O registro de ocorrência 023-01381, feito na manhã do último domingo, traz o relato desesperado do clínico: “chegando ao seu local de trabalho, constatou que estava sozinho no plantão, ou seja, era o único médico de clínica médica na emergência; que tem como função passar visita na sala amarela com em média 50 pacientes, passar visita nos corredores superlotados, atender quem chega por meios próprios e quem chega trazido pelo bombeiro, além de avaliar as intercorrências (pacientes que têm o quadro agravado) dos andares de todo o hospital.
O médico registra ainda “que toda chefia, coordenação e direção estão cientes que ele está sozinho (no plantão); e que não há chefia na equipe”.
— Esses médicos têm nos procurado e feito uma medida assecuratória de direito futuro. O que eles relatam é muito grave. Não quero que apenas ele se resguarde. Quero resguardar a população e não deixar acontecer o pior. A cada registro de ocorrência, expedimos ofício para o diretor do hospital, o Ministério Público, a Secretaria municipal de Saúde e, da última vez, também para o Conselho de Medicina — diz a delegada adjunta da 23ª DP, Débora Rodrigues.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, são constantes as denúncias sobre falta de profissionais e de condições mínimas de trabalho no Salgado Filho:
— Esse hospital tem sido palco de inúmeras violações e danos aos pacientes.
Falta de clínicos é crônica
Na escala da emergência do Salgado Filho divulgada na internet constam apenas dois clínicos nos plantões noturnos de sábado e diurnos de domingo, sendo que um deles é o que está de licença médica. Ele também está escalado para amanhã. Nos demais dias da semana, a média é de três clínicos, o que, segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Nelson Nahon, vai contra a legislação:
— Uma emergência de portas abertas como a do Salgado Filho precisa ter de quatro a seis clínicos. Já procuramos o secretário de Saúde Hans Dohmann duas vezes. Propusemos a contratação de médicos de forma emergencial e que o Samu leve pacientes para outros hospitais da rede até que o Salgado Filho consiga organizar sua emergência. Nada é feito. Por isso, fizemos uma queixa-crime na Delegacia do Consumidor contra o secretário e entramos com uma ação na Justiça.
Por nota, a secretaria respondeu que, “apesar de estar com vagas abertas para a contratação de médicos, com salários de cerca de R$ 6 mil por 24 horas de trabalho semanais”, não conseguiu até o agora preencher o quadro de profissionais. Já a direção do hospital alegou que o médico que está de licença desde janeiro passou por avaliação pericial, que determinou a impossibilidade de sua presença no plantão, depois da formulação e publicação da escala.

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