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01 fevereiro 2007

SALA DE(S)ESPERA (SRebouças)

Os médicos e dentistas têm a tendência a achar que salas de espera são meras zonas neutras de seus consultórios, apêndices apenas. Um local onde os clientes se sentam
– se houver lugares – e aguardam pacientemente a grande hora de encontrar-se com o seu doutor. Pois bem, não é bem assim. Em primeiro lugar, há que focalizar-se a individualidade, dentro da verdadeira fauna que adentra um consultório; há aqueles de quem nada se pode dizer, são normais, comuns; há os seguidores de Gandhi, esperando que tudo e todos lhes passem por cima, os histéricos compulsivos, os perguntadores inveterados, os mudos que nem sequer abordam a recepção ao chegar, enfurnando-se num canto. Há os que explodem com facilidade, os que são surdos e não sabem, e porisso falam mais alto alguns decibéis, os analfabetos e os pseudointelectuais e os pseudomilionários, que se destacam pela maneira desdenhosa e snob ao tratar com as secretárias no balcão. Há os que folheiam mecanicamente revistas tão antigas e ensebadas que o Lula ainda está nas promessas do 1º mandato...Há os que não se conformam em esperar sua vez, e alegam mil coisas para serem passados à frente. Há os que de cada vez que vão ao consultório fornecem deliberadamente apenas partes de seu nome inteiro, confundindo as secretárias, seja no computador, seja nos arquivos. Há os que não tomam lá seus banhos diários, ou não trocam há dias suas roupas, ou ambos, deixando a moçada em volta em ponto de bala. Há os de axilas fétidas ou mau hálito tipo lança-chamas, os que tiram a dentadura e se põem a contempla-la pensativos, totalmente alheios á vizinhança...Há aqueles que portam uma senhora peruca, totalmente diagnosticável ao primeiro olhar, há os que vão acompanhados de uma jovem e tão entusiasmadops se mostram que aquilo só pode ser 'contrabando'...Há os que chegam em sandálias de dedos e bermudas, camisa aberta ao peito, há os que envergam terno e gravata, elas com suas melhores roupas, maquiagem e jóias (de mentirinha, que os tempos não estão pra peixe). Há quem chegue com uma grande bolsa, colocam óculos e retiram dela um livro, que se põem a ler, com um ar intelectual não me toques, ralé, distância...Há os que comparecem à consulta sem marcar ou então no dia errado.Há os que vão à consulta com três ou quatro membros da família, e querem encaixa-los todos na mesma sala do doutor....haja banquinhos!
Há os que marcam consulta com um neurologista e depois, no consultório de um urologista, querem ser atendidos só “porquê foi minha mulher que marcou!...”. Decerto lhes escaparam páginas do livro de seu convênio, mas não serão eles a dar o braço a torcer do engano cometido, se se tem a oportunidade de confundir e tumultuar?...



Agora passemos para o lado de dentro do balcão: as recepcionistas e suas modalidades.
Em primeiro lugar, aquelas que dão a impressão de que vão puxar uma lixa de unhas e passar a lima-las furiosamente – é o tipo ‘não estou nem aí’. Outras consultam interminávelmente a agenda, outras falam ao telefone, deixam o fone de lado, fazem alguma coisa pertinente e logo retornam ao seu bate-papo telefônico. Há as que arrumam as coisas de sua mesa, nunca terminando. Parece uma forma deliberada de ignorar os clientes à sua frente ou à volta...
Muitas sofrem agressões de pacientes que deveriam ser e não são polidos, umas se estressam muito com isto, e tome de cometer erros.
Umas parecem surdas, não respondem ao que se pergunta. Outras são por natureza bruscas, respondendo ou dirigindo-se aos clientes de modo imperioso e desagradável - costumam elas mesmas gerar atritos por encontrar combustível natural do outro lado do balcão; outras talvez sejam surdas ou parcialmente analfabetas, dificilmente acertam os nomes na ficha, mesmo os de mediana dificuldade, mesmo soletrados pelo dono...outras trocam os convênios ou esquecem de retificar na ficha um convênio trocado pelo paciente já antigo.Outras se esquecem de cobrar as consultas e depois saem correndo até os elevadores para consertar a lambança...
A maioria se deixa absorver pelos seus afazeres e não dão pelota para os clientes. O ideal seria que as recepcionistas se fizessem um elo de ligação entre os clientes, afinal esperar é muito chato. Se dois clientes são motivados a conversar em torno de algum tema sugerido pela recepcionista, logo a maioria estará participando, e assim a espera fica menos penosa...mas a maioria se isola, as recepcionistas estão se lixando para este aspecto de relações humanas. É uma grande pena!

3 comentários:

  1. E as revistinhas modernas? Algumas ainda dizem que o Reagan é o presidente dos EUA!

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  2. Pode-se dizer que o teu faro não falhou...Foi um ítem importante que eu simplesmente esquecí...talvez porquê dos consultórios eu freqüente as salas de atendimento...já o rafeiro deve ser hipocondríaco, quem sabe? :P

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  3. ...mas já consertei a falha...
    gostaria de tua presença aqui no Casa, tens uma esperteza no dizer, um humor refinado até nas grossas, és presença indispensável nas minhas visitas ao RP.

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