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07 janeiro 2014

V. SABE A DIFERENÇA? (HESSEHERRE)

V. SABE A DIFERENÇA ENTRE COMIDA DE PENSÃO E COMER EM PENSÃO?


Não sei se v. comeu “de pensão” ou comeu “em pensão”; isso é coisa típica de quem viveu nas décadas todas dos anos 90. Depois as lanchonetes, pizzarias e churrascarias, com seu serviço de entrega (delivery) engoliram e monopolizaram estas atribuições a domicílio e em casa.

A pensão a domicílio, sistema por que passamos na nossa família algumas poucas vezes, era caracterizado por um sistema de organização de panelas com tampa, com dois aros laterais e acoplando-se às panelas acima e abaixo dela. Havia uma alça de alumínio que catava as panelas, as capturava firmemente para que o garoto da pensão as pudesse transportar, às vezes várias de uma só vez; em geral era uma para o arroz, outra para feijão e as restantes variavam dentro da semana.

No começo era muito gostoso, tempero diverso do de costume, mas...sempre há um mas nestas coisas, com o passar das semanas v. até já recitava o menu do dia, na terça-feira era camarão com chuchu, sempre, não sei porquê. Carne assada recheada com cenoura na quarta-feira...
Em suma, instalava-se um descontentamento, ficava parecendo que as quantidades diminuíam, começavam as reclamações por telefone, e o entusiasmo esfriava e acabávamos indo comer na rua ou recolhendo alguma indicação de outra pensão “muito boa”. Não sei, mas todos os nomes das senhoras (gordas) donas das pensões chamavam-se Zélia, Clélia, Leda, Maria José, Neuza,Marílda e que tais. Enfim...

Comer EM PENSÃO já era muito diferente.  Não digo todas, aí seria viajar na maionese, mas a maioria tinha ambiente ventilado, iluminado, pairava no ar uma fragrância de superposição de pratos e temperos, aguçando nosso paladar. O dono ou dona vinham à nossa mesa, recepcionando nossos estômagos famélicos e olhos vidrados e pedintes, dando sugestões fartas como a quantidade de comida servida. E claro, havia um menu variado, o que não acontecia na nossa casa, onde comíamos o que nos mandassem...
Interessante que ninguém ia à cozinha para ver se havia higiene, todo o mundo simplesmente confiava e saboreava. Também ninguém encontrava uma mosca ou perna de barata na comida, Deus do céu se isto acontecesse, era fechado o estabelecimento sumariamente.
Em geral o menu era sempre igual nestes estabelecimentos, mas recordo da poesia naqueles pratos: Lombo à Rousseau, Escalopes à Fragonnard, Filé à Osvaldo Aranha, Purê de batatas com camarões fritos, Pasteis de legumes, Feijão com lingüiça...
Deixei-me agora viajar e a sentir fome com apenas este enunciado: claro, as pensões nunca tiveram este tipo de cardápios...Mas vocês bem que gostaram.

Em outro episódio vou lhes relatar o único pic-nic que fiz com toda a minha família, até os avós, na ilha de Paquetá. Até lá..

Um comentário:

  1. Não sabia qual era a diferença. Gostei de ficar a saber e fiquei com fome :)
    redonda

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