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19 fevereiro 2014

CONVERSANDO COM MATILDE (ISABEL VIEIRA)

































Quero dizer-te, Matilde, que ainda vou demorar um pouco.
 Encontrei uma amiga que não via há muito e o tempo passa.

 Tu sabes como são estas coisas. Não sabes, Matilde?

 Essa minha amiga perguntou-me por ti. Queria saber tudo.
 Eu disse-lhe muito pouco porque não gosto de falar de ti aos outros.
  Achas que faço bem, Matilde?

Por uma questão de educação é que ainda não me fui embora.
Mas ardo de impaciência. Eu sei como é estar sentada à espera.
Tu sabes como são estas coisas. Não sabes, Matilde?

  Estou muito distraída porque só penso em ti.
 Sei que amparas o teu rosto com as mãos
 E que a mala da escola está ao teu lado como sempre.
E que os teus pezitos estão naquele posição
Que me faz ter vontade de os beliscar
É assim que estás, não é, Matilde?

 Quero dizer-te, Matilde, que adoro a forma como pões o chapéu na cabeça
 Como olhas ao longe para ver se ainda falta muito para me veres
 Como aconchegas o Zezé no teu colo

 Como és linda à frente dessa porta de madeira


 E como até os degraus toscos onde estás sentada tem alma
Só porque tu aí estás. Só por isso. Porque tu és tudo para mim.
 Sabes disso, não sabes, Matilde?

 Desculpa o desalinho da minha conversa.
 Tu sabes com o são estas coisas, Matilde.
 As mães, sem os filhos ao pé, vêem tudo às avessas.


05-02-2014




Um comentário:

  1. Que bonita a minha Matilde aqui, no meio da água que corre. E que bem que me sabe! Já tinhas saudades destes sons assim tão perto e à hora que quero.

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