eles nos cobram, acabou aquela época de coleguismo, gentilezas profissionais, nada restou), vai a toda parte, tem muitas contas a pagar, tratamentos médicos e odontológicos dos seus, impostos os mais diversos, o de Renda então uma verdadeira cafetinagem do Governo, ainda que atrelado ao celular ligado, ao bip, ao rádio-telefone...não tem períodos estipulados de relax, não pode ficar doente, e assim caminha a desumanidade.
Esta
imagem, que de resto é usada pelos nossos empregadores para definir o nosso
serviço, e tão bem por eles
explorada...já não nos engana mais.
Quando eu era um iniciante na profissão, há tanto tempo, eu atendia um paciente e ao final, quando me perguntava quanto ele me devia eu ficava constrangido, eu me sentia um Pequeno Deus, dizendo:
-"Não
é nada..." Eu achava que no momento em que ele traduzisse o meu trabalho
em algumas moedas aquela magia de momento como que se esvairia...

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