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Refrigerantes e fast-food estão entre as preferências das crianças e são grandes causas para a
obesidade
Por:Joana Monteiro/André Pereira
Um ritmo de vida acelerado, mas sedentário e alimentação em
excesso e de má qualidade são condições
para que os quilos a mais possam acumular-se desde cedo.
Cerca de 15% das crianças portuguesas entre os 6 e os 9 anos
são obesas e mais de 35% têm excesso
de peso, conclui o estudo ‘Portugal – Alimentação Saudável
em Números’, realizado em 2013 pela
Direção-Geral da Saúde.
E segundo dados revelados já este ano pela Organização Mundial
de Saúde, as crianças
portuguesas são as segundas mais obesas da Europa, logo atrás
das gregas.
Nas crianças e nos adolescentes, a obesidade tende a aparecer
ou agravar-se com os hábitos da família.
Dulce Bouça, médica psiquiatra, especialista em distúrbios
alimentares, explica que há uma "ausência
de rotinas em família, em que todos comam à mesa à mesma
hora". Como consequência, as crianças
"não aprendem a apreciar os alimentos e evitam os que não
as satisfazem".
Talvez por isso 61% das crianças portuguesas nunca
consumem fruta fresca. Um estudo de 2008
indica ainda que 62% das crianças não comem sopa com
legumes. Já os refrigerantes, fast food
e doces estão entre os mais apreciados. No entanto, também
na família está a solução. "O papel
dos pais é o único eficaz para criar bons hábitos", afirma
Dulce Bouça. Também eles devem fazer
parte da "negociação" de hábitos alimentares entre o médico
e a criança.
![]() "Deve incluir-se o que ela gosta, mas diminuir
progressivamente o que é prejudicial", explica.
São ainda evitadas palavras como ‘gordo’ ou ‘dieta’,
pelo "estigma social" que têm até para os pais.
"O diagnóstico de obesidade é uma frustração.
Inconscientemente modifica o modo como olham
para o filho", alerta a médica.
“Enquanto é nova tudo se resolve. Ainda tem tempo.”
Foi com este pensamento otimista que
Andreia Neves, de 29 anos, encarou o problema de
obesidade da filha. Aos quatro anos,
Rafaela pesava 19 quilos, mais sete do que os 12
indicados para crianças da sua idade “Ela
sempre foi grande”, justificou a mãe.Obesa aos quatro anos
Agora com oito anos, Rafaela Sá deixou de pertencer
à categoria de obesa. “Está com uma
média de 28/29 quilos, que é o ideal para a idade dela”,
referiu a mãe, satisfeita pelo sucesso.
A família, de Vialonga, em Vila Franca de Xira, foi
fundamental: “Acabámos por mudar todos e
por nos habituar a uma alimentação mais saudável.”
Comer mais vezes ao dia, evitar fast-food e ter mais
vegetais no prato foram algumas das mudanças.
“Há espaço para tudo, tem é de ser controlado”, diz
Andreia, que também incentivou a filha a
praticar natação.
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