A mulher sozinha valia todo o ouro do mundo debruçada sobre o flanco das palavras
Um pedaço de seio nu e a concomitância poética com os cabelos suados,
prontos.
Os olhos rasgados, duas linhas que lhe serpenteavam no rosto todos os desígnios da sorte
Um trevo de quatro pétalas entranhado no corpo
aberto.
A mulher mesmo sem o livro e sem as palavras valia por si mesma pela cor da
pele
Pelos dedos pousados em açoteias repletas de frutos secos e de cereais
maduros
E pelos cabelos negros que embebedavam a noite com suco de mirtilos e de sombras.
A mulher estava pronta para tudo o que lhe ditasse a paixão das
palavras
E para ser o ponto onde a luz desenhasse encontros de contornos
flexíveis
Transmutados. Parindo opúsculos de luas servidos em lençóis
brancos
Um quadro de Picasso ou um poema de Pablo Neruda metamorfoseando a
vida.
15-01-2014
Isabel
Vieira

1º- Gosto muito da música de fundo do teu blog.
ResponderExcluir2º- Conheces a "gata" que escreveu isto?
3º - Creio que ainda não lhe deste a tua opinião e ela quer saber qual é.
4º Gosto muito de Klimt!
5º Beijinhos
6º Volto mais tarde porque ainda tenho que ir acender a lareira.
A sua belíssima obra sempre me pareceu, pelo pouco ofertado, autobiográfica, sofrida, encantada. Fala de si mesma como na 3ª pessoa, se esconde, se afaga, se materializa dentro dos próprios sonhos de liberdade...
ExcluirCerto! Falo na terceira pessoa! Certoooooo! E obrigada pelas palavras, jaqueiro!
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