Cartas de Nova Iorque: Para tudo, o Obama chegou, por Luisa Leme
Os “pedaços de cerca” de metal se espalham pelo Upper East Side em Manhattan. Algumas horas e as calçadas agora são isoladas das ruas com as “barricades”. Não se atravessa no meio do quarteirão, não há carros, os táxis não param onde querem. Policiais se reúnem numa esquina...e depois em outra, e em outra, e mais a frente.São tantos uniformes da NYPD que poderia ser um bloco de carnaval, um desfile militar ou uma greve como as dos garis do Rio de Janeiro. E a força chega em silêncio, para “organizar” a ida e vinda de todos na cidade. Carros pretos estacionados, sirenes, coletes fosforescentes a cada cruzamento. O bairro está tomado pela segurança de Nova Iorque. O presidente vai passar por aqui.
A cena de filme de ação faz parte da rotina do nova-iorquino. Me lembro de não poder entrar no metrô porque alguém deixou uma mochila no meio do Columbus Circle. Foram muitos policiais, e um assustador esquadrão anti-bombas.
E dois anos atrás, saindo do trabalho nas Nações Unidas (em frente à missão dos Estados Unidos, na Primeira Avenida), tive que esperar o presidente chegar e entrar no edifício antes de poder ir embora para casa. Cheguei a ver até os snipers no topo dos prédios, com armas do tamanho de uma guitarra na mão. Quem sai na rua nessa hora vira suspeito.

Muita gente fala de como Nova Iorque é segura, mas a cidade é também militarizada. Essa segurança até dá medo. No ano passado, um grupo de residentes de Lower Manhattan iniciou um processo contra a NYPD por causa do plano de segurança do novo World Trade Center.
Quem conhece Wall Street também sabe sobre o excesso de segurança nas ruas. Para não falar do impacto que é ver todas essas armas, essa “ordem” invadindo o dia a dia da cidade.
O presidente veio à Nova Iorque para dois eventos do partido democrata. No caminho, ele parou em uma loja Gap para fazer compras para suas filhas e parabenizar a empresa por aumentar seu salário mínimo para U$10,00 por hora. Obama passa com a comitiva do serviço secreto e da polícia, sem se identificar.
Quando ele sai do carro, existe um toldo entre o veículo e o prédio: ninguém vê o presidente. Ninguém pode sair dos prédios nem atravessar a rua. Queria chegar mais perto, confirmar o tamanho das orelhas talvez, mas é só tentar e o policial fala com você.
O trânsito se transporta para a calçada. Essa semana a Park Avenue estava vazia às seis horas da tarde, enquanto gente que voltava pra casa, passeava com o cachorro ou se exercitava tinha que esperar na esquina. Ninguém se mexe até o Obama passar.
Sempre encontro alguém indignado, que discute com os guardas: Como assim?! So where can I go? Mas depois, fica todo mundo tão curioso que as pessoas se acalmam, contando para os amigos pelo telefone que estão esperando o Obama. Não sabemos quanto tempo vai demorar.
Luisa Leme é jornalista e produtora de documentários. Passou pela TV Cultura e TV Globo em São Paulo, e pelas Nações Unidas em Nova York. Mora nos Estados Unidos há sete anos e fez mestrado em relações internacionais na Washington University in St. Louis. Escreve aqui sempre às quintas-feiras. Mantém o blog DoubleLNYC com imagens e impressões sobre Nova York. Twitter: @luisaleme
Nenhum comentário:
Postar um comentário
MESMO QUE NÃO TENHA TEMPO COMENTE. SUA VISITA É
MUITO IMPORTANTE E SEUS COMENTÁRIOS TAMBÉM...
ANÔNIMOS ACEITOS, DESDE QUE NÃO OFENSIVOS. UMA COISA IMPORTANTE: AS CAPTCHAS NÃO TÊM DIFICULDADE PARA AS PESSOAS. AS LETRAS OU SÃO MAIÚSCULAS OU MINÚSCULAS, NÚMEROS SEMPRE IGUAIS. CASO NÃO ENTENDA HÁ UMA RODINHA PARA V. MUDAR ATÉ ACHAR MELHOR.OBRIGADO.