Eu tenho lutado comigo mesmo querendo e não querendo
escrever acerca deste processo terrível que é a perda de um ser tão próximo,
como o é uma Mãe, tendo-a ainda em vida.
Quer dizer, você a tem, mas na verdade não tem mais
o ser afetuoso, inexiste aquela troca de preocupações quanto à saúde e o bem
estar do outro; porquê o que era neste campo uma rua de mão dupla se transforma
em mão única, sem que o outro lado sequer tenha conhecimento disto. Apenas v.
sabe.
A sensação que v. tem é que a pessoa se encastela,
se afasta de v., ignora v. e a todos em volta...Seu universo de emoções parece
amordaçado, aprisionado pelas limitações da idade, mas exacerbado pela nossa
impressão de ausência, de indiferença, de antagonismo mesmo. Distante, móvel
como um boneco que é conduzido, embora se revolte mecanicamente às vezes, mas
nem sempre de modo certo, ou por causas certas, incapaz de se defender ou
denunciar maus tratos sofridos. Perdida em devaneios – ou até apenas perdida –
não exprime opiniões, não emite comentários, ignora o mundo à sua volta.
Escolhem por ela, seus momentos e suas excursões, o que vestir e quando deitar
ou sentar ou levantar.E até quando ir ao banheiro...
A absoluta falta de memória para coisas, pessoas ou
lugares nos desconserta.
Esta miserável condição atende, sabei, pelo nome de
Alzheimer...

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